sábado, 10 de janeiro de 2009
Garcia
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Krugman
domingo, 4 de janeiro de 2009
Verissimo
Luiz Fernando Verissimo, no blog do Noblat:
Não acredito na reencarnação, mas confesso que tenho um medo: o de morrer, ser reencarnado e encontrar reencarnada uma das pessoas com quem vivo discutindo a reencarnação, dizendo que não acredito. E que não perderá a oportunidade de, todas as vezes que nos encontrarmos, gritar:
- Eu não disse?!
Não vai dar para agüentar.
Também me imagino chegando no céu e descobrindo que é tudo exatamente como o descrevem os crentes, ou pelo menos exatamente como o descrevem as anedotas. São Pedro, o portão, os anjos, tudo.
- Eu não acredito no que estou vendo! - direi.
São Pedro entenderá mal minha exclamação e dirá:
- Bacana, né?
- Não. É que eu era ateu e não acreditava em nada disso.
- E agora, acredita?
- Claro.
- Então vai para o inferno - dirá São Pedro, já levando o dedo ao botão que abre o alçapão.
- Mas, por quê? - perguntarei, espantado.
- Adesistas não.
E tem aquela do cara que chega no céu e enquanto preenche a ficha na recepção vê passar dois barbudos conversando animadamente. Começa a perguntar:
- Aqueles dois não são...
- São eles mesmos - diz São Pedro. - Marx e Freud. Na sua caminhada matinal.
- Mas, eles aqui?
- Qual é o problema?
- Era o último lugar em que eu esperava encontrar esses dois. Marx, o materialista ateu, que dizia que a religião era o ópio do povo. Freud, o homem que liquidou com a idéia da alma eterna. No céu?!
- Bom, nossos critérios de admissão são flexíveis...
Nisso Marx e Freud começam a discutir em altos brados.
- O que é isso? - pergunta o recém-chegado.
- Você não conhece o velho ditado? Dois judeus, quatro opiniões diferentes.
- Mas eles parecem que vão se engalfinhar!
- Você devia ver quando Jesus caminha com eles. Aí ninguém se entende.
Outro cara chega no céu entusiasmadíssimo. "Que maravilha!" diz, olhando em volta. A vida eterna. Paz para sempre. Tudo imutável e perfeito.
- É - diz São Pedro. - Mas você devia ver isto aqui nos bons tempos...
sábado, 3 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
domingo, 28 de dezembro de 2008
Assim falou Roubini
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Papai Noel às Avessas
Papai Noel entrou pela porta dos fundos (no Brasil as chaminés não são praticáveis), entrou cauteloso que nem marido depois da farra. Tateando na escuridão torceu o comutador e a eletricidade bateu nas coisas resignadas, coisas que continuavam coisas no mistério do Natal. Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos, achou um queijo e comeu.
Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender. Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças (no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada) e avançou pelo corredor branco de luar. Aquele quarto é o das crianças Papai entrou compenetrado.
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos soldados mulheres elefantes navios e um presidente de república de celulóide.
Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo no interminável lenço vermelho de alcobaça. Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto.
Os pequenos continuavam dormindo. Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo. Papai Noel voltou de manso para a cozinha, apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.
Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.
Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental".








