O Bolsa Tudo, instituído pelo querido Líder, constitui o maior programa de compra de
voto do mundo, em prestações mensais continuadas. Acima, o Grande Irmão dispensa dupla graça, e
por isso o adoramos, com fervor.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Casa dos Contos
Leio no jornal:
Procura-se.
Estatura ordinária, olhar espantado, cor acabralhada, moleirão. Terá
35 anos. Tira a barba toda. Deixa bigodes. Oficial de pedreiro.
Excetuados bigodes e ocupação (no momento, não tenho nenhuma), a notória semelhança com
o procurado - um escravo fugitivo do Século 19 - me assombra. Da altura de séculos
o edital me reclama, desde a Casa dos Contos, freguesia de Ouro Preto. Sinto que
não terei forças muito mais tempo para a fuga.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Ricardo Noblat
No segundo semestre de 2005, quando havia estourado o
escândalo do mensalão, Lula foi à TV pedir desculpas aos brasileiros. Aproveitou para dizer que fora traído. E apunhalado pelas costas. Nunca
quis dizer quem o traiu. Sempre remeteu o caso à Justiça.
O
Supremo Tribunal Federal concluiu há pouco o julgamento do mensalão - o mais
longo de sua história. Foram 53 sessões. E concluiu:
a)
Uma sofisticada organização criminosa tentou se apoderar de parte do aparelho
do Estado.
b)
Para prolongar a permanência do PT no poder, montou-se o esquema do mensalão -
o pagamento de suborno para que deputados votassem como queria o governo.
c)
Parte do dinheiro do mensalão foi subtraído dos cofres públicos.
d)
O STF apontou e condenou os mensaleiros.
Lula,
agora, sabe quem o traiu. E o apunhalou pelas costas.
De acordo?
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
Intrometida-chefe
Ronaldo
Costa Couto: "O primeiro economista da
história foi Cristóvão Colombo, que quando partiu não sabia para onde ia e
quando chegou não sabia onde estava. Tudo por conta do governo".
Era 4,5% o crescimento garantizado, que agora sabemos menos de 1% e caindo. Pibinhos, bafões e, agora, apaguinhos.
Era 4,5% o crescimento garantizado, que agora sabemos menos de 1% e caindo. Pibinhos, bafões e, agora, apaguinhos.
Não é glorioso ter uma país assim meiguinho?
O que a intrometida-chefe está fazendo? Ah, sim: arrombando
o país com um surto de ideologia farsesca. Rompe contratos, brutaliza
investidores, servidores e o contribuinte: o que falta para defenestrarmos a
abelhuda-chefe?
Lembram da gerentona? 10 anos no governo, superpoderes administrativos, e o resultado: obras zoadas, dinheiro saindo pelo (e com o) ladrão, o estado tomado de assalto.
Enquanto os vizinhos, iguais dependentes da exportação de commodities, crescem 5%, crescemos 0,5%, apesar da ensandecida renúncia fiscal, que esgarça o já cambaleante equilíbrio federativo.
Em marcha acelerada (para trás), talvez o eleitor acorde do pesadelo e apeie a quadrilha do poder.
Lembram da gerentona? 10 anos no governo, superpoderes administrativos, e o resultado: obras zoadas, dinheiro saindo pelo (e com o) ladrão, o estado tomado de assalto.
Enquanto os vizinhos, iguais dependentes da exportação de commodities, crescem 5%, crescemos 0,5%, apesar da ensandecida renúncia fiscal, que esgarça o já cambaleante equilíbrio federativo.
Em marcha acelerada (para trás), talvez o eleitor acorde do pesadelo e apeie a quadrilha do poder.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Viva a jurisprudência do Supremo
José Augusto Garcia de Sousa,
professor da FGV Direito Rio, em O Globo:
De origem italiana, a teoria do
garantismo penal preconiza o fortalecimento das garantias processuais dos réus,
coibindo-se os excessos do poder punitivo do Estado. No sistema penal
brasileiro, repleto ainda de violências e arbitrariedades — notadamente contra
os menos favorecidos —, o generoso ideário garantista encontrou solo fértil
para se propagar.
De modo desconcertante, porém, a teoria
no Brasil revelou-se útil, sobretudo a criminosos de colarinho branco e
privatizadores dos cofres públicos. Autores de ilícitos peculiarmente
intrincados, eles passaram a invocar o santo nome do garantismo para usufruir,
cada vez mais, uma jurisprudência que sublima aspectos formais do processo e
impõe cargas probatórias quase irreais à acusação.
Reforçou-se assim a índole atavicamente
elitista do processo penal aqui praticado. Um processo amigo dos poderosos e
endinheirados, além de surdo aos protestos do homem da rua contra a impunidade
dos delitos financeiros. Instrumento, em suma, de realimentação das nossas
mazelas sociais, transportando para o plano processual a desigualdade que
existe fora dos autos.
O julgamento do mensalão veio trazer,
em boa hora, o contraponto. Proclamou-se que a Constituição não garante para os
acusados de corrupção processos seis estrelas, em que só por acidente alguma
condenação corre o risco de acontecer. Em um Estado declaradamente social como
o nosso, não faz sentido, do ponto de vista constitucional, que crimes muito
perversos para a comunidade sejam premiados, logo eles, com as maiores
franquias processuais. Se a jurisprudência do Supremo realmente mudou, foi para
melhor. Com a sensibilidade que se espera de uma Suprema Corte.
É certo que um processo não cura cinco
séculos de negociatas e desprezo pelo bem comum. Sem embargo, o julgamento do
mensalão já representa ponto luminoso na História da nação. Um país mais ético
e justo, muito além de mera bandeira retórica, significa direito fundamental de
cada um de nós. Garantido pela Constituição.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Sandro Vaia
O Partido dos Trabalhadores, que chefia a coalizão que governa o
País, costuma confundir Nação, Estado, País e partido. Para eles, parece ser
tudo uma geléia só.
Por isso,
parece estar muito mais preocupado em divulgar notas gravemente ofensivas às
instituições republicanas, como o Poder Judiciário, culpado por condenar os
malfeitos de alguns de seus mais ilustres militantes, do que realmente conduzir
o país nos trilhos do crescimento sustentado com eficiência e competência.
Seria melhor
que o partido que comanda a coalizão se preocupasse com o primor de gestão que
está sob sua responsabilidade e sob o comando da senhora gerente famosa por seu
rigor e seus murros na mesa que, por enquanto, entre outras coisas, produziu:
* oito apagões
consecutivos no Norte e no Nordeste do País em menos de quatro meses;
* a
declaração de seu ministro da Justiça de que preferia se matar a cumprir pena
numa prisão brasileira, sendo que as prisões estão sob sua área de
responsabilidade e dos 312 milhões de reais que deveria investir em sua
melhora, conseguiu gastar apenas 63,5 milhões;
* o primeiro
prejuízo da Petrobrás nos últimos 13 anos e perda de valor de mercado da
empresa em mais de 50% em menos de 3 anos. A não realização de metas “irreais”
(segundo sua presidente Graça Foster), entre as quais a construção de 3
refinarias prometidas durante o governo Lula;
* crescimento
de 1,5%, o mais fraco entre os países emergentes, depois de o ministro da
Fazenda ter previsto sucessivamente crescimentos de 4,5% ,4%, 3,5% , 3% ,2,5 %
e 2%, sem acertar nenhuma das previsões;
* o anúncio
repetido da meta da construção de 6 mil creches, sendo que não há notícia que
tenham sido entregues mais de 10 em todo o País;
* a
incapacidade de gerar o superávit primário prometido de 3,1% do PIB, ou 139,8
bilhões de reais;
* a
incapacidade de atingir o centro da meta de inflação, de 4,5%, apesar das
sucessivas baixas de juros promovidas pelo Banco Central;
* a
incapacidade de gerar políticas públicas destinadas a reduzir a violência no
País e melhorar o espantoso índice de 50 mil homicídios anuais;
* a falta de
medidas destinadas a baixar o Custo Brasil e melhorar os índices de
produtividade da produção industrial brasileira;
* atraso nas
obras de transposiçao do Rio São Francisco.
Estes são alguns
indicadores de que a gestão do País não deveria se resumir apenas à produção de
manifestos recheados de bravatas políticas e vazios de conteúdo e bom senso.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
BNDES
Para que serve, de verdade, o BNDES?
"O", no blog do Alex, arrisca:
Eu diria que a existência do BNDES se deve à sua utilidade para os
governantes de plantão. O BNDES é um instrumento que os governantes do dia usam
para transferir recursos para seus plutocratas de confiança. Também é um
instrumento de chantagem contra o empresariado. Esta é a razão de sua
existência. Esta é a natureza da besta.
Tal finalidade hedionda deve ser disfarçada da população, daí
a necessidade de desculpas como custos ‘socioambientais’, política industrial
etc. Às vezes ouvimos que o papel do BNDES seria crucial para financiar o
investimento no Brasil, o que é grotescamente curioso, pois a vasta maioria dos
países de desenvolvimento similar ao Brasil consegue investir mais que o Brasil
sem depender de um banco estatal de desenvolvimento de tal dimensão.
Agora, ouvimos dos custos “socio-ambientais”. Mas por que o
BNDES seria necessário para financiar o transporte em massa? Não podem os
governos de São Paulo ou do Rio, ou concessionarias do setor privado, emitir
dívida? Não pode a União garantir tal dívida se existe algum motivo de
bem-estar social ou externaliade justificando isso?
Cínico que sou, desconfio que a raison d’être do
financiamento por um banco estatal é evitar-se a disciplina do mercado e
garantir que as obras possam ser superfaturadas. Como disse, esta é a natureza da besta.
sábado, 10 de novembro de 2012
Hobsbawn e os crimes comunistas
Cansei de
invectivar o comunismo e sua tentativa de negar o ser humano. Como disse algures,
o comunismo é uma doutrina indefensável, mesmo
em princípio. Eurípedes Alcântara faz um ótimo trabalho, ao criticar a obra
de Eric Hobsbawn, um comunista que tentou negar os crimes dos camaradas contra a humanidade. Vamos ao texto:
O marxismo é um
credo que tem profeta, textos sagrados e promete levar seus seguidores ao
paraíso. Os poucos sistemas políticos erguidos sobre essa fé desapareceram.
Sobraram umas ilhas de miséria insignificantes. Como todas as teocracias, os
governos marxistas foram ditatoriais, intolerantes, rápidos no gatilho contra
quem discordava deles — foram estados assassinos. O escritor inglês H.G. Wells,
autor de A Guerra dos Mundos, descreveu o alemão Karl Marx (1818-1883) como
"uma mente de terceira, postulador de uma tese de segunda, propagandeada
por fanáticos de primeira".
(...) o marxismo
atua no mesmo nível mental da transcendência, área distante da que processa os
pensamentos e atos racionais. Isso explicaria por que, mesmo morto e enterrado
como teoria e prática, o marxismo sobrevive como igreja — ou igrejinha, quando
instalado em círculos acadêmicos. Cardeal da seita, Hobsbawm tinha convicções
impermeáveis aos fatos e à lógica.
Karl Marx se
acreditava um observador científico da realidade cujas afirmações sobre a
superação do capitalismo pela revolução comunista não eram meras previsões.
Eram profecias. A classe operária ficaria tão numerosa e miserável que tornaria
inevitável o confronto vitorioso final com a burguesia. Algo deu errado. Em vez
de empobrecerem, os operários foram ficando mais ricos - muito mais ricos do
que seus antepassados jamais sonharam. Os países europeus, alvo de Marx,
aplacaram a radicalidade das massas com reformas e assistência social.
Mais à frente ele
anota:
(...) nas religiões
a realidade não tem valor de convencimento. Os crimes cometidos por líderes e
seu aparato de eliminação dos adversários (e dos aliados incômodos), a
derrocada moral e material da seita? São eventos insignificantes para os
convertidos. Hobsbawm fingiu que
não eram com ele a censura, as execuções sumárias da polícia política, os
gulags; silêncio sobre a operação planejada de matar de fome, por vingança,
duas dezenas de milhões de habitantes da Ucrânia, um dos mais odiosos processos
conduzidos por Stalin. Tal barbaridade seria repetida mais tarde por Mao
Tsé-tung na China e Pol Pot no Camboja, genocidas que ele também bajulou.
E conclui:
Como seria o
paraíso comunista? Marx, escritor prolixo, descreveu-o brevemente uma única
vez: "Na sociedade comunista, onde ninguém tem uma esfera exclusiva de
atividades, a sociedade regula a produção em geral e isso torna possível à pessoa
fazer uma coisa hoje e outra amanhã, caçar de manhã, pescar à tarde, criar gado
de noite, escrever críticas literárias depois do jantar, exatamente o que eu
pretendo fazer, sem nunca me tomar caçador, vaqueiro ou crítico". Não se
sabe por que no paraíso comunista a caça & pesca é vital e o gado é albino,
já que deve ser criado no escuro.
Mas será que, em
nome dessa fantasia, teria sido mesmo necessário produzir um Himalaia de
cadáveres de inocentes? Que motivos levam gente até bastante ilustrada a acreditar
nessa escatologia pueril? A fé. O fanatismo com que encampam dogmas comunistas
tais como "a moralidade é uma ilusão" ou "a ética é uma arma da
elite dominante". (Isso lembra algo e alguém no Brasil de agora?) Tantas
mortes, tanta miséria intelectual e moral para quê? Para podermos pescar, caçar
e criar gado à noite, ora!
domingo, 21 de outubro de 2012
Colégio eleitoral
Os americanos convivem, há séculos, com uma aberração chamada colégio eleitoral. Se você pensou em um método maroto de contornar a vontade popular, acertou, é isso mesmo. O voto indireto foi a maneira de conceder mais poder aos estados escravistas do sul. Como os Estados Unidos são ricos, ninguém se preocupa em condenar esse grosseiro preconceito contra o povo. Agora, eles lutam por uma coisa banal: o voto nacional para presidente. Por que haveria de ser diferente, se o cargo é nacional? Abaixo, alguma luz sobre a questão:
Zelite
João Ubaldo Ribeiro:
(...) No setor das grandes questões nacionais, o julgamento do mensalão se
aproxima do fim, grande parte do suspense inicial já se foi e agora o que se
espera é, no interessante dizer do comentarista que escutei no rádio de um
táxi, a customização das penas, ou seja, a definição das punições que receberá
cada um dos réus condenados, por sinistro desígnio da zelite. Acho difícil
haver um problema que não tenha sido causado pela ação da zelite, é um grande
achado. E talvez nele esteja, afinal, uma novidade. Não muito importante,
quiçá, mas, na falta de outra, quebra o galho. Creio que já podemos cogitar da
inclusão de "zelite" nos dicionários como mais um coletivo da lavra
popular, com a observação de que por enquanto leva o predicado ao plural, mas
no futuro talvez perca essa peculiaridade. Acredito que logo estaremos dizendo
coisas como "a zelite não vai aceitar" ou "ele pertence à zelite
paulista". Não deixa de ser uma contribuição ao vocabulário da perseguida
língua portuguesa.
Resta, porém, definir direito o que é zelite.
Resta, porém, definir direito o que é zelite.
(...) a zelite vem desempenhando um papel
comparável ao dos comunistas de antigamente. No Brasil, com a notável exceção
de Oscar Niemeyer e Zecamunista, sofremos de uma lastimável escassez de
comunistas sobre os quais fazer recair a culpa de tudo o que diabo apronta. Os
comunistas, como testemunharão os mais velhos, tinham muita serventia e até
moças de conduta avançadex, como se dizia, eram fruto da doutrinação dos
comunistas. A zelite e seu braço direito, a imprensa venal, corrupta e a
serviço de interesses tenebrosos, vêm preenchendo essa lacuna, tão aflitiva
para quem não tem nada de substancial a dizer em sua defesa, a não ser, talvez,
o inconfessável.
Mas que diabo é a zelite? Sabemos que a palavra
vem de "elite". No caso, elite política e econômica. Imagina-se que a
elite política seja composta por quem está no poder. Presidente da República é
zelite política, assim como os que exercem alguma fatia do poder. Que outro
critério haveria? Ou a elite política está diretamente no governo ou o exerce
mediante fantoches e paus-mandados, caso em que, ao denunciar a zelite, estaria
denunciando a si mesma. Qual a zelite que se opõe aos que estão no poder? A zelite
financeira está com eles, os bancos prosperando e ganhando dinheiro como nunca,
como já comentou o próprio ex-presidente Lula. A zelite empresarial também não
parece descontente, a não ser quanto a um ponto ocasional ou outro. A zelite
das empreiteiras, então, nem se fala. A zelite artístico-intelectual, além de
não ter poder concreto para nada, não costuma pensar uniformemente. Não me
ocorre nenhuma outra zelite à qual se possa atribuir a culpa dos infortúnios
enfrentados pelos réus do mensalão. Quem aprontou a trapalhada foram eles, mas
a culpa não é do despreparo e dos erros deles, é da zelite.
A palavra já cria raízes em nossa terminologia
política e, ao que tudo indica, terá vida longa, porque serve para fingir que
se está explicando alguma coisa. Foi pegado com a boca na botija ou mentindo
deslavadamente, os planos deram errado? Distribua uma nota ou faça um discurso,
mostrando como a responsável é a zelite. O pessoal ganha, chega ao poder já
pela terceira vez, está no topo da zelite governante e, no entanto, a zelite,
até mesmo através do voto, fica atrapalhando. É por essas e outras que dá
vontade de arrolhar a zelite e sua imprensa e estabelecer aqui uma verdadeira
democracia, igual à da Coreia do Norte.
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