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quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

Brisbane

Estou em Brisbane (de novo). Fui a Fraser Island, ilha muito bonita, mas tivemos dia nublado. Fraser, assim como Brisbane, fica em Queensland, estado do nordeste australiano. Terminei há pouco minhas andanças pela cidade. Brisbane tem um rio (de mesmo nome) que corta a cidade e é magnífico. Sua arquitetura e urbanismo são fascinantes. Agora uma pequena história. Intitula-se o caso da sandália. Ocorre que, após 3 semanas de andanças, meus pés já não toleram nada senão sandálias havaianas. Estão latejando, e ameçam deixar-me ir sozinho. Fui a uma pequena ilha chamada Fitzroy, a 50 minutos de Cairns. Lá chegando, a primeira coisa a faser foi dormir, ao som do mar, à sombra de uma enorme árvore. Ao acordar, foi como se tivesse começado a sonhar: ou meus sentidos me traíam ou uma moça estava fazendo topless na areia, bem à minha frente. Se era sonho, devo dizer que foi dos mais bonitos que já tive. Todavia, certifiquei-me de que era realidade, e para não constranger a moça, fui caminhar pelas pedras. Casualmente, para ir às pedras, era preciso passar por ela. As pedras estavam áridas, e desinteressantes, como sói acontecer com pedras, então voltei, passando em frente à sereia, que a essa altura apenas incrementara sua posição. Alguns passos mais, percebi que perdera minhas sandálias nas traiçoeiras pedras. Como uma coisa dessas aconteceu, não sei, mas, contrariado, tive de voltar. Como houvesse esgotado o número de vezes que podia passar pela moça, ocorreu-me tomar um atalho, pela mata. Esse caminho me levava para trás de onde a moça expendia seu charme. Adentrando a mata, umas irritantes folhas secas me denunciaram, e a pobre francesa acabou suspeitando de que estava às voltas com um tarado, talvez tentando fotografá-la. Eu jamais pensaria numa indignidade dessas, deve ser dito em minha defesa. Felizmente, após uma pequena procura, achei as chinelas, caídas nas amaldiçoadas pedras. Muito feliz por retormar aquele caminho, voltei, mas a moça se tinha ido. Depois nos encontramos, numa praia menos liberal, e o episódio das sandálias foi abafado, segundo me pareceu. Foi a primeira vez que perdi minhas sandálias nesta viagem, e espero estar mais atento da próxima vez. Se cuida, gente.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Cairns

G'day, people! Cheguei a Cairns! Depois da sauna do Território Norte, da poeira e do calor de Alice Springs, nada melhor que a tranqüila Cairns (nordeste da Australia). Hoje acabou a rotina de passeios começando às 4 da manhã. Fiz algo totalmente diferente. Mas tão violentamente radical que ninguém suspeitaria fosse possível: lavei roupas. Isso mesmo, lavei roupas. Fazia tempo que não me dedicava a atividade tão interessante e divertida (acreditem, depois de 20 dias fazendo passeios seguidos, lavar roupa pode ser uma terapia). Contudo, se houve entusiasmo para lavá-las, nem tanto para passá-las. Sabem como é: precisava sair para conhecer a cidade e tal. Ademais, lembro que é uma ofensa o sujeito chegar a um albergue com a roupa engomadinha. Lavada a roupa, saí. Bem em frente ao hostel está o maior shopping center do nordeste australiano. Entrei e comi uma comidinha tailandesa (voltei às experiências gastronômicas). A carne estava boa, mas o frango tava chegadinho numa pimenta. Depois, fui andar à pé pela cidade. No caminho (uma espécie de calçadão), um show de moda sertaneja australiana. Depois, a praia, com mais show pop. Por fim, pizza e cerveja Cascade, que ninguem é de ferro. Na volta, mais show, dessa vez de acrobatas, e parece que tem uns batistas cantando alguma coisa agora. Ontem, escrevi diversas coisas no blog, mas a moça desligou minha máquina sem me avisar, e perdi tudo. Seja como for, aqui vão algumas histórias. 1. Na viagem entre Melbourne e Adelaide, conheci Christy. Ela tem grandes olhos azuis e uma respeitável boca, pronta para soltar um enorme oh! woooowwwww! a cada resposta. Ela esteve no Laos, Vietnã, Camboja e na Tailândia, infelizmente com o namorado. Você é brasileiro? oh! woooowwwww! mora em Campo Grande? oh! woooowwwww! trabalha para o governo? oh! woooowwwww! mora sozinho? oh! woooowwwww! A cada oh! woooowwwww! um pequeno carnaval. Vocês não acreditariam na expressividade dessas inglesas. E quando elas soltam o infalível oh, really? Inaugura-se um pequeno escândalo em torno ao que deveria ser uma simples e útil expressão inglesa. Vocês não sabem o que elas fazem entre o r e o y. Até o actually elas pintam em cores irrepetíveis. Não terminei essa história porque fui traído por um botão que parecia ser de mudança de tamanho de fonte mas era um botão que, mais ou menos, queria dizer fechar-tudo-acabar-com-tudo-desligar-a-máquina-e-ir-pra-casa-e-se-enfiar-deibaixo-da-cama. Uma tecla incomumente poderosa. Então tchau. Depois tem mais. Baci Baci, conforme as italianas. Cairns, dezembro de 2004.