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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Aventuras

Saí de Budapeste, aeroporto bacana. Mas o avião atrasou duas horas. Como resultado, perdi a conexão em Frankfurt, por alguns minutos. De volta a Munique, na expectativa de pegar outro vôo, nada feito. Foi assim: Ao chegar a Frankfurt, peguei uma fila para trocar de bilhete. Depois outra e, finalmente, consegui os bilhetes, após a atendente me passar na frente dos demais passageiros. Daí, era só passar na imigração, e ir para a ala A. "É moleza. Deve ser a primeira", pensei. Era a segunda. "Bom, pelo menos é o A1, deve ficar perto". O leitor já esteve no aeroporto de Frankfurt? Pois bem. Da imigração subi e desci escadas, esgueirei-me por corredores infindáveis e cheguei à ala B. Portão 60. Depois, 59, 58, 57 e assim até o infinito. Após uns vinte quilômetros de ala B, caí na A. agora sim, moleza. Quase: A 60, 59, 58 e assim até o fim da era cristã. Vinte quilômetros depois, carregando uma bolsa pesando 10 quilos, A1. Exausto, suando em bicas, perguntei para a atendente, após uns dez minutos de espera na fila, onde era meu portão, já que meu vôo não estava no A1. “Sorry... changes to A15”. Então tá. Resultado: peguei o avião, que também atrasou, perdi outra conexão em Munique, fui pro hotel e agora estou no aeroporto, esperando voltar para Frankfurt e depois, se tiver sorte, ir para Hong Kong. Nisso meu hotel já mandou bala no meu cartão de crédito (no show) e duvido que a Lufthansa vá me reembolsar.
Descobri, chocado, que o Brasil nao tem a primazia em coisíssima nenhuma.
Nem em palhaçada em aeroportos...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Munique

O tíquete profetizava chegada às 10h04min. Chegamos às 10h02min. Tamanha impontualidade não é bem-vinda. Ao desembarcar, lembrei que não tinha anotado nome e endereço do hotel. Após alguma hesitação, achei uma lan house. Tendo gasto metade do orçamento do dia (50 centavos de Euro), localizei o hotel. Ficava a uns 17 passos de onde eu estava. Após o ritual da mala, saí para caminhar. Cidade lotada, repleta de acenos, apesar da chuva gélida e do vento. Almocei numa das mais antigas cervejarias da cidade e consultei a memória. Na década de 1920, certo líder de arruaceiros entrou numa dessas cervejarias (não sei qual) onde estavam o governador da Baviera e anunciou, arma em punho, que, a partir daquele instante, todo o poder na Federacao Alemã lhe pertencia. Apesar do ligeiro equívoco quanto à cidade e às pessoas a coagir, o governador, e outros líderes, assentiram com tão decidida tomada de poder e combinaram o que fariam a seguir. Os freqüentadores da cervejaria, menos afeitos ao jogo do poder, limitaram-se a deplorar aquela chateação. Esse espetáculo ficou conhecido como "golpe da escada de serviço" ou "golpe da cervejaria", obra do sarcasmo dos frequentadores do lugar. O arruaceiro se chamava Adolf Hitler. Anos depois ele empreendeu outro "golpe de mão", dessa vez com mais partidários. O episódio rendeu pouco mais de uma dezena de mortos, inclusive alguns policiais. Hitler cumpriu menos de dois anos de cadeia por essa bravata, e quase foi deportado para seu pais de origem (a Áustria).