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domingo, 8 de janeiro de 2012

Alemães

O hostal está repleto deles. Em cada dormitório, uns 500, e olha que são mil quartos.

Quando desci do táxi não vi nenhum, mas uma floresta de botas tomando sol no quintal denunciava a tropa, de iminente retorno. 

Já à noite nenhum alemão ignorava que eu devassara as florestas de Honduras e Guatemala, que me nutro de leões e sucuris e que matara dois guardas - talvez três - ao bordejar a fronteira (eles encontraram a loucura e a morte no afã de impedir  a infiltração dos sítios sagrados por meus delírios urgentes). 

Também relatei a neblina, os lagos ácidos, a peleja com feras na subida ao Pacaya, a lucrativa retrovenda de bastões de caminhada aos infantes nativos e o manejo supersônico de cabos de um quilômetro de extensão, insultando os dosseis.
 
O relato comoveu a plateia, embora as diferencas de idioma tenham contribuído para certos equívocos e exagerações, dos quais me escuso. À noite a tropa germânica partiu em busca de aventuras, e eu fiquei com minhas memórias, não de todo confiáveis, e um ipod melífluo. 

Agora saio pela cidade, para ver o Canal, o casco viejo e outras cosas.  

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ciudad Panamá

Volto ao Panamá, após um vôo realmente suave, num Embraer novinho, da Copa.

O taxista não sabia onde ficava a pousada, ao contrário do que declarara nas calçadas do aeroporto, então, me deixou no meio da rua. O taxista seguinte, após 30 minutos de procuras, declarou que também não fazia ideia. 

Por fim, ao cabo de dez ligações, fomos informados da possível localização do hostal, entre as calles España e Porras. Eu que o diga. 

Não ficava longe. Se escondia num emaranhado de informações equivocadas. Parece que oscilava de um bairro a outro, esquivando-se das manobras desesperadas dos taxistas. Cheguei exausto, e dois dólares mais pobre.

Seria compreensível na Guatemala, ou Honduras, onde os endereços são quase tão claros quanto isto: perto do antigo bar do João, dez quadras depois da caixa d´água, antes da borracharia do finado Mário. Sei lá.

Saí para compras, que resultaram frustradas. Os malls são grandes e desinteressantes, sem eletrônicos de ponta. ¿De que me serve o Panamá sem eletrônicos transados? Descobri o que queria no site americanas.com.br, por um preço quase razoável, considerada a passagem ida e volta a NY.

Amanhã saio para ver a cidade, e o Canal. Do alto vi alguns navios se esfregando, numa das esquinas dessa via. Depois, embarco de volta.

Não é outra coisa não.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pura vida

Após um voo ate a Cidade do Panamá e um ônibus tumultuário noite adentro, cheguei à fronteira com a Costa Rica, exatamente a tempo de esperar 5 horas numa fila de controle.

E, contudo, a Costa Rica é especial. Fiz rafting no rio Pacuare, um dos melhores do mundo. Arrebatador: o canion, a floresta que se debruça majestosa sobre o rio, e as corredeiras, muito inteligentes.

Subi ao vulcão Poás mas, por aqui, cada montanha, e sobretudo cada vulcão está envolto permanentemente em um véu de nuvens impenetráveis. Honestamente - pelo critério do testemunho ocular, o mais inadmissível de todos - eu não poderia afirmar que o vulcão existe, já que dele não vi a mais ínfima parte.

Então cheguei ao Arenal, pela noite. Desfrutei de um ceviche totalmente insano, talvez o melhor que já experimentei, verdadeira celebração dos sentidos.

Agora me preparo para subir as encostas do Arenal, em meio a uma absurda e festiva floresta da chuva, exuberante.

Para tudo isso, aqui se diz, forte:

Pura vida!

É o que venho dizendo, todo o tempo.