quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Copenhaga


Em casa

A operação retorno foi a mais tranquila em séculos. Sorvete e torta de chocolate no aeroporto de Frankfurt, uma noite no avião e lar, finalmente.

O cansaço me diz que preciso diminuir tempo e ritmo das viagens. 

E, contudo, hoje é a estreia das Bodas de Fígaro em Estocolmo. O leitor pode imaginar meu inconformismo?

Comecei a analisar as fotos. Parece que algumas resultaram válidas. Podem ser publicadas.

Encontrei meu carro com uma mensagem: "morri", o que já explica a rica camada de poeira. Encontrei também uma intimação da Receita Federal, dizendo que eu tinha até o mês passado para provar que paguei meu imposto de renda. Talvez eu tenha pago. Os comprovantes dizem que sim, mas que importam os comprovantes?      

Quanto a mim, qual o balanço? Que dizer de tantas viagens? Não muito. Somente que a vida é bela.

domingo, 14 de agosto de 2011

Estocolmo

Foram cinco dias aqui. A cidade me recebeu com chuva e frio mas, depois, sol e temperatura amena. Visitei todos os museus, parques, igrejas e óperas que pude, com o passe livre. Estocolmo é a principal cidade da Escandinávia, em qualidade das atrações (numa briga equilibrada com Oslo), mas tem um problema: o exibicionismo na hora da conta.

Eles têm um nível de preços simplesmente nada a ver, o que se evidencia quando, ao pagar o metrô, você constata que vai precisar passar umas rifas entre os colegas de serviço - senão em repartições vizinhas. Você acha que o Tahiti é caro? Experimente Estocolmo. Papeete, com todas as suas joalherias, vai parecer um brechó.  

Pra piorar, comprei um desses cartões globais. Quando fui ao banco buscar, vi que era Amex.  American Express: quer passar nervoso (muito nervoso)? Pergunte-me como.

Ontem fui a um restaurante que serve desde mil setecentos e algo, na velha Estocolmo. O boato é que ali são escolhidos os vencedores do Nobel, entre uma garfada e outra. Apurei as orelhas, tentando ouvir meu nome. Em vão. Obviamente os acadêmicos não estavam presentes. 

Num fim de tarde subi ao Globen, uma esfera de uns cem metros de altura, que brinca de ser arena. Toda a Estocolmo sob a luz temperada de um sol em sua eficácia final. 

E também fui às compras (para que servem os cartões de crédito?). Achei um ateliê com umas peças maneiríssimas, e as enfiei na mala.  

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Deixando Riga

Após dois dias, atravesso o Báltico esta noite, com destino a Estocolmo.

A velha Riga, nas margens do rio Dugava (ou Duína Ocidental), é bacana, com construções do século 14. A primeira impressão foi algo exagerada. Riga é divertida, tem coisas que merecem uma visita, mas seu turismo é incipiente: ontem, planejei  uma visita a uns castelos fora da cidade e, na última hora, não rolou. Só havia um passageiro: eu. Não é coisa que aconteça. 

Cancelei os planos de comprar âmbar, porque ninguém consegue se convencer de sua autenticidade. Num mundo em que o balanço das maiores empresas, fiscalizado pelas melhores auditorias, não é digno de crédito, como vou confiar num certificado que qualquer um, munido de uma impressora e uma caneta bic, pode confeccionar? 

Falar nisso, quando deixei o país, a bolsa orçava os 64.000 pontos. Agora, terei sorte se a encontrar a 30.000. Ei, o que vocês aprontaram, enquanto eu não estava olhando?

domingo, 7 de agosto de 2011

Riia

Vou comentar Riga sob o impacto da primeira impressão, enquanto espero meu quarto ficar pronto. Após 5 horas desde Tallinn, num confortável ônibus, chega-se a esta cidade, que me pareceu (ainda) um autêntico quintal dos comunas.

Não saberia fundamentar, mas aqui se respira opressão,  tirania, num país liberto já se vão 20 anos. 

Dos russos ficou a arquitetura, os nomes, e alguns costumes, pelo visto. A cidade apresentou-se feia, desagradável, com alguns massivos prédios - tão horrendos que só podem ser obra dos soviéticos. 

Tallinn tem um ou outro resíduo soviético, mas aqui é só o que há. Não que a cidade não mereça uma visita. Ao contrário, eu sempre quis ver de perto o resultado do pesadelo bolchevique, seu inerente terror. E aqui estou, num lugar cuja feiúra é a cara do comunismo. 

E estamos falando de resquícios, porque a Letônia é parte da Europa, e tem uma economia em ascensão. 

De qualquer forma, vou conhecer este país, sopesando seu eventual viés stalinista, que tanto me lembra Sua Majestade, a Santinha. Por que será? Agora, que degolou o Reizinho Mandão, e mais meia dúzia de ministros, talvez ela possa, finalmente, iniciar seu "governo" (SIC).

Ou talvez não. Quem sabe o que Santinha tem na cabeça? Não muito.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Rumo à estação Finlândia

Finalizo a Finlândia. Helsinque tem muito mais a oferecer do que dizem os guias de viagem. A cidade é um sucesso, com palácios e belas construções em toda parte.

No restaurante de hoje, especialidade sami: elk grelhado, divinamente ao ponto. Depois, um café finlandês, com sabor amadeirado. No almoço, no porto, almôndegas de rena, saborosas. Três ou quatro museus, o Parlamento, muitos parques, algumas igrejas e concluo a Finlândia, de proveitos.

Se alguém perguntar de uma cidade simpática, hospitaleira, fácil de conhecer e cheia de atrativos, respondo rápido: Helsinque, definitivamente.    

Amanhã será a vez de Talim, hora e meia daqui. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Blue Lagoon

O cartão postal da Islândia é a Lagoa Azul, um afloramento de águas que sabem a vulcão.

Conduzi-me por um caminho de lava e adentrei a piscina, artificialmente azul. Se o leitor procura um bainho morno, bem, este não é o lugar. A certa altura começam certos fervores, uma ligeira onda de cozimento, que você não sabe se acaba. "Onde vim parar? Será que consigo escapar ao ponto? Onde foi parar todo mundo?"

Depois, deixei-me a uma cachoeira (de águas quentes, é claro), sentindo as iras do vulcão. Fora da água, faz frio. Dentro, é uma quentura primordial, que relaxa e faz bem. 

Entrei numa caverna, com vapores saindo da rocha negra. Impressão de adentrar a intimidade do magma, inadvertidamente. Os pés, deixei no tablado, sob o qual um aqueronte saltitava. Vez em quando umas ondinhas subiam, e os iam amaciando. Achei melhor recolhê-los, como os demais.

Perplexidade mesmo traz o bafo de vulcão na costinha do crioulo.

Fiquei uns minutinhos e voltei para a cachoeira, de poderes termais, que massageia e aquece.  

Finalizei com outras saunas, igualmente fervorosas, e voltei para a lava.

Gente sorrindo por todo lado: é assim a Blue Lagoon, não longe do aeroporto de Reiquiavique. Fora são rigores.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Finlandia

Oito dias na Islandia. Pais fantastico, superior às expectativas. Agora, Helsinque. Uma cidade que, num primeiro passeio, me pareceu uma Paris menos congestionada. Saio agora por seus meandros.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Islanðia

Gente, a Islândia é o que há.

Hoje, snorkelling na fenda de águas azuis que demarca o encontro das placas americana e euro-asiática. Água a 0°C, e nenhum frio. Coisas do mergulho seco.

Hotel boutique, vinho francês, chocolates Godiva (tudo do free shop - isso de free shop, tem de levar a sério, se quiser sobreviver com alguma dignidade na Escandinávia), enfim, quem tem medo de viajar?

Amanhã saio cedo para ver as baleias. Sabem, depois de ter comido (inadvertidamente) algumas delas (em bifes ou defumadas), está na hora de vê-las livres, belas e gentis.

Abração a todos.

sábado, 23 de julho de 2011

Svolvær

Após dias navegando ao norte, cheguei a esta cidadezinha nas ilhas Lofoten, de grande beleza. Fica no circulo ártico, o que significa frio, mesmo no auge do verão.


As ilhas são encantadoras, e ontem pudemos ver águias pescadoras em plena ação. O bacalhau é precioso, e pode ser pescado em toda parte. Amanhã regresso a Oslo, atingida pelo horrível atentado dessa semana. Fico um dia e embarco para a Islândia.

Todos com quem conversei insistem que a Islândia é o lugar. Vamos ver.

sábado, 16 de julho de 2011

Noruega

Após a linda e pacata Copenhague, Noruega. Oslo, só vou conhecer quando voltar do ártico. Fiquei numa pista de esqui muito longe, com uma rampa que pretende chegar ao céu.

Daí, fui para Bergen, no litoral oeste, a capital do ecoturismo e da aventura. A travessia de trem até Flåm é, de fato, a mais bonita do mundo, sem nenhum favor. Depois, desliza-se pelas águas profundas de Sognefjord - em tudo o fiorde dos Sonhos. Muros de centenas de metros de altura caem direto no azul da água, e indicam o caminho.

No fim de uma tarde dourada, fui ao mercado de peixes, em frente ao Bryggen, bairro de pescadores, de origem alemã. Encontrei umas comidinhas e, sem almoço, fui às vias de fato. Varado de fome, pedi King Crab, bacalhau e mexilhões. Tudo fresco. Espertas, as moças tentaram me empurrar uma baleinha. 

Resisti. 

Enquanto pude. Só o tempo delas adivinharem minha curiosidade e cartão de crédito. 

E assim eu, Gerson Noronha Mota, súdito de Sua Majestade, a Santinha, provei minha primeira e detestável ração de baleia. No caso, um suculento granito de um negro absoluto e sabor tirante a mil bois degolados. 

A cerveja deles, com teor alcoólico 2,5°, refresca, mas não faz nem cócegas. 

Hoje, em Stavanger, ao sul, subi à Pulpit Rock, o destino mais famoso da Noruega. É um palco de pedra, perfeitamente quadrado, a 604 metros sobre o fiorde, onde brincam uns barquinhos. Um monumental maçico de uma beleza intoxicante. 

Agora, saio para o jantar.