Campo de arroz ao amanhecer. Norte do Vietnã.
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Buzinasso
De um modo geral, na Ásia se cultiva a arte do buzinasso.
Na estrada de Sa Pa para Lao Cai, por exemplo. Dirigindo um caminhão coreano (assim como os japoneses, esses caminhões têm buzinas calibradas para explodir os tímpanos humanos), um sujeito atolou a mão na buzina, ao ver uma pedra na estrada.
Ele vinha apitando por qualquer coisa, à moda indiana: uma curva, uma reta, uma àrvore, uma casa, um penhasco.
Ingrata, a pedra não se moveu um milímetro, conforme eu previra e pude testemunhar.
Nas cidades, o mesmo apitasso, inconclusivo.
As pessoas acabam desenvolvendo importantes problemas de audição, creio, enquanto a indústria lucra com buzinas cada vez mais impiedosas.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2007
Sa Pa
De trem entre Hanói e Lao Cai. É noite, e a composição avança bem devagarzinho, talvez para não melindrar os trilhos. Após frenagens "estilosas", concluí que o maquinista aprendeu seu ofício num ferrorama.
Lao Cai é uma especie de Foz do Iguaçu vietnamita, com direito a desfile de carroças abarrotadas de bugigangas chinesas, puxadas por vietnamitas desenvoltos, que desafiam a ponte, lado a lado com pesados caminhões. Daí sobe-se até Sa Pa (pronuncia-se Chá Pá).
Cheguei bem cedinho, em tempo de um momentoso café-da-manhã contemplando deliberadas montanhas e o trabalho do sol para estabelecer o dia em todos aqueles penhascos.
Sa Pa é uma vila alpina tomada de indígenas em trajes coloridos, e turistas. Os aldeões cultivam arroz há milênios, em terraços que penteiam os morros. Há uma só colheita anual, em cultivares também apreciados por búfalos e gansos.
Nesta cidade, eu, Gerson Noronha Mota, súdito de Sua Majestade, o Lula, provei pela primeira vez um veadinho.
Posso explicar?
Cansado das mesmas carnes com os conhecidos sabores, resolvi arriscar minha reputação em algo a um tempo exótico e inédito.
Pois provei o veadinho e gostei. Com cebolas, num prato fumegante, estou que foi o melhor daquelas montanhas, que também fornecem gansos.
sábado, 23 de dezembro de 2006
Aos amigos
É uma alegria ler os comentários dos amigos, neste espaço. Embora só eventualmente eu consiga ler, e também escrever, fato é que a viagem se torna mais humana e divertida com a intervenção de vocês.
Passei a noite num vagao de trem, a caminho desta cidade, Sa Pa, noroeste do Vietnã, quase fronteira com a China (uma fronteira que a China ignorou, em 1979, episódio amplamente desconhecido de todos nós).
Sa Pa é uma vila alpina repleta de aldeões com trajes típicos, muito acolhedora e hiemal.
Aqui estão as mais altas montanhas da Indochina, e o clima mais frio. Daqui a pouco vou conhecer uma aldeia, após uma lauta refeição a preços irrisórios.
Forte abraço a todos.
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