terça-feira, 28 de maio de 2013

Rodes

Após um mês peripatético pela Europa, massagem com peixinhos, fechando a Grécia.

Eles esfoliam e limpam, no que me pareceu um carinho.

Eu vinha de uns trinta dias sem lavar os pés, num massacre diário. Sabe, numa viagem você precisa eleger prioridades. Os pés não estavam no topo da lista. Vou lavando outras partes, de sorte que os peixinhos tiveram material para se fartar, conquanto alguns tenham ido a nocaute.

O sapo não lava o pé
Não lava porque não quer...

Nunca entendi essa calunia. As salamandras, por exemplo, muito mais malandras, não sofrem semelhante dissabor.

Eu comera um atum selado no azeite, e salada de lulas marinadas, também ao azeite.

Os peixinhos doutores (não sei quanto dos meus pés eles comeram) fazem flutuar no neon, e sentimos que deveriam continuar.

Saímos mais leves. Os pés, agradecidos, pisam suave o calçamento da velha Rodes. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Creta

O Lonely diz que essa ilha, onde floresceu a civilização minóica, é a culminação da Grécia. Percebi Creta como a Grécia profunda.

Fui a Samaria, maior cânion da Europa. Eles te conduzem pelas montanhas até uma garganta impronunciável e te soltam na banguela.

Dezoito quilômetros depois você é pescado na portaria, quase chegando ao mar.

Destino mágico. Paredes inesgotáveis, rios que somem sob a montanha e reaparecem, mais necessários e raros. Caminhei por um leito árido, no vértice de um abismo em flor.

Depois as águas me encontraram e foi como se não tivessem sangrado o coração da terra.

Passeio de muitas horas, terminando no mar líbio. De volta a Heraklion, o hippocambos me aguardava, para os frutos do mar que derretem na boca.

Pedi a conta. Veio a sobremesa, não solicitada, mas muito apreciada: petit gateau com cachaça grega. Arrasador. Esse povo sabe mesmo como agradar. 

Creta induz êxtases e contemplações.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Opa

Come-se bem no mediterrâneo, já sabemos, mas na Grécia, e especialmente aqui em Creta, a coisa chega perto da orgia gastronômica.

Ontem pedi um menu fixo, arapuca pra turista. Veio uma sinfonia de delícias, começando por salada grega, pãezinhos quentes com iogurte e terminando num peixe que, de tenro, não pode ser descrito.

Não acreditei: depois do peixe, eu pagaria uns 200. Deu 12. incluído o vinho cretense.

Hoje, no almoço, lulas e polvos no carvão, à perfeição, acompanhados de pimenta verde grelhada, no azeite. Aprendi essa marra de pimenta verde grelhada aqui na Grécia. Uma cerveja grega conformou o conjunto, mavioso.

Quando, horas depois, apareci pra jantar, o garçom não me deixou terminar o pedido. Fui de salada grega com fetta e mexilhões no bafo. Sim, o garçom tinha razão. Era impossível ir mais longe.

O Porto de Heraklion foi cenário generoso.

Opa!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Οια

Entre Φιρα e Οια exercemos a flauta no fio de um penhasco de posses.

O Εγεu argumentava de ambos os lados, um drama.

Delícia essa Grécia que há.

Recebi hoje uma carta. atravessou eras:

"Seu idiota!

O que você fez, dessa vez? Não faço idéia, já que escrevo com dez anos de antecedência. Seja o que for, não tem perdão, esta ouvindo?

Não tem perdão!"

As cartas que me escrevo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Comidinhas

A Grécia delicia. O iogurte é um queijo cremoso, e está em toda parte. Almocei algumas vezes iogurte com nozes, ou frutas vermelhas. Maravilhoso.

Fetta é outro queijo marcante. Assado, com tomates, ou fresco, com azeite, é uma grande entrada a essa cozinha única. Mas o que delicia mesmo são lulas e polvos na brasa. E as costelinhas de carneiro, mexilhões e tudo o mais que o mediterrâneo provê, e que os gregos colhem há mais de 3000 anos, languidamente.

A cozinha mediterrânea são os ingredientes. E preparos sacerdotais.

Em Atenas provei tira-gostos de outro mundo: pimentas verdes curadas, com azeitonas, berinjelas e outras querências gregas. Nunca vi nada igual, na simplicidade e no sabor. Uma tora de pão grego, e fui me abastecendo.

A cozinha mediterrânea, que venho acompanhando com entusiasmo renovado a cada cidade, desde Palermo, passando por Taormina e Nápoles, mostra um aroma e matriz de sabores desconcertantes, herança imprevista da vasta cultura greco-romana, que me assombra.

E eu nem falei dos doces.

Μικονοσ

Ilha apaixonante. Faz jus à fama. Você se encanta de cara com os labirintos brancos e azuis, a luz primal, quase demasiada, a presença do mar.

Delos é pisar terreno sagrado. Subi ao monte, após errar por sua desolação de mármore. É como Pompéia, na fuga pânica dos séculos. 

As praias de Míconos nem valem a visita. Farofa e água fria. 

Saio agora para Santorini, esse penhasco povoado. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Hidra

Hoje visitei três ilhas: Hidra,  Ποροσ e Αεγινα, com um templo soberbo - Φαια.

Na volta interessou-me um buzuki. Já pensou eu de buzuki? Bem, nenhum vôo de respeito aceitaria uma configuração dessas, e acabei com um baglamas, para acompanhar umas músicas rebéticas.

Agora se faz tarde. Amanhã saio de Piraeus rumo a Míconos. Aí é que começa mesmo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Acrópole

Ela me esperou 2500 anos
e, tal qual Roma,
adivinhem...

As cariátides segredaram:
sou uma discreta reunião
de insuficiências várias. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Roma

2300 anos de história me olham
e não gostam nada do que vêem.

Roma e um mar de travertino
Museu interminável. 

domingo, 12 de maio de 2013

Positano

Sabem o que e magnético? Vou lhes dizer:

Dormir e acordar às expensas do mar azul Positano. Assistir ao balé de barcos em champanhas, com limões e laranjas da Sicília glaceados.

Isso é magnético. O resto é apenas um grande mal-entendido.

Positano: daqui não saio, daqui não me tiram!

Lá vem o sol de novo, visitando a encosta, no inventário de iates.

sábado, 11 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Amalfi

Penhascos escandalosos, cada qual mais fela da puta. subi ao terraço para ver o azul.

Eu deparara com uma laranja gigante, em Ravello. "Será laranja ou limão?".

Comprei, na ânsia do cítrico.

Já sabem: passei a tarde degustando o limão, e chorando de azedo.

Isso de limão, Goethe já sabia.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Napoli

Seguinte:

pizza margherita.

Você não acredita. Molho de tomate, mussarela e duas folhinhas de manjericão. Só. Mas você não vai querer outra coisa.

Das cinco vezes que estive na cantina Di Matteo, só uma vez não pedi margherita. Acabo de voltar de lá. Eu tinha sucumbido a um nhoque numa cantina, então seria desonesto uma pizza. Mas ao prosseguir na Tribunali não resisti. Orgia de comida napolitana.

Aposto que o leitor não adivinha o que pedi. Naquele templo napolitano eles preparam a margherita absoluta.

Só não volto lá porque sou muito vergonhoso, e porque saio amanhã cedo para Amalfi.

Vai ser bom, ora se vai.

Pompeii

A cidade reagrupada pela onda de fogo. As pessoas, congeladas, ingressam na história. Impressiona a grandiosidade da cidade sinistrada, mas também a área construída, as formas do cotidiano romano do primeiro século.

A visita a Pompéia é um exercício tridimensional exaustivo. No museu de Nápoles nos sentimos dentro das casas e das vidas daquelas pessoas. Não poderia ser melhor.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Taormina

Deixei Palermo a contragosto. Por mim, ficava mais. Não fui a Cefalu, Segesta e nem mesmo a Selinunte! Que chosa!

Assim não da.

vim me recolher aos pés do Etna. Ele esta bravo, a julgar pelas pedras que tacou em minha sacada.

Ontem, fui ao Stromboli. Gigante matreiro, sempre aprontando. E só você baixar a câmera e ele vomita iras incandescentes, que rolam pela encosta noite adentro, num drama rubro. Depois, da uma fumada e acalma.

Sicília não pode ser abordada em uma semana, como pensei. só as eólias levam esse tempo. Para subir ao vulcão, e arder na lava, você precisa posar na ilha, ir acostumando o vulcão a sua presença. Se não ele estranha.

Algum dia volto, mais prevenido. Por ora, tenho um trem para Napolis, onde chego pela manha.

Novas aventuras, e um vulcão novinho em folha (Vesuvio). Parece que andou assustando umas pessoas, desavisadas.

Agora, jantar siciliano: peixe e pasta, mais pizza. E panini. Bem, o que tiver.