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domingo, 18 de fevereiro de 2007

Arena em Arles

Woody Allen apresenta-nos a um Vincent Van Gogh transformado em dentista, que escreve uma carta ao irmão, Theo. A peça se chama Se os Impressionistas Tivessem Sido Dentistas: “a Sr.ª Sol Schwimmer está me processando porque fiz sua ponte de modo como a senti, e não para ajustar-se à sua boca ridícula! Está certo! Não posso trabalhar por encomenda, como um comerciante comum! Decidi que a ponte deveria ser enorme e espiralada, com dentes irregulares, explosivos, flamejando em todas as direções como uma fogueira! Agora ela está brava porque a ponte não lhe serve na boca! [...] Tentei forçar a dentadura, mas ela se projeta como um lustre estrelado. Ainda assim, acho que é bonita”.
Woody Allen apud Steven Pinker, in Como a Mente Funciona, ed. Companhia das Letras.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Van Gogh

Alguns dizem que, em sua breve vida, Van Gogh não vendeu um único quadro. Outros, que teria vendido um. Afirmam, ainda, que um de seus quadros teria decorado um galinheiro.
Um quadro do mesmo pintor, hoje, custaria inimaginável cifra, caso alguém aceitasse vender.
Inúmeros artistas que participam da eternidade morreram sem o menor reconhecimento, a exemplo de Kafka. Ele cuidou que sua obra não lhe sobrevivesse, mas foi traído pelo amigo Max Brod, encarregado de entregá-la ao fogo. Borges observou, sagazmente, que o amigo apenas atendeu a intenção mais secreta do autor.
Harry Potter parece querer esgotar o estoque mundial de páginas em branco.
Esses fatos, creio, ilustram o aspecto aberrante de certas unanimidades.
Arles, 17.01.2007.