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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Paul Krugman

O prêmio Nobel Krugman passa, com a ironia que lhe é peculiar, em revista os últimos dez anos, no Estadão de hoje. Citarei um discurso feito em 1999 por Lawrence Summers, então vice-secretário do Tesouro (e hoje principal economista do governo Barack Obama): "Se me perguntarem o motivo por trás do sucesso do sistema financeiro americano", disse ele, "minha leitura seria que não existe inovação mais importante do que os princípios contábeis amplamente aceitos: eles significam que todos os investidores recebem informações apresentadas numa base comparável; que há disciplina entre os administradores das empresas em relação à maneira com que relatam e monitoram suas atividades". E ele foi além, declarando existir "um processo contínuo que é afinal responsável pelo funcionamento do nosso mercado de capitais e pela estabilidade desse funcionamento". Eis, portanto, a crença sustentada em 1999 por Summers - e, para ser franco, também por praticamente todos os demais envolvidos no governo: os EUA contam com uma contabilidade corporativa honesta; isto permite que os investidores tomem decisões sábias, e também obriga os administradores a se comportarem de maneira responsável; o resultado disso é um sistema financeiro estável e plenamente funcional. Quanto, de tudo isto, se mostrou verdadeiro? Zero. Entretanto, o mais impressionante em relação à década passada foi a nossa indisposição, enquanto país, em aprender com nossos próprios erros. Mesmo enquanto a bolha das empresas pontocom murchava, banqueiros e investidores crédulos começaram a inflar uma nova bolha imobiliária. Mesmo depois que empresas famosas e admiradas como Enron e WorldCom revelaram-se farsas de fachada construídas sobre a criatividade contábil, analistas e investidores acreditaram nas afirmações dos bancos sobre sua própria solidez financeira e caíram na empolgação criada em torno de investimentos que não eram capazes de compreender. Mesmo depois de terem detonado um colapso econômico mundial, e precisarem recorrer a um resgate pago pelo contribuinte, os banqueiros rapidamente retomaram sua cultura de bonificações gigantescas e alavancagem excessiva. Temos também os políticos. Mesmo agora, é difícil extrair dos democratas, incluindo Obama, uma crítica sem meias palavras contra as práticas que nos levaram à situação atual. E, quanto aos republicanos: agora que suas medidas de corte de impostos e redução da regulamentação nos levaram a um desastre econômico, sua receita para a recuperação consiste em: cortes de impostos e redução da regulamentação. Assim, vamos nos despedir sem saudades do Grande Zero - a década em que nada realizamos e nada aprendemos. Será a próxima década melhor? Permaneçam sintonizados. Ah, e feliz Ano Novo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Notícias

As notícias estão tão loucas que ultimamente ando consultando os sites dos maiores jornais do mundo para conferi-las e evitar que me preguem uma peça. As de hoje: as bolsas sobem desvairadamente, a Europa começou a estatizar seus bancos e meu guru financeiro ganhou o Nobel de Economia. Anotou a Folha de hoje: Paul Krugman, 55 anos, elaborou uma teoria que integra pesquisas sobre intercâmbios comerciais e globalização com estudos sobre os processos de urbanização em escala planetária, destacou a Real Academia de Ciências da Suécia. Nascido em 28 de fevereiro de 1953 em Long Island, no estado de Nova York, Krugman dá aulas atualmente na Universidade de Princeton e desde 2000 colabora com o New York Times. Ele é conhecido por suas críticas virulentas contra a política geral e, em particular, a condução econômica do presidente George W. Bush.
Por inacreditável, não consigo pensar o mundo sem antes ler a coluna do Krugman.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Turbulência

Bush acaba de fazer na economia o que tinha feito em geopolítica ao coordenar o ataque às torres gêmeas, via omissão.
Na ocasião do ataque ao WTC, a CIA, os serviços secretos de Israel, Alemanha e até a ABIN sabia do ataque, quando, onde e que andar de cada prédio seria atingido (tudo bem, exagerei: é improvável que a ABIN saiba de algo a não ser fofoca do gabinete do Gilmar Mendes).
Menos Bush, a acreditarmos em iaras e sacis. De uma popularidade de última semana de governo para a quase unanimidade da nação. E não precisou pagar nada. O seguro das torres cobriu... Como é fácil a vida dos genocidas!
Agora, a mesma esperteza. Paul Krugman entregou o cara, mais uma vez, em artigo de hoje, na Folha de São Paulo. Josias complementa, com a percuciência de sempre:
Sim, porque os especuladores que aqui gorjeiam são os mesmos que gorjeiam lá. A platéia, aturdida, olha para o mercado de ações como quem observa um bebê. A Ásia dormiu bem? A Rússia soluçou? Nova York teve febre? A Bovespa fez cocô mole ou duro?