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quinta-feira, 11 de agosto de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
Por que democracias fracassam
SÃO PAULO - "Democracy for Realists", de
Christopher Achen (Princeton) e Larry Bartels (Vanderbilt), é um livro
importante. Os autores basicamente destroem nossas mais caras ideias sobre a
democracia. E o fazem com a força de evidências.
O livro começa detonando o que os autores chamam de
teoria popular da democracia. É a noção de que o indivíduo, na hora de votar,
faz escolhas conscientes entre as várias propostas apresentadas pelos
candidatos. Para Achen e Bartels, isso é muito mais religião do que ciência.
O que os dados relativos a séculos de eleições em
vários países mostram é que o eleitor não tem estrutura cognitiva nem
disposição para agir assim. Ele não estuda em detalhe cada ponto das propostas.
Prefere dedicar-se a coisas como trabalho, família etc. e acaba escolhendo o
candidato com base em emoções ditadas por lealdades sociais. Quando há a opção
da democracia direta, frequentemente a maioria toma a decisão errada. Foi assim
que várias comunidades dos EUA rejeitaram a fluoretação da água. Mais
recentemente, os britânicos decidiram sair da UE, outro verdadeiro tiro no pé.
Teorias mais acadêmicas de justificação da democracia,
como a de que o sistema funciona porque o eleitor recompensa e pune dirigentes
de acordo com seu desempenho, não se saem muito melhor. Não é que isso nunca
ocorra. O problema é que há tanto ruído nesse processo que ele se parece mais
com um sorteio do que com um método racional de decisão. Os autores mostram,
por exemplo, como ataques de tubarões afetaram a reeleição do presidente
Woodrow Wilson em 1916.
Achen e Bartels não são, porém, golpistas. Eles defendem
a democracia, mas por razões que muitos considerariam laterais, como favorecer
a liberdade de expressão, a segurança jurídica e, principalmente, a alternância
do poder. Para eles, não devemos exigir da democracia mais do que ela é capaz
de oferecer.
terça-feira, 17 de maio de 2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Helio Schwartsman
"Minha terra tem
palmeiras,/ Onde canta o Sabiá;/ As aves, que aqui gorjeiam,/ Não gorjeiam como
lá." O Brasil é um país poético, se admitirmos a definição pessoana de que
o poeta é um fingidor. O Brasil finge tão completamente que chega a acreditar
em seus fingimentos.
Adoramos nos ver como
gente responsável e solidária, que dá prioridade ao que deve ser prioritário.
Por isso, determinamos em lei rígidas vinculações orçamentárias que assegurem
que jamais faltarão recursos para a saúde e a educação.
As boas intenções, porém,
têm o péssimo hábito de esbarrar nos ditames da realidade. É por isso que,
desde 1994, aprovamos as famosas DRUs, as desvinculações de receitas de União,
que permitem aos governantes de turno ignorar parte das vinculações, isto é, cortar
dinheiro da saúde e da educação. O truque é infantil, mas, por alguma razão, a
sensação de dever cumprido não é inteiramente eliminada.
Gostamos de nos ver como
uma democracia moderna e vibrante e, por isso, promovemos consultas públicas
que mobilizam todo o país, como se viu agora no caso da discussão sobre o
currículo nacional. Não se destaca que o MEC não tem como processar (isto é,
ler) as 10 milhões de contribuições que cidadãos levaram ao site do ministério,
o que implica as comissões farão o que lhes der na telha, sem dar muito peso à
participação popular.
Orgulhamo-nos de ser uma
nação soberana e, por isso, baixamos uma lei que garante à Petrobras, orgulho
nacional, participação em todos os campos petrolíferos do pré-sal. Não importa
tanto que a Petrobras esteja atolada em dívidas e que a regra hoje só sirva
para apertar ainda mais as finanças da empresa. Não nos curvamos ao
imperialismo ianque.
Talvez seja a hora de
fingir um pouco menos e sermos mais práticos, ainda que tenhamos de abrir mão de
parte da poesia nacional.
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