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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mergulho em Rangiroa

Fui o último a saltar do barco. Emergi numa esteira fluida que me embalava do mar aberto à laguna. O envelope de voo incluía abismos pacificados e entidades marinhas. Era simples: bastava conduzir o olhar, varrendo o pass, sem nenhum esforço.

O grupo seguia à frente, e alguns arriscavam mergulhos. O guia foi em busca de um peixe e, no regresso, voou como um astronauta abaixo de nós, num momento surfista prateadoNo fim, o barco acolhe os turistas, impedindo que se extraviem laguna adentro, como muitos desejavam.

Após, almoçamos peixes frescos. Os tubarões, não. Caímos na água, para trocar impressões com eles. A certa altura, tendo todos os turistas recuado a bordo, eu fiquei, para mais fotos. Num dado momento, convulsão na água: dezenas de torpedos partiram contra mim, e só desviaram no último milímetro. Eram tubarões famintos, convocados pelo barco às minhas costas, para o almoço. Tão rápido que a câmera só pode lamentar a bateria fraca.   

Manihi
Na manhã, pescaria. Os tubarões morderam minha isca (na verdade, eles a comeram). Duas vezes. Um deles foi convocado a bordo, para se explicar. Minhas iscas continuaram a sumir, vez ou outra, e nenhum peixe, entre tantos meros e garoupas pintadas, se apresentou.

Depois o almoço. Os nativos grelharam o produto da pescaria, mais frango e o polvo colhido nos recifes. Junto com vinhos, cervejas e água, foi o mais delicioso lanche nos motus do Tahiti.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Manihi


Na manhã, pescaria. Os tubarões morderam minha isca (na verdade, eles a comeram). Duas vezes. Um deles foi chamado a bordo, para se explicar. 

Minhas iscas continuaram a sumir, vez ou outra, e nenhum peixe, dentre tantos meros e garoupas pintadas, se apresentou.

Depois o almoço. Os nativos grelharam o produto da pescaria (sabem, algumas pessoas que não eu pescaram naquela manhã), mais frango e o polvo colhido nos recifes. Junto com vinhos, cervejas e água, foi o mais delicioso lanche nos motus do Tahiti.

Snorkelling em Rangiroa

Fui o último a saltar do barco. Emergi numa esteira fluida que me embalava do mar aberto à laguna, num vôo sobre abismos pacificados. Era simples: bastava conduzir o olhar, varrendo a passagem, sem nenhum esforço.

O grupo seguia à frente, e alguns arriscavam mergulhos. O guia foi em busca de algum peixe e, no regresso, voou como um astronauta abaixo, num momento de surfista prateado.


No fim, o barco acolhe os turistas, impedindo que se extraviem laguna adentro, como muitos desejavam.





Após, almoçamos peixes frescos. Os tubarões, não. Caímos na água, para trocar impressões com eles. A certa altura, tendo todos os turistas recuado a bordo, eu fiquei, para mais fotos. Num dado momento, convulsão na água: dezenas de torpedos se lançaram contra mim, e só desviaram no último milímetro, para meu desespero. Eram tubarões famintos, convocados pelo barco às minhas costas, para o almoço. Tão rápido que a câmera só pode lamentar a bateria fraca. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

É isso aí

Concluo a melhor viagem de férias da vida.

Vou publicar algumas fotos, em vez de tentar, inutilmente, descrever as virtudes do lugar.

Em Cook Island visitei Rarotonga e Aitutaki. São ilhas bem diferentes, de sabores diversos. Aitutaki é ilha baixa (um atol), com uma vida marinha exuberante. Raro é a capital do arquipélago, um lugar cativante.

Depois vieram os delírios do Tahiti. R.L. Stevenson anotou, a respeito:

"Poucos entre os que chegam às ilhas vão embora; tornam-se grisalhos no mesmo lugar em que desembarcaram; as sombras das palmeiras e os ventos alísios refrescam-nos até que morram, talvez acalentando até o fim a fantasia de uma visita ao lar, raramente realizada, raramente apreciada e, ainda mais raramente, repetida."

À época, algumas ilhas do Pacífico ainda tinham canibais, ou pelo menos testemunhas dessas práticas (Marquesas e Samoa, principalmente). Os nativos viviam essencialmente da venda do coco e seus derivados. Eram muito pobres.

Hoje o Tahiti e demais arquipélagos do Pacífico estão aparelhados para receber turistas sedentos de paraíso. E os nativos não poderiam ser melhores anfitriões. De uma humildade tocante, fazem amizade em minutos; são mestres em nos conduzir pelas lagunas, praias, recifes e montanhas. 

Lembro de minha chegada a Fakarava, um atol remotíssimo, do qual nunca ouvira falar. O piloto havia pescado um enorme peixe, e o boato era que, na cozinha, uma conspiração ganhava foros, incentivada pelo dono da pousada. 

Quando, às sete, a concha foi soprada, convocando para o jantar, o não ter almoçado me foi de grande valia. À guisa de entrada, uma sopa de mexilhões - absolutamente divina - me atordoou. Depois aconteceu algo ainda melhor: o peixe tocou as papilas, comunicando oceanos amanteigados, visitados por sabores inacreditáveis, de outro mundo, como se todas as fomes  tivessem sido revogadas para sempre. É difícil entender o que se passou; recuperar-se de um mergulho desses nas profundezas da gula e da satisfação. 

No jantar seguinte tomei assento à mesa com todos os hóspedes da pousada: Patrícia e Patrice, num jantar também memorável. Parece que o cozinheiro é marquesano, apurou o casal franco-colombiano.    

Resta em Fakarava o melhor snorkelling do mundo. Funciona assim:  ainda no pequeno porto, meia dúzia de gigantes napoleões te saúdam (com aquele olhar perplexo) e recomendam o mar. Se você acreditar neles - é claro que você vai acreditar - começam os delírios, logo que se adentra o pass    

Trata-se de um jardim de corais de mil cores, e os peixes vêm ver o que há. São barracudas, baiacus, meros, garoupas e uma miríade de pequenos peixes coloridos. 
Harmônico à maré, você deve vencer a correnteza e nadar para fora da laguna, confiando que, depois, o mar vai te restituir: o cristal líquido fará você voar de volta à laguna, passando em revista os peixes que transitam do oceano para a laguna, ou vice-versa. 

Os tubarões estão por lá, fazendo a ronda, fiscalizando o passeio dos peixes, cuidando que só os saudáveis concluam a viagem.  


Nada supera a experiência nessa embocadura do tempo, quando a laguna comunica suas necessidades com o mar, num comércio repleto de beleza.


Outros sonhos têm cabimento nas águas azul cobalto do Tahiti, e vôos alucinados em seus passes.  


Perto de concluir a aventura começa o mal-estar, a frustração. Permiti-me apenas 40 dias nesse sistema de sonhos, quando todo mundo sabe que é necessário uma vida inteira.  

PS: 
Alguns questionaram, na volta, por que tanto tempo, e tantas ilhas; se não estaria configurada a vadiagem, agora retirada do Código Penal, mas ainda repudiada pelas pessoas de bem. Respondo que os nobres deputados e senadores têm mais de 45 dias de férias e, bem, talvez eu não seja tão nobre quanto um senador da República, mas nunca me senti menos nobre que um deputado, ah, não senhor! Se bem que, ultimamente, os amigos têm notado certa inquietação, um açodamento mesmo, que me impele para coisas tolas, como viagens intermináveis. E o diagnóstico, como vocês podem adivinhar, é déficit de nobreza...       


Quanto ao excesso de ilhas, pode ser que a crítica seja justa, mas lembro que o Pacífico ocupa quase metade da superfície da Terra. Vocês não queriam que eu fosse a um lugar desses para conhecer um ou outro pontinho, queriam? Aposto que queriam.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

As Montanhas de Papeete

De uma altura desesperada pende toda uma floresta exuberante. Árvores respeitáveis disputam com a rocha a propriedade do maciço; imprimem verdor e alegria à pele da montanha.

Do jipe vejo uma cascata de floresta: um quilômetro de altura e toda a glória. Nunca senti tanta vertigem no contemplar uma floresta (nos atóis a maior montanha que escalei não passava de meio metro...).

Cook Island.
Logo ao chegar pedi licença para conduzir motos. Eles concederam. No Brasil, a simples menção de um pedido desses teria resultado num alerta a todos os postos rodoviários, e na minha internação preventiva.

Aqui, toda uma equipe de peritos atestou, à vista do orçamento do dia (dois dólares neozelandeses): 

"Sim, ele pode", e eu pude, abusadamente. 

Saí aéreo pela ilha, dando rasantes e expendendo sorrisos, a me perguntar: "estou na contramão?" "Sim!" Ah, então está tudo bem...   
  

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Maupiti

This is it, this is the one.

É o que se diz, quando se chega a Bora. Foi o que eu disse, quando desembarquei em Moorea (Bora é o proximo destino).

Hoje, em Maupiti, um encontro. Fui deixado em um motu deserto. Da praia alguns cachorros me saudaram, sem entusiasmo. Comecei a mergulhar, e logo senti a forte corrente puxando para o oceano, para a passagem que serve de "rodoviária" entre a laguna e o mar aberto.

De repente, um tubarão limão. Não era grande, mas era um tubarão. Não gostei do jeito pouco respeitoso como ele me encarou. Estou acostumado a ser respeitado e temido onde chego e, bem, isso não estava acontecendo. "Esse cara não me conhece. Nem de tubarão estou gostando, ultimamente", pensei.

Uma voltinha, nova encarada.

Sabem, eu já tinha encontrado alguns desses caras em Moorea, e estava acostumado a ser acatado.

"É um adolescente. Terei de ensinar bons modos a esse rapaz". E, com efeito, parti para cima do bicho, numa investida arriscada, que ele antecipara.  Munido de um galho adrede recolhido nos recifes rasos, golpeei a pobre criatura no focinho, pondo fim à atitude insubmissa. Esse cara achou que podia me desacatar, mas eu mostrei que ele estava errado!

P.S.
Aos leitores que se sentiram pouco à vontade com o relato acima, tendo enxergado certas dificuldades no correto manejo de animais marinhos, ofereço a narrativa abaixo, sem prometer que seja mais verdadeira (cabe uma escolha):

Eu estava saindo de um recife, indo para uma faixa de areia rasa, quando vi uma raia (stingray). Era grande, e éramos só eu e ela em toda a extensão do motu. Uma coisa é alimentá-las no lagunário de Moorea. Outra é encontrar uma sozinho, sem peixe para oferecer.

Olhei as rotas de fuga, conferi os clipes das minhas nadadeiras e saí em disparada rumo á praia, sob o olhar desaprovador dos cachorros. Nisso, a raia tinha dado meia volta e continuava sua patrulha pelas águas rasas.

Moorea

Tipo assim, totalmente sem noção! Fala sério, gente. Se isso aqui não é o paraíso, é pelo menos sua mais convincente imitação.

Montanhas, com florestas até o topo, descem ao mar, que principia por praias de areia alvissima e segue por águas turquesa.

Mergulhei com raias e tubarões, ontem. As raias são brincalhonas, fazem carinho. Uma delas provou minha câmera, mas o sabor não lhe agradou (talvez não seja sua marca predileta).

Os tubarões são ariscos, ficam por perto, dão umas encaradas e vão embora (certifique-se de que eles realmente estejam indo embora, leitor.)

Conquanto Moorea tenha o melhor spa do mundo, os restaurantes daqui vão fazer você sair da linha, com certeza. E Hauru Point, onde concentrei meus negócios, é o centro da gastronomia de Moorea...

Peguei uma Scooter (ainda com a licenca de Cook Island) e fui dar umas voltas por aí. No caminho achei um mercado que vende queijos e vinhos franceses fascinantes. Com uma baguete crocante, os queijos foram sorvidos suntuosamente.

Praias paradisíacas, com queijos e vinhos franceses: esses polinésios não são nada bobos...


Moorea, dezembro de 2010.