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domingo, 29 de agosto de 2010

O grande irmão



Acha que Lula quer “esmagar" a oposição. "Ele continua como uma figura extravagante, ferindo a lei”, declarou Jarbas.

“Ele se considera acima de tudo, da Constituição, da Justiça, do Tribunal de Contas, do Congresso. É um semideus. Então, acha que pode tudo".

Assim como em 1986, após o milagre do cruzado, e em 1994, com o Real, a manada segue o líder. A diferença é que o Plano Real propiciou a infraestrutura política e econômica que conduziu o país à atual quadra benéfica, e contra os quais Lula e o petismo encarniçado tanto lutaram.

sábado, 7 de outubro de 2006

2º turno

Anotei, abaixo, que Serra deve estar dividido quanto a apoiar o Magro. Um dado me fez mudar de opinião: em 2014 (data da próxima eleição disponível, caso eleito o Magro) Serra estará com 72 anos. Não há nada de errado em ter 72 anos, exceto se você for candidato à Presidência. Aecinho não apóia ninguém que não seja Aecinho, mas vai continuar fingindo em grande estilo. Apesar de seu "esforço heróico", não é difícil prever uma vitória de Lula de lavada em Nevesland. Meu palpite foi a vitória do tucano, não obstante sua campanha e amigos. Apesar dessa lagoa de sal em que o PT meteu seu sapo, talvez ele se saia bem. Mas também pode ser que o PT volte a atuar, e o guarda-livros seja agraciado com uma Presidência – meia-boca, convenhamos, mas, ainda assim, Presidência –. Nada mau.

domingo, 17 de setembro de 2006

Anti-campanha

Não se sabe como, de repente Aecinho ganhou poderes de veto sobre Serra, estimulando o magro alquimista. Talvez por saber como funciona por dentro uma campanha presidencial à reeleição, o cardeal FHC fingiu acreditar que o magro tinha chances e aí está o resultado. Alquiminho está perto do fim da pista e freia tenazmente para não ultrapassar os 30%. Grande, Alquimico!

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Questão preconceitual

Ricardo Noblat, citando Lula:
(A oposição) não tem medo de Lula. É questão preconceitual. Porque neste país não existe a cultura de aceitar as pessoas de outras camadas ocupando espaços importante.
O comício, em Brasília, foi prestigiado por uns 1500 simpatizantes.
Fernando Rodrigues, que o presenciou:
E a animação? Fala sério. Fiquei no fundo da platéia. Nada. A galera presente ficava olhando, não cantava, não se mexia. É claro que os 200 na frente do palanque pulavam como nunca –mas é sempre assim, até em programas de TV, certo?
Lula teria dito, nesse mesmo discurso, que teve de cortar no sangue.
Talvez seja mesmo uma questão "preconceitual".

domingo, 14 de maio de 2006

O silêncio dos inocentes

Decorrido mais de um ano do escândalo do mensalão, Delúbio Soares mantém-se em obsequioso silêncio. Trancado em seus rancores, carrega sozinho todas as culpas –as particulares e as alheias. É eloqüente a mudez de Delúbio. Convém dar ouvidos ao seu silêncio. Apurando-se os tímpanos, pode-se escutar a denúncia embutida na ausência de manifestação do ex-gerente de arcas. Há virtude no silêncio de Delúbio. As palavras que ele não diz gritam que o país foi governado sem método. Alardeiam o uso de meios que não justificam os fins. Bradam o emprego de táticas vis. Silvinho Pereira, um sub-Delúbio, ousou triscar os lábios no trombone. Um emissário do politburo chamou-o à razão. E ele se fez de doido. Melhor assim. Os 53 milhões de eleitores vitoriosos em 2002 não suportariam a condição de cúmplices involuntários. Há utilidade no silêncio de Delúbio. Sua quietude ajuda a amplificar pequenos rumores. Ruídos como o que foi produzido no último encontro nacional do PT. De tudo o que já foi dito acerca das perversões do petismo, nada soou mais desconcertante do que a decisão de adiar sine die o julgamento dos que conspurcaram a legenda. O desaparecimento da voz de Delúbio pôde berrar ainda mais alto. Proclama que a história não-contabilizada do PT conduz o governo petista da prometida Canaã ética para algum obscuro inferno de depravações. Há compaixão no silêncio de Delúbio. É graças a ele que o país pode conviver com a figura inacreditável do presidente cego. Mais do que nunca, entende-se a profunda grandeza das respostas que Delúbio vem calando há mais de 12 meses. A mensagem invisível de Delúbio, expressada no silêncio de dezenas de entrevistas negadas, é cristalina. Informa que remoer o escândalo significaria trazer à tona um Luiz Inácio indigno do velho e bom Lula da Silva. Há sabedoria no silêncio de Delúbio. Sem ele, a nação teria de conviver com a imoralidade do presidente conivente. Teria de enfrentar o escárnio do governo inaceitável. Teria de encarar a vergonha do Estado ocupado por saqueadores. Há higiene no silêncio de Delúbio. Com sua mania deletéria de espiar pelas frestas de fatos idos, jornalistas, procuradores e outros desocupados apenas tentam remoer lixo. Não há do outro lado senão cenas de uma película sem mocinhos. Um filme cuja reprise inspiraria ânsia de vômito.Um brinde, portanto, à insanidade de Silvinho! Uma salva de palmas às meias-verdades de Marcos Valério! Loas ao silêncio de Delúbio, a cada dia mais ensurdecedor! Josias de Souza perpretou essa maldade às 22h46 de ontem. Não devia. Estou cada vez mais alarmado com jornalistas metidos a falar "cousas". O estilo é raro, sóbrio e límpido. Seria lícito um estilo quase poético para falar de política? Não importa... * a foto acima foi tirada numa aldeia indígena próxima a Manaus.

domingo, 7 de maio de 2006

Política

Nosso Guia não lê jornais, não assiste tevê nem aceita que lhe contem as novidades. Age muito bem. Faço tudo isto e não estou gostando nada do que vejo. A greve de fome de Marotinho, por exemplo. Condeno a atitude (indelicada) daqueles funcionários públicos que depositaram coroas de flores à porta do nosso abstêmio, mas apóio a greve de fome, claro que sí. Ainda que ela não vá até o fim, como muitos desejam, penso que é oportunidade do Bolinha meditar e buscar iluminação. O que não aceito, já o disse, é a farsa do Moreno que, aproveitando-se da nobreza de Molequinho, lançou sua própria greve de fome, mas foi visto num restaurante chique no Rio, se empanturrando. Nosso Guia conserva-se alheio a todos esses sucessos, e muitos outros. Nunca soube de nenhum caseiro, muito embora tenha, inadvertidamente, demitido um ministro da Fazenda por bisbilhotar a conta bancária desse mesmo caseiro. Também não sabe nada sobre o silvíssimo Pereira. Teriam as declarações algo a ver com as prévias em São Paulo? Na dúvida, não seria o caso de apurar afirmações tão graves? Não, acho que não. Melhor ocuparmos algumas refinarias ianques por aí (com mil demônios! Estamos em falta de refinarias ianques!).