sábado, 4 de abril de 2009

Paul Krugman

(...) a China optou em lugar disso por manter mais ou menos fixa a paridade entre o yuan e o dólar. Para tanto, o governo tinha de comprar dólares à medida que estes inundavam o país. Com a passagem dos anos, os superávits comerciais continuaram subindo - e o mesmo aconteceu com a reserva chinesa de ativos estrangeiros. Será que havia uma estratégia profunda por trás desse acúmulo de ativos de baixo rendimento? Provavelmente não. A China adquiriu sua imensa reserva de US$ 2 trilhões - o que transformou a República Popular em República dos Títulos - da mesma maneira que os britânicos adquiriram seu império: em um ataque de distração. E não muito tempo atrás, ao que parece, os líderes chineses despertaram e compreenderam que tinham um problema.O baixo rendimento não parece incomodá-los muito, mesmo agora. Mas aparentemente o fato de que 70% desses ativos estão denominados em dólares os preocupa, porque qualquer queda futura do dólar poderia significar uma grande perda de capital para a China.

domingo, 22 de março de 2009

Procura

Às vezes busco alguém no fundo do espelho, 
pesquisa insatisfatória. Às vezes 
é muito difícil me reconhecer na
pergunta que o espelho irradia, e que 

me responde? 

Às vezes torturo o espelho, 
anseio geral por um mínimo 
atributo de mim. Tardonho, 
sindico o espelho. Irrisão, 
vasta procura, que mal comecei 
e admite errâncias. 
12 de novembro de 2008.

domingo, 15 de março de 2009

Dani Rodrik

Dani Rodrik, economista, professor de Harvard, no blog do Vinicius:

Foram os economistas os que legitimaram e popularizaram a ideia de que um setor financeiro sem amarras representava um benefício para a sociedade. Eles falavam quase de maneira unânime quando se tratava dos "perigos da regulamentação excessiva do governo". Seu conhecimento técnico - ou o que se assemelhava a isso à época - lhes conferiu uma posição privilegiada de formadores de opinião, bem como acesso aos corredores do poder.

A falta não reside no campo da economia, mas no campo dos economistas. O problema é que os economistas (e os que lhes dão ouvidos) ficaram excessivamente confiantes nos seus modelos preferidos do momento: os mercados são eficientes, a inovação financeira transfere risco aos melhor capacitados para arcá-lo, a auto-regulamentação funciona melhor e a intervenção do governo é ineficaz e prejudicial.

A macroeconomia pode ser o único campo aplicado na disciplina de economia no qual mais treinamento aumenta a distância entre o especialista e o mundo real, devido à sua dependência de modelos altamente irreais, que sacrificam a relevância em favor do rigor técnico. Lamentavelmente, em vista das necessidades atuais, os macroeconomistas fizeram pouco progresso em planos de ação desde que John Maynard Keynes explicou como as economias podem ficar atoladas no desemprego devido à demanda agregada insuficiente. Alguns, como Brad DeLong e Paul Krugman, dirão que o campo já regrediu. "

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Paul Krugman: (...) Vamos ser diretos aqui. Há uma chance razoável, não uma certeza, de que Citi e BofA [Citibank e Bank of America], juntos, percam centenas de bilhões de dólares nos próximos poucos anos. E seu capital não é nem remotamente suficiente para cobrir as possíveis perdas.De fato, a única razão pela qual ainda não quebraram é a de que o governo está agindo como um esteio, implicitamente garantindo sua obrigações. Mas são bancos zumbis, incapazes de fornecer o crédito de que a economia precisa. (...) Mas o que temos agora não é empreendedorismo privado, mas um socialismo de araque: os bancos se beneficiam, mas os contribuintes arcam com os riscos. E os bancos zumbis se perpetuam, bloqueando a recuperação econômica.
O que queremos é um sistema no qual os bancos assumam os ganhos e as perdas. E o caminho para esse sistema passa pela estatização.