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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Recreação de Deuses

O mar emite montanhas
gráceis, gentis, necessárias.

Gigantes se
freqüentam
recreiam.

Em nós, a alta nota da alegria,
a acrobática nota da felicidade.

A emissão de montanhas pelo mar
inaugura sorrisos, pronto enriquece.

O baile aéreo de cetáceos
descreve poemas heróicos,
compreensões acontecentes.

A emissão de montanhas pelo ar
comove, pronto desrealiza.

Sobem aos céus montanhas.
Navegamos febris, incréus.
Baleias abotoam mar e céu,
conciliam esses dois azuis,
cosem nossos corações, abalados.  

Serão as fundações do mundo robustas
para suportar um tal transporte,
tamanhamente aparelhado?

O tráfego aéreo de baleias,
escândalo mais propício, compreende
lançamento, sorriso e splash.

Canoras baleias juram os céus
sonoras sereias alçam aos céus.
Fluidas, oscilam de um a outro azul.
O colorido do canto sobre abismos,
que calam sob o indizível.

Não indagamos da necessidade desse
aditamento. Só vivenciamos o lucro.

Salta depressa negro granito.
Urgente, com sua antigravidade,
absolve-nos das interdições da vida.

O que querem, a quem pertencem
esses titãs, ora denunciados?
Às nuvens, à música, ao mar?
Esse pertencimento, glorificado, transcende
a compreensão íntima, que apenas ensaiamos.

Os emissários do mar
com poderes ganham os céus
num acreditamento de sonhos
para a nossa comunhão definitiva.

O aparelhamento do mar, do ar
induz altas notas de alegria
banhos de felicidade.

Consumado em sonhos,
bradei às baleias cantantes,
e foi como se um rochedo
sentenciasse himalaias.
Ainda não terminei de acreditar
no que elas me disseram.
  
                                               6.10.11.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Deixando San Diego

Com uma visita a um parque aquático concluo San Diego.
Tinha baleias assassinas e golfinhos adestrados, flamingos, ursos polares e muitos outros animais.
Nao tenho ilusões de ver baleias em seu habitat, e a visão de uma baleia, seja onde for, impressiona fortemente.
Massivos, esses animais desafiam o nosso senso comum com acrobacias impensáveis, absurdas. É como se, de repente, uma montanha se elevasse do mar, alvinegra.
Os golfinhos são mesmo impagáveis. A certa altura, convidado para saltar uma corda, um trapaceiro primeiro baixou a corda, depois pulou, elegantemente. A domadora perguntou se o público havia gostado dessa esperteza. O público repudiou em uníssono. Os golfinhos, em coro, disseram que sim. Então a tratadora perguntou a distinto público se gostaria de vê-los pular mais alto. O público foi unânime no sim. Os golfinhos no não.
Maravilhosos.
Depois, visita ao centro velho da cidade, de arquitetura inspirada nas missiones espanholas.
San Diego é ótima para relaxar. Feliz cidade.
E tem a gastronomia, que não se pode olvidar. Uma cantina italiana me serviu massas duas noites seguidas. Pratos gigantescos, vastos (e gostosos).
Chego pela manhã a San Francisco, última escala antes da volta.