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quarta-feira, 13 de setembro de 2006

A morte de um coroné

Ubiratan era rápido no gatilho. Massacrou 111 no fundo de suas celas: pretos, pobres e indefesos, implorando pela vida. Ubiratan era obediente, e nem um pouco burro: nunca mandaria bala num Marcola, num Escadinha. Militar, respeitava os poderes constituídos. Ainda que recebesse ordens expressas de Sua Majestadade, o Governador. Ah, não senhor, ele não faria isso...
Ubiratan concorria a deputado estadual com o número 111.
Muitos eleitores, com apetite para chacinas, votavam nele. Provavelmente inconformados com o exíguo número de pretos e pobres entregues aos cuidados do Altíssimo. Aposto que esses eleitores também não se metem com Sua Excelência, o Marcola.
Onde estará o nosso Ubiratan, agora? No céu? Junto com os pretos e pobres? Penso que, onde estiverem, logo Sua Excelência se juntará a eles.

Ubiratan, Fleury, Hitler, Stálin: esses excelentes filantropos.

domingo, 9 de abril de 2006

São Paulo

Volto de São Paulo. Três novos livros. Dois referem economia. Ando lendo sobre Stálin, o rei do rá-rá-rá. Era um maestro. Seus músicos tocavam árias e operetas em que milhares morriam. Não sem antes a devida tortura. Quase todos os colegas de liderança do partido e do Estado morreram assim. Marechais, hierarcas, artistas ou anônimos eram sacados de suas famílias e, pouco depois, ressurgiam confessando todos os "crimes" contra o Estado, a Revolução, Stálin, etc. A ninguém ocorreu que Stálin era de carne e osso, e podia ser alcançado. É pena que nossos semelhantes sejam tão trágicos, e colaboram alegremente com a própria aniqüilação. Após a leitura, um resumo, que não há de ser alegre.