segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Churrascaria

Na chegada ao Brasil, internei-me numa churrascaria em São Paulo. Não vou falar das picanhas, das pontas-de-costela, nem das maminhas, não.
As costeletas de carneiro não podem ser descritas, e as codornizes me atordoaram por um bom tempo.
Seguinte: na remota possibilidade de você encontrar carne de qualidade lá fora que não esteja irremediavelmente destruída por algum molho adocicado, bem, o prato não é mais que um bife, não resolve.
Daí você cai num desses templos dos carnívoros e come até o mundo começar a girar à sua volta, e as pessoas virem te acudir.
Todo retorno ao Brasil, o mesmo ritual. Ainda bem.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Santa Barbara

Numa escala extra, vim para Santa Barbara, a algumas horas de Los Angeles. Pequena, é a cidade mais pitoresca e interessante dos Estados Unidos. Tem rica arquitetura espanhola, cafés e bares por toda parte e excelentes restaurantes. O píer de madeira serve de porto a muitas aves, e tem ótimos restaurantes. Pelicanos levantaram vôo, e foi como se, de repente, dinossauros voltassem à vida. Um pôr-do-sol bem emoldurado, um peixe-espada grelhado e uma cerveja puseram fim a minha viagem.
Aqui que tá bom...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

O incidente da chave

Relatei minha viagem de trem Los Angeles a San Diego. Foi tão longa que deu tempo de perder e encontrar a chave da mochila. Era estréia de calça nova. A chave foi pro bolso. Às tantas, não a encontrei. A viagem prosseguiu, com as amáveis paradinhas, eu pensando no que teria de fazer para encontrar um chaveiro em San Diego. Ocorreu-me, sem maiores esperanças, pesquisar em outro bolso, um dos inúmeros daquela calça. Era fundo. Fui colocando a mão, tirando coisas e nada do fundo. No fim, descobri a chave e algumas moedas a 1,20 metro de profundidade. O bolso de cima se comunica secretamente com o de baixo, de sorte que chaves e moedas logo migram, em obediência à lei da gravidade.
Se o leitor está viajando, evite estrear calças.
Não sendo possível evitar, certifique-se de que os bolsos não têm excessivos metros de profundidade.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Notas

1. A continuar a atual tendência, dentro de alguns anos teremos um embate entre o governator (ex-terminator, ex-austríaco), e a senhora Clinton (Chelsea Clinton). Os republicanos dizem que, se Clinton estivesse a bordo do Titanic, o iceberg teria afundado. O que digo é que, se você um dia vir qualquer dos Clinton pulando do 28º. andar, dê um jeito de pular junto, porque deve haver algo de muito bom aguardando. 2. O papa andou rezando umas missas de costas para o público. Se esse público não se importa com isso, porque nos importaríamos? Bentinho volta ao fundamentalismo católico, numa jogada aparentemente inteligente. Mas burra. Quando a atual maré religiosa ceder passo para um pouco de bom senso, a igreja católica estará bem perto da extinção. Os grandes sistemas religiosos têm data marcada para morrer. O misticismo, não. O vulgo implora por artigos de fé. As religiões respondem com extensa lista de exigências, todas intoleráveis. Decretam o fim da razão, a entrega total, a irracionalidade levada às últimas conseqüências. Um cronista disse, dia desses, que, se você não acredita em Deus, por que se importar? Se você não acredita em disco voador, não precisa escrever refutando sua existência. É quase isso, mas a história não registra que crentes em discos voadores tenham assassinado quem deles discordam, como fizeram todas as grande religiões, mesmo antes de Sócrates ser obrigado a tomar veneno por um tribunal convocado para julgar crimes de consciência.
Recentemente, no episódio em que a igreja católica tentou se imiscuir na saúde pública, José Gomes Temporão (Saúde) afirmou: "As prefeituras estão corretas e a Igreja está equivocada, mais uma vez. A pílula do dia seguinte é usada apenas sob prescrição médica. Aí é uma questão de saúde pública e não religiosa." Não é à toa, provocou o ministro, que os jovens estão se afastando das paróquias. O arcebispo não se deu por achado: "Eles estão corrompendo a juventude, desviando a juventude da lei de Deus. Qualquer problema humano é também religioso." Repetiu o que dissera antes: a distribuição da pílula "viola os direitos fundamentais e induz a população a praticar o mal". (Josias de Souza)
Bento (ex-soldado de Hitler) radicaliza. Colherá bons frutos, não tenho dúvida. Assim como seu antigo Führer. Por seu turno, os ateus arregaçaram as mangas, recentemente, com uma safra de livros provocantes e apimentados. Contra todas as evidências, acredito que humanidade está bem perto do fim de sua infância.

Golden Gate

A ponte, gigante, impressiona por sua mansidão. Passeando por seu dorso não se percebe o peso do tempo, o esforço da persistência. Muitos terremotos assediam seus fundamentos, visitam suas bases. Golden Gate permanece, ligando urgências, com frescor.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

San Francisco

O bonde desce temerária ladeira à luz obliqua do sol. A chuva nos deixou.
À frente o Wharf, a baía e essa ilha espaçosa e confortável chamada Alcatraz.
Pesquisei San Francisco hoje, sua insólita arquitetura. Janelões e balcões nas casas, que ornam precipícios.
Pensei em transpor a pé a Golden Gate, mas reconsiderei a tempo de ir ao porto, com vista para a ponte da Baía.
Lá uns queijos inacreditáveis me aguardavam, e bem assim uns pães italianos. Os queijinhos artesanais evocaram França, o que muito agradou. Um queijo de cabra me desorientou de vez. Assombroso sabor. Nao sei sua origem.
Terei de voltar a esse porto.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Deixando San Diego

Com uma visita a um parque aquático concluo San Diego.
Tinha baleias assassinas e golfinhos adestrados, flamingos, ursos polares e muitos outros animais.
Nao tenho ilusões de ver baleias em seu habitat, e a visão de uma baleia, seja onde for, impressiona fortemente.
Massivos, esses animais desafiam o nosso senso comum com acrobacias impensáveis, absurdas. É como se, de repente, uma montanha se elevasse do mar, alvinegra.
Os golfinhos são mesmo impagáveis. A certa altura, convidado para saltar uma corda, um trapaceiro primeiro baixou a corda, depois pulou, elegantemente. A domadora perguntou se o público havia gostado dessa esperteza. O público repudiou em uníssono. Os golfinhos, em coro, disseram que sim. Então a tratadora perguntou a distinto público se gostaria de vê-los pular mais alto. O público foi unânime no sim. Os golfinhos no não.
Maravilhosos.
Depois, visita ao centro velho da cidade, de arquitetura inspirada nas missiones espanholas.
San Diego é ótima para relaxar. Feliz cidade.
E tem a gastronomia, que não se pode olvidar. Uma cantina italiana me serviu massas duas noites seguidas. Pratos gigantescos, vastos (e gostosos).
Chego pela manhã a San Francisco, última escala antes da volta.

Amtrak

Lembro-me que paramos nos fundos de umas casas não muitas milhas depois de termos parado em Anaheim. Que, por sua vez, fica colada em Los Angeles. Casas bonitas, quintais aconchegantes, onde se criam galinhas. São muito prazerosas essas paradinhas, de quando em quando. Inda mais porque aleatórias e sem previsão de duração. Você anda um pouquinho e, de repente, nos fundos de uma insuspeitada casinha de subúrbio, pára e desfruta a vista por meia hora, quem sabe mais. Impossível saber quando será a próxima parada, pela qual fica-se torcendo. Só se sabe que será em breve, anyway. Nesse período, explorei as possibilidades do trem. Descobri uma tomada na parede, e lá pluguei o ipod, para a recarga. Com a multiplicação das paradas, fui plugando outros apetrechos: o laptop, a máquina fotográfica, o barbeador, as baterias, outra máquina. Lá pela metade da viagem a tralha elétrica, que há cinqüenta dias aguardava a vez, estourava de tanta carga (fato assaz surpreendente e divertido, sem dúvida). Embarque. No longo corredor, nenhuma informação sobre San Diego. A quem perguntei, ninguém nunca ouviu falar de um trem que para lá se dirigisse; também acharam improvável a existência de uma plataforma para semelhante composição. Ademais, aduziram, que necessidade eu tinha de ir justamente para um lugar tão difícil, na lógica dos trens? No bilhete, nem uma única letra deixava transpirar a plataforma, trem, baia, estação, horário, nada. Encontrei dois funcionários da empresa, mas eles foram acudir uns imigrantes, que não tinham a menor idéia do que faziam naquela estação. Subi para uma das plataformas. Um trem fantasma de cada lado da plataforma, com motores ligados. Ninguém a bordo. Nem ao lado, nem longe nem perto. Nisso chega uma senhora com uma criança. Sim ela não sabia de nada. Chegou outro mexicano, indagando sobre aquele estranho trem, de motores ligados. Não, eu não sabia se aquele trem ía para San Diego. “Como eu iria saber uma coisa dessas?”, disse-lhe. Desci as escadas e fui para outra plataforma, cheia de gente. Eles obsequiavam um trem, com motores ligados. Lá me informaram o endereço do trem de San Diego. Plataforma 10. Exatamente onde eu estava anteriormente. Chega um trem, vagaroso, vindo do norte. Os passageiros receberam ordem de descer, para fumar. Indaguei sobre o destino. A pergunta tocou um assunto secreto, delicado ou penoso, porque ninguém quis ou pôde dizer para onde ía aquele trem, mas o maquinista, flagrado no ato de subir à sala de controle, decretou: "Engana-te. Vamos para San Diego!".
Definitivamente. O número da composição de modo algum correspondia ao anotado pela moça do guichê, quando lá voltei, em desespero de causa. Nem o horário. Poder-se-ía concluir, com base nesse exemplo, que os americanos estão 600 ou 700 anos atrás dos europeus, em transporte ferroviário. Isso de transporte ferroviário, não sei nada, de modo que me abstenho de contribuir com uma opinião. Em todo caso, um de meus guias diz que os trens estão em decadência nos Estados Unidos. Well, receio não ser possível cair mais que isso... Amtrak: presentei um seu inimigo com uma passagem. San Francisco a San Antonio...

Noite em San Diego

A ópera foi um sucesso. Pena que não aconteceu.
Uma leitura errada do tíquete me deixou com vinte minutos de desvantagem em relaçao aos demais.
Propuseram que eu assistisse através de uma tv. Conduzi gentilmente o programa ao primeiro cesto de lixo que encontrei, e o tíquete ao segundo.
Melhor assim. Antecipei o jantar.
Uma pequena montanha de espaguetes era cavalgada por uma gigantesca e rubra lagosta. Um verdadeiro escândalo.
O prato fez jus à fama desta cidade costeira. Da lagosta, nem as patas escaparam. Pensei numa casa de jazz, mas amanhã tem a gente do balão, que provavelmente vai dar balão...
Vamos ver.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

San Diego

Extenso passeio pela cidade, sede do maior complexo militar do mundo.
No porto estacionaram o Midway, porta-aviões aposentado na década de 1990 (acho). Tem aviões novos e bem cuidados. Ouvi que o novíssimo USS Ronald Reagan está na cidade, mas não pude conferir a informação. Amanhã tem diversão desde as 2 da manhã (balão).
Saio agora para a ópera.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

California

Saio para um passeio por este caos latino-asiático. O curso de inglês talvez nao me seja de grande valia nesse que é o maior estado mexicano...
Vai ser interessante.

Los Angeles

Cidade dos anjos. Amanhã saio para dar umas voltas. Talvez San Diego e San Francisco como próximos destinos, para confirmar a viagem. Tem-se a nitida impressao de ter chegado à Cidade do México...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Maui


Saí de madrugada para essa ilha. Vôo curto, e chegamos antes das 8.

Subimos de ônibus até dez mil pés à segunda montanha mais alta do Havaí.

Viagem bacana, mas as nuvens atrapalharam as fotos. E, no alto, faz bastante frio.

Amanhã tem a ilha do Havaí, a maior do arquipélago (não por nada chamada Big Island). Cheia de vulcões em atividade. Vamos ver como é isso...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Monte Cook

Gelo brilhante cobria Cook, a mais alta montanha da Australásia. Passamos bem próximos do cume (quase 4.000 metros), o aviãozinho se ajeitando entre as correntes de ar. Lá embaixo um helicóptero deixava alguns invejados turistas. Cliquei alucinadamente, entre os soluços do avião. Lago Tekapo, 20 de janeiro de 2008.

Um dia longo

Saí do albergue antes do amanhecer. Vôo às 7, entre Christchurch e Auckland, by Qantas. Às 10:30, saída para Honolulu. “Qantas não foi aquela compania que te deixou 12 horas plantado no aeroporto de Hobart?” perguntaria o leitor. Isso mesmo, Qantas. A mala me foi apresentada às 9 horas. Depois, um ônibus para o terminal certo e, voilá, check in dentro do horário. Por pouco. Dessa vez, Qantas não atrasou um minuto. Hoje, dia 22, voei 8 horas através do Pacifico, e cheguei ontem, dia 21, nesse arquipélago de massivas impressões chamado Havaí. Deixadas as malas no hotel, após um tour de shuttle bus, restaurante japonês. Uns caras cantavam. A garçonete, em vez de servir, tocava uma guitarra. Tudo muito familiar, muito artesanal. Fiel ao meu estilo, pedi dois pratos. Me trouxeram um monte deles. Sopas, saladas, mais os peixes, generosos. A garçonete continuou tocando, os convivas cantando, e eu comendo. Depois de tudo, uma desmoralizante conta de 10.90 dólares. Tive de deixar uma gorjeta. Para a guitarrista. Na volta, surpreendi num ABC Stores cervejas a um terço do que custavam na Nova Zelândia. Camisetas, 3 por 10 dólares. Bonés, idem. Totalmente desmoralizante.
O Havaí é uma festa.
Honolulu, 21 de janeiro de 2008.