sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

San Francisco

O bonde desce temerária ladeira à luz obliqua do sol. A chuva nos deixou.
À frente o Wharf, a baía e essa ilha espaçosa e confortável chamada Alcatraz.
Pesquisei San Francisco hoje, sua insólita arquitetura. Janelões e balcões nas casas, que ornam precipícios.
Pensei em transpor a pé a Golden Gate, mas reconsiderei a tempo de ir ao porto, com vista para a ponte da Baía.
Lá uns queijos inacreditáveis me aguardavam, e bem assim uns pães italianos. Os queijinhos artesanais evocaram França, o que muito agradou. Um queijo de cabra me desorientou de vez. Assombroso sabor. Nao sei sua origem.
Terei de voltar a esse porto.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Deixando San Diego

Com uma visita a um parque aquático concluo San Diego.
Tinha baleias assassinas e golfinhos adestrados, flamingos, ursos polares e muitos outros animais.
Nao tenho ilusões de ver baleias em seu habitat, e a visão de uma baleia, seja onde for, impressiona fortemente.
Massivos, esses animais desafiam o nosso senso comum com acrobacias impensáveis, absurdas. É como se, de repente, uma montanha se elevasse do mar, alvinegra.
Os golfinhos são mesmo impagáveis. A certa altura, convidado para saltar uma corda, um trapaceiro primeiro baixou a corda, depois pulou, elegantemente. A domadora perguntou se o público havia gostado dessa esperteza. O público repudiou em uníssono. Os golfinhos, em coro, disseram que sim. Então a tratadora perguntou a distinto público se gostaria de vê-los pular mais alto. O público foi unânime no sim. Os golfinhos no não.
Maravilhosos.
Depois, visita ao centro velho da cidade, de arquitetura inspirada nas missiones espanholas.
San Diego é ótima para relaxar. Feliz cidade.
E tem a gastronomia, que não se pode olvidar. Uma cantina italiana me serviu massas duas noites seguidas. Pratos gigantescos, vastos (e gostosos).
Chego pela manhã a San Francisco, última escala antes da volta.

Amtrak

Lembro-me que paramos nos fundos de umas casas não muitas milhas depois de termos parado em Anaheim. Que, por sua vez, fica colada em Los Angeles. Casas bonitas, quintais aconchegantes, onde se criam galinhas. São muito prazerosas essas paradinhas, de quando em quando. Inda mais porque aleatórias e sem previsão de duração. Você anda um pouquinho e, de repente, nos fundos de uma insuspeitada casinha de subúrbio, pára e desfruta a vista por meia hora, quem sabe mais. Impossível saber quando será a próxima parada, pela qual fica-se torcendo. Só se sabe que será em breve, anyway. Nesse período, explorei as possibilidades do trem. Descobri uma tomada na parede, e lá pluguei o ipod, para a recarga. Com a multiplicação das paradas, fui plugando outros apetrechos: o laptop, a máquina fotográfica, o barbeador, as baterias, outra máquina. Lá pela metade da viagem a tralha elétrica, que há cinqüenta dias aguardava a vez, estourava de tanta carga (fato assaz surpreendente e divertido, sem dúvida). Embarque. No longo corredor, nenhuma informação sobre San Diego. A quem perguntei, ninguém nunca ouviu falar de um trem que para lá se dirigisse; também acharam improvável a existência de uma plataforma para semelhante composição. Ademais, aduziram, que necessidade eu tinha de ir justamente para um lugar tão difícil, na lógica dos trens? No bilhete, nem uma única letra deixava transpirar a plataforma, trem, baia, estação, horário, nada. Encontrei dois funcionários da empresa, mas eles foram acudir uns imigrantes, que não tinham a menor idéia do que faziam naquela estação. Subi para uma das plataformas. Um trem fantasma de cada lado da plataforma, com motores ligados. Ninguém a bordo. Nem ao lado, nem longe nem perto. Nisso chega uma senhora com uma criança. Sim ela não sabia de nada. Chegou outro mexicano, indagando sobre aquele estranho trem, de motores ligados. Não, eu não sabia se aquele trem ía para San Diego. “Como eu iria saber uma coisa dessas?”, disse-lhe. Desci as escadas e fui para outra plataforma, cheia de gente. Eles obsequiavam um trem, com motores ligados. Lá me informaram o endereço do trem de San Diego. Plataforma 10. Exatamente onde eu estava anteriormente. Chega um trem, vagaroso, vindo do norte. Os passageiros receberam ordem de descer, para fumar. Indaguei sobre o destino. A pergunta tocou um assunto secreto, delicado ou penoso, porque ninguém quis ou pôde dizer para onde ía aquele trem, mas o maquinista, flagrado no ato de subir à sala de controle, decretou: "Engana-te. Vamos para San Diego!".
Definitivamente. O número da composição de modo algum correspondia ao anotado pela moça do guichê, quando lá voltei, em desespero de causa. Nem o horário. Poder-se-ía concluir, com base nesse exemplo, que os americanos estão 600 ou 700 anos atrás dos europeus, em transporte ferroviário. Isso de transporte ferroviário, não sei nada, de modo que me abstenho de contribuir com uma opinião. Em todo caso, um de meus guias diz que os trens estão em decadência nos Estados Unidos. Well, receio não ser possível cair mais que isso... Amtrak: presentei um seu inimigo com uma passagem. San Francisco a San Antonio...

Noite em San Diego

A ópera foi um sucesso. Pena que não aconteceu.
Uma leitura errada do tíquete me deixou com vinte minutos de desvantagem em relaçao aos demais.
Propuseram que eu assistisse através de uma tv. Conduzi gentilmente o programa ao primeiro cesto de lixo que encontrei, e o tíquete ao segundo.
Melhor assim. Antecipei o jantar.
Uma pequena montanha de espaguetes era cavalgada por uma gigantesca e rubra lagosta. Um verdadeiro escândalo.
O prato fez jus à fama desta cidade costeira. Da lagosta, nem as patas escaparam. Pensei numa casa de jazz, mas amanhã tem a gente do balão, que provavelmente vai dar balão...
Vamos ver.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

San Diego

Extenso passeio pela cidade, sede do maior complexo militar do mundo.
No porto estacionaram o Midway, porta-aviões aposentado na década de 1990 (acho). Tem aviões novos e bem cuidados. Ouvi que o novíssimo USS Ronald Reagan está na cidade, mas não pude conferir a informação. Amanhã tem diversão desde as 2 da manhã (balão).
Saio agora para a ópera.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

California

Saio para um passeio por este caos latino-asiático. O curso de inglês talvez nao me seja de grande valia nesse que é o maior estado mexicano...
Vai ser interessante.

Los Angeles

Cidade dos anjos. Amanhã saio para dar umas voltas. Talvez San Diego e San Francisco como próximos destinos, para confirmar a viagem. Tem-se a nitida impressao de ter chegado à Cidade do México...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Maui


Saí de madrugada para essa ilha. Vôo curto, e chegamos antes das 8.

Subimos de ônibus até dez mil pés à segunda montanha mais alta do Havaí.

Viagem bacana, mas as nuvens atrapalharam as fotos. E, no alto, faz bastante frio.

Amanhã tem a ilha do Havaí, a maior do arquipélago (não por nada chamada Big Island). Cheia de vulcões em atividade. Vamos ver como é isso...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Monte Cook

Gelo brilhante cobria Cook, a mais alta montanha da Australásia. Passamos bem próximos do cume (quase 4.000 metros), o aviãozinho se ajeitando entre as correntes de ar. Lá embaixo um helicóptero deixava alguns invejados turistas. Cliquei alucinadamente, entre os soluços do avião. Lago Tekapo, 20 de janeiro de 2008.

Um dia longo

Saí do albergue antes do amanhecer. Vôo às 7, entre Christchurch e Auckland, by Qantas. Às 10:30, saída para Honolulu. “Qantas não foi aquela compania que te deixou 12 horas plantado no aeroporto de Hobart?” perguntaria o leitor. Isso mesmo, Qantas. A mala me foi apresentada às 9 horas. Depois, um ônibus para o terminal certo e, voilá, check in dentro do horário. Por pouco. Dessa vez, Qantas não atrasou um minuto. Hoje, dia 22, voei 8 horas através do Pacifico, e cheguei ontem, dia 21, nesse arquipélago de massivas impressões chamado Havaí. Deixadas as malas no hotel, após um tour de shuttle bus, restaurante japonês. Uns caras cantavam. A garçonete, em vez de servir, tocava uma guitarra. Tudo muito familiar, muito artesanal. Fiel ao meu estilo, pedi dois pratos. Me trouxeram um monte deles. Sopas, saladas, mais os peixes, generosos. A garçonete continuou tocando, os convivas cantando, e eu comendo. Depois de tudo, uma desmoralizante conta de 10.90 dólares. Tive de deixar uma gorjeta. Para a guitarrista. Na volta, surpreendi num ABC Stores cervejas a um terço do que custavam na Nova Zelândia. Camisetas, 3 por 10 dólares. Bonés, idem. Totalmente desmoralizante.
O Havaí é uma festa.
Honolulu, 21 de janeiro de 2008.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Queenstown

O primeiro compromisso foi antes do café. O pequeno monomotor decolou sem cerimônia de uma pista de grama. No ascenso, curvas fechadas entremostrando as Remarkables e o Wakatipo, amplas belezas.
A 12.000 pés uma luz vermelha é ligada e alguém destrambelha a porta. O câmera se empoleira num estribo e a primeira dupla se joga. Quando penso que vou sentir medo ou, quem sabe, desistir, sou jogado mundo abaixo. Instrutor a reboque.
Primeira sensação, a vertigem da queda livre, a mais de 200 km/h, enquanto vemos alternadamente o avião indo embora, as montanhas, o lago, a outra dupla, enfurecendo o vento. O sol cegou meus olhos e vi o amor de eras, Deus, um parente que já morreu.
Finda a saudação inicial dos céus, em cambalhotas, a velocidade só aumenta, o vento se adensa, as montanhas e o lago te convidam, mas há receio. Pra onde se olhe, são belezas, rápidas demais para uma contemplação. Fixa-se a imagem de coisas em ângulos e velocidades impensáveis e isso é o melhor que podes fazer.
Quando já se está aclimatando a essa dinâmica, um puxão pelas pernas e tronco informa o trabalho da vela. Falta de ar e excesso de adrenalina na corrente sanguínea são o cenário interno na aproximação do pouso. Que ocorre suavemente, na grama macia, pondo fim a tanta queda, descabida.
Delírio, insensatez, mortes controladas, brilho de vida. São 9 horas. Nada mau, para um começo de dia.
São 9 horas. Nada mau, para um começo de dia. II. Depois do almoço, hora de um passeio pelo Shotover, numa lancha a jato. Já narrei essa aventura quando aqui estive em outra ocasião e não tenho que acrescentar. Você sobe e desce o rio em alta velocidade, a milímetros dos gumes de pedras. É sempre prudente, nessas ocasiões, não esquecer das preces, mesmo no caso dos mais irredentos ateus. Após esse interlúdio, rafting, pelo mesmo rio. Passeio imperdível, afrontando penhascos furiosos, contra um céu impecavelmente azul. No fim, o túnel, com alguma luz e a última cachoeira à espreita. O caminho é uma estradinha de contorna esses mesmos paredões, com momentos dignos de Hollywood. Depois, já no fim de tarde, pode-se sair flanando pelas vitrinas ou, quem sabe, cortar o cabelo, meu caso, hoje. Enfim, Qtown é cidade de muitos argumentos, e recordações perenes. Amanhã tem mais. Qtown, 16 de janeiro de 2008.

Tongariro Crossing

No desembarque do ônibus, recebido por um vento antártico, zombei dos demais montanhistas, que usavam bermuda e camiseta, e me congratulei da sagacidade na escolha de pesada indumentária. Meia hora depois, iniciado o trabalho do sol, amaldiçoei cada casaco, que me abrasava. Na improvisada parada, dois quilos de casaco mais leve, bebi um pouco da gentil água que visita o vale. O informativo do parque menciona cabanas ao longo do caminho. O motorista do ônibus até falou da possibilidade de adquirir água nessas cabanas. Cinco horas montanha acima eu aprendi que as varias huts assinadas no mapa não passam da projeção de um desejo coletivo. Após meia hora de interlúdio, começa um aclive sugestivamente chamado Devil’s Staircase. Já escalei montanhas mais antipáticas, mas o nome não é inteiramente gratuito. Lembra a cascata de pedra ao pé das Torres del Paine e a surtida final na “Fumaça por Baixo” (Chapada Diamantina). Daí pode-se clicar o Tongariro e seguir por uma planície entre vulcões. Ao subir a próxima elevação se estará no ponto mais alto da caminhada. De um lado, crateras avermelhadas; de outro, lagos de fugidias esmeraldas. Tudo presidido pelos cumes de vulcões silenciosos, mas fluentes na abissal linguagem da terra. Seguindo em frente começa extensa descida, num zigue-zague em que se encontra várias vezes quem está uma hora de caminhada à sua frente, até uma cabana onde o costume é beber água não importa o que digam os avisos. Depois, nova descida e uma floresta de samambaias te procura, te abraça e te protege do sol da tarde até a exultante saída do parque. A essa altura seus pés já mandaram vários avisos, cada vez mais eloqüentes, sendo aconselhável que encontrem algum conforto antes que seja necessário amputá-los. Hoje, no museu Te Papa, vi o molde em tamanho natural de um coração de baleia azul. É quase um fusca e facilmente intuímos que tal bomba é o exercício do impossível, mas as baleias estão aí, desprevenidas de nossa intuição. Para usar as paisagens de Tongariro é essencial ter um bom coração. Wellington, 12 de janeiro de 2008.

Doubtful Sound

Um pouco menos impressionante que Milford mas, ainda assim, paisagem arrazadora.
As florestas temperadas da região não têm paralelo (chove uns trezentos dias por ano). Porfio na opinião de que a Nova Zelândia é um dos três países mais bonitos do mundo.
Mais tarde farei um balanço final deste país abençoado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Milford Sound

Volto agora de Milford Sound. Tendo escrito a respeito há três anos, achei que não seria necessário uma nota.
Entrei cético e saí embasbacado do ônibus. Milford Sound é simplesmente um dos lugares mais bonitos do mundo.
Nao é possível parar de fotografar, nem mesmo dentro do ônibus. Se você tem uma lente grande-angular, não importa quão grande o ângulo, bem, ela não é páreo para montanhas tão desmedidas, bem na sua cara.
Delas brotam incontáveis cachoeiras, como artérias em montanhas incrivelmente capilarizadas.
"Absolutamente fantástico": se você consegue dizer isso numa segunda visita, é porque o lugar é realmente especial.
É o caso de Milford Sound.
Afortunadamente, amanhã tenho Doubtful Sound na agenda.
Sweet Days.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Franz Josef

Apos atravessar de trem as montanhas entre Christchurch e Franz Josef, chuva.
Forte, sem tregua. Amanha, aproveitando o tempo, vou para Queenstown, e adianto o expediente.
A travessia foi bacana, mas nao rendeu muitas fotos. Em alguns lugares, o tempo atrapallhou. Em outros, o trem.
A viagem continua.