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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Cabelo


Sobre viagens, um relato (não sei com que grau de verossimilhança):


40º dia de viagem. O cabelo, pela nuca. Fernando, meu estilista, atende no Paraguai, não na Nova Zelândia. Após jogar-me de um avião, caindo por 2 minutos, e de um passeio a 100 km/h em lancha a jato, num furioso rio povoado por pedras inamistosas, uma cabeleireira cheinha me aguardava.


Ela começou com uma máquina sub-zero, que aplicava com grande convicção. Depois a trocou por outra, para um corte ainda mais impiedoso (senti que ela acreditava naquele corte, para o qual se preparara a vida inteira). Alguns movimentos enérgicos com uma tesoura e, sim, tudo estava consumado.


Sabem, a tolerância do meu cabelo para com erros é exatamente zero.


"Well, tenho dois bonés. Tranquilo, no más", reconfortei-me. Por insegurança, ou costume, comprei mais um.


"Que marmota é essa?" exclamou uma das moças da inspeção sanitária em Honolulu, dias depois, ao me comparar à fotografia do passaporte. "Acaso  vieste zombar do povo havaiano?".


"Deveras divertido esse seu corte, em rodelas", retalhou a outra.

Sem ligar para o elogio, agendei com o Fernando: "Aparentemente fracassou esse seu corte neo-zelandês, será que não, Nhonho?


Tudo isso me lembra o método de um renomado estilista.


Nunca o vi cortar o cabelo de suas clientes - modelos famosas - mas, pelos resultados, fica claro que a operação toda não requer mais que um lança-chamas e um (opcional) extintor de incêndio. Ao estilo "que me carregue o diabo".


Arnaldo Antunes é outro que vive às turras com seu cabeleireiro. O que ele tem contra costeletas?


Bem, chega de experiências estilísticas.

Nova Zelândia

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Luz azul

Alguns dias medem séculos, por poderosos. A luz nos alcança e enfeitiça a vida. A verdade de algumas tardes pode vidas. Então queremos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

sábado, 11 de outubro de 2008

Queenstown

O pequeno monomotor decolou sem cerimônia de uma pista de grama. No ascenso, curvas fechadas entremostrando as Remarkables e o Wakatipo, amplas belezas.
A 12.000 pés uma luz vermelha é ligada e alguém destrambelha a porta. O câmera se empoleira num estribo e a primeira dupla se joga. Quando penso que vou sentir medo ou, quem sabe, desistir, sou jogado mundo abaixo. Instrutor a reboque.
Primeira sensação, a vertigem da queda livre, a mais de 200 km/h, enquanto vemos alternadamente o avião indo embora, as montanhas, o lago, a outra dupla, enfurecendo o vento. O sol cegou meus olhos e vi o amor de eras, Deus, um parente que já morreu.
Finda a saudação inicial dos céus, em cambalhotas, a velocidade só aumenta, o vento se adensa, as montanhas e o lago te convidam, mas há receio. Pra onde se olhe, são belezas, rápidas demais para uma contemplação. Fixa-se a imagem de coisas em ângulos e velocidades impensáveis e isso é o melhor que podes fazer.
Quando já se está aclimatando a essa dinâmica, um puxão pelas pernas e tronco informa o trabalho da vela. Falta de ar e excesso de adrenalina na corrente sanguínea são o cenário interno na aproximação do pouso. Que ocorre suavemente, na grama macia, pondo fim a tanta queda, descabida.
Delírio, insensatez, mortes controladas, brilho de vida. São 9 horas. Nada mau, para um começo de dia.
Queenstown é cidade de muitos argumentos, e recordações perenes.
Qtown, 16 de janeiro de 2008.

White Island

White Island