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domingo, 27 de fevereiro de 2005

As pessoas

1. O chinês Na excursão por Kakadu Park, um chinês se notabilizou por pequenas brincadeiras, inclusive com Esther (uma holandesa), que o espinafrou. Também chamava a atenção pela voracidade na hora dos lanches, e por tentar ser simpático. No grande barracão repleto de camas, que nos serviu de abrigo dentro do parque, por uma noite, Samy (ou seja lá o que for) lépido subiu para seu beliche. Se subiu lépido, desceu como um raio: – something wrong! – ele disse, só porque a cama estava suja e tomada de insetos. Mas de onde ele tirou a idéia de que poderia dispensar o saco de dormir?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

Brisbane

Estou em Brisbane (de novo). Fui a Fraser Island, ilha muito bonita, mas tivemos dia nublado. Fraser, assim como Brisbane, fica em Queensland, estado do nordeste australiano. Terminei há pouco minhas andanças pela cidade. Brisbane tem um rio (de mesmo nome) que corta a cidade e é magnífico. Sua arquitetura e urbanismo são fascinantes. Agora uma pequena história. Intitula-se o caso da sandália. Ocorre que, após 3 semanas de andanças, meus pés já não toleram nada senão sandálias havaianas. Estão latejando, e ameçam deixar-me ir sozinho. Fui a uma pequena ilha chamada Fitzroy, a 50 minutos de Cairns. Lá chegando, a primeira coisa a faser foi dormir, ao som do mar, à sombra de uma enorme árvore. Ao acordar, foi como se tivesse começado a sonhar: ou meus sentidos me traíam ou uma moça estava fazendo topless na areia, bem à minha frente. Se era sonho, devo dizer que foi dos mais bonitos que já tive. Todavia, certifiquei-me de que era realidade, e para não constranger a moça, fui caminhar pelas pedras. Casualmente, para ir às pedras, era preciso passar por ela. As pedras estavam áridas, e desinteressantes, como sói acontecer com pedras, então voltei, passando em frente à sereia, que a essa altura apenas incrementara sua posição. Alguns passos mais, percebi que perdera minhas sandálias nas traiçoeiras pedras. Como uma coisa dessas aconteceu, não sei, mas, contrariado, tive de voltar. Como houvesse esgotado o número de vezes que podia passar pela moça, ocorreu-me tomar um atalho, pela mata. Esse caminho me levava para trás de onde a moça expendia seu charme. Adentrando a mata, umas irritantes folhas secas me denunciaram, e a pobre francesa acabou suspeitando de que estava às voltas com um tarado, talvez tentando fotografá-la. Eu jamais pensaria numa indignidade dessas, deve ser dito em minha defesa. Felizmente, após uma pequena procura, achei as chinelas, caídas nas amaldiçoadas pedras. Muito feliz por retormar aquele caminho, voltei, mas a moça se tinha ido. Depois nos encontramos, numa praia menos liberal, e o episódio das sandálias foi abafado, segundo me pareceu. Foi a primeira vez que perdi minhas sandálias nesta viagem, e espero estar mais atento da próxima vez. Se cuida, gente.