terça-feira, 28 de outubro de 2008

Maré vermelha

O sempre lúcido historiador Marco Antonio Villa, na Folha de hoje:
Assim, o Bolsa Família se transformou em um instrumento de petrificação política, de permanência das oligarquias, impedindo a alternância no poder municipal. Pior: o governo Lula, que já conta com 11 milhões de famílias beneficiárias, ameaça incluir mais 4 milhões que já estão cadastradas no programa. Em outras palavras, o programa Bolsa Família será um dos instrumentos usados em 2010 para ganhar de qualquer jeito as eleições.
O final do ano será marcado por um cenário político confuso. Surpreendido pelo resultado das eleições municipais, ao governo interessa colocar vários obstáculos no caminho até chegar a 2010. Vai lançar diversos balões de ensaio: transformar o Congresso em Assembléia Constituinte, voltar a insinuar o desejo de apresentar a proposta do terceiro mandato, falar em extinção da reeleição, defender um mandato presidencial de cinco anos - mas, no fundo, sabe que nada disso pode ser aprovado.
A maioria congressual que o governo Lula teve nos seis anos de mandato vai diminuir paulatinamente. E minguará na relação inversa do tamanho da crise econômica internacional.
O governo continuará tentando dividir a oposição, buscando aqueles mais propensos à composição política em troca de algumas migalhas. Deverá explorar vaidades e esperanças frustradas.
Teremos a eleição mais violenta da nossa história, com o uso da máquina administrativa e dos programas assistencialistas, com acusações e ameaças, dossiês à vontade, para todos os gostos, e, provavelmente, em um cenário econômico desfavorável.
O exército de aloprados prepara-se para o combate. Eles sabem que não podem perder o acesso privilegiado ao poder. Não mais sobrevivem distante dele. E farão de tudo para continuar mais quatro anos (oito seria melhor) usando e abusando das benesses produzidas em Brasília.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Elogios

Há muito dispensei os amigos de elogiar meus textos.
Mas não meus inimigos.
Elogios rasgados, espalhafatosas e falcíssimas irrogações de genialidade são-lhes exigidos rotineiramente. Os recalcitrantes são punidos; os que, elogiando, simulam um grau inconvincente de sinceridade, recebem logo maus-tratos. Hoje quase não tenho inimigos. Por que será? Minha escrita continua dividindo pessoas. Como amiúde acontece nos assuntos humanos, formam-se, nítidos, dois partidos: os que se sentem ofendidos e os que se indignam com meus textos. Em geral, costumo acompanhar os primeiros. Quanto aos resultados desses sentimentos, novamente temos dois grupos, funcionando em regime de paixão: os que exigem minha crucificação e os que se contentariam com meu apedrejamento. Prefiro não tomar parte nessa questão, tormentosa. 25.3.2004.

Tasmania

Fernando de Noronha

A política da economia

Blog do Vinícius, hoje:
No Rio, venceu o PMDB de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, ex-PV, ex-PFL, ex-PSDB, ex-antilulista, ex-inimigo do mensalão, ex-tudo e ex-amigo da "ética" (vide a panfletagem repulsiva contra Gabeira). Paes, esse rapaz macunaímico mas sem graça que rastejou diante do ex-desafeto Lula por um prato de lentilhas bichadas. Quase todas as candidaturas a prefeito de capital foram baseadas em misturas adúlteras de tudo e de qualquer coisa que há na adulterada política brasileira. Uma mixórdia, pois, parecida ou mesmo idêntica à do PMDB "tout court". Logo, essas candidaturas, seja qual for o nome do partido, são todas "PMDBs" também. Os PMDBs vencem, de qualquer maneira.

domingo, 26 de outubro de 2008

Vietnã

Vietnã

Cultivo de arroz.

Vietnã

Recife

Pará

França

Política

Josias de Souza, neste domingo de extermínio dos devaneios petistas:

Numa fase em que se discute a viabilidade da “teoria do poste”, Serra mostrou, em São Paulo, que é possível eletrificar o nada.

Kassab tratorou o tucano Geraldo Alckmin, um ex-governador bafejado pelo recall de uma disputa presidencial. Passou por cima também do apoio de Lula a Marta.

Agora, está na bica de impor ao PT uma derrota na cidade em que o petismo se julgava mais forte. Está deflagrado o projeto Serra 2010.

Escrito por Josias de Souza às 20h58

Fernando de Noronha

Ermas ondas reivindicam o sol e o obtêm, para nós.

sábado, 25 de outubro de 2008

Poema

Vou produzir um poema auto-evidente, sigilo em toda fome, notório. Um poema síndrome, padrão de toda dor, perdido. Um poema ansioso, difícil de sentir, angustiado. Vou produzir um poema que há de ser meu aparato e cópia minha imagem refletida, fugaz. Um poema que as editoras hão de recusar com entusiasmo. Depois vou me embrulhar nesse poema, esquecer a vida, dispensar os sentidos, desfazer-me em palavras. 23.02.2002.

Aos 30

algumas vantagens a contar: poemas algumas fotos (quantas válidas?) 1.000.000 páginas lidas muitas com entusiasmo outras com o nariz torcido outras com indisfarçável indiferença outras ainda com a sensação de dever cumprido. Aos 30 várias amizades confiscadas, outras entre famosos da literatura, e uma filosofia por se firmar. Parafraseando o capiau: não tenho tudo que amo não amo tudo que tenho não tenho tudo que tenho... mas que conversa aborrecida essa de ter e amar!