sábado, 18 de junho de 2011

Arrombando a República

Fica assim: atrasamos as obras em alguns anos, o bastante para comprometer por completo o cronograma. Depois, saímos por aí em pânico ante o descalabro, completamente imprevisto e imprevisível. Que fazer? Decretar uma lei liberando o arrombamento geral da República. Coroada por dispositivos que proíbem a divulgação das cifras, e a fiscalização pelos órgãos de controle. O Estadão retratou a coisa toda: 

E, na undécima hora, baixou as persianas por completo. Os órgãos de controle não só perderam a prerrogativa de se manter informados em qualquer etapa da obra - o governo é que decidirá o que lhes repassar e quando -, como ainda ficarão proibidos de tornar pública a documentação obtida. Atribui-se à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o argumento de que a Constituição admite o sigilo quando do interesse do Estado e da sociedade. É tratar os brasileiros como um ajuntamento de pascácios. O único interesse que essa obscenidade preservará será o da corrupção. O sigilo impedirá um Tribunal de Contas de instruir um processo em casos suspeitos.

A votação da MP não está concluída. A Câmara ficou de deliberar no próximo dia 28 sobre os destaques acrescidos ao texto. Quem sabe será possível então torná-lo um pouco menos acintoso.


Eu tenho esperanças, contudo. O PGR Gurgel parece ter entendido do que se trata.  

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