Mostrando postagens com marcador Australia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Australia. Mostrar todas as postagens
sábado, 19 de março de 2011
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Sydney
Entre a Ópera e a Ponte, Waterfront. Tão quieto que eu poderia ser tomado por um retrato.
Toda Sydney aqui, festejando não sei quantos casamentos, aniversários, natais e anos bons. Eu fotografo. Sem compromisso com a revelação.
Posso muito bem nunca revelar meus retratos, contentando-me com a malícia do mundo fixada no filme.
Posso também expor meus equívocos, para que outros componham o motivo de que necessitam.
Sydney, Natal de 2004.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Internet na Austrália
Chegada à Austrália.
Como não foi possível antecipar o vôo, tive de me socorrer da internet para avisar o albergue em Hobart.
Na primeira máquina, de modo algum os símbolos pintados no teclado correspondiam aos da tela. Para se digitar uma senha, primeiro você tem de digitá-la num campo normal, aprender todos os caprichos do teclado e finalmente se encaminhar para o campo protegido.
Se desse tempo: cada tela demora cinco minutos para ser montada, ou seja, duas telas somam um dólar.
Vocês não fazem idéia de como é maravilhoso ver o trabalho de montagem, a página lentamente (bem lentamente) surgindo, as propagandas aparecendo, o campo azul cada vez mais azul, os banners, os aviõezinhos que vêm e vão na tela, aspergindo propagandas... e um dia a página está lá, completamente, pronta para seu exclusivo uso e particular deleite.
Ou quase: na verdade, falta o cursor, que se atrasou um cadinho.
Nos próximos dólares ele aparece, em lento gotejar, quase pronto para permitir o input.
Foi mais ou menos o mesmo há uns três anos, quando fiz uma ronda pelo país.
É rigorosamente incorreto concluir, com base nesses poucos exemplos, que a internet na Austrália não funciona e quem o disser será digno de censura. Já quem disser o contrário merece uns bons açoites.
sábado, 12 de março de 2005
terça-feira, 1 de março de 2005
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
domingo, 27 de fevereiro de 2005
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005
O incidente do queijo
Hello, everybody!
Cheguei a Adelaide, cidadezinha do sul da Austrália. Está chovendo um pouco, e breve sairei para conhecê-la melhor.
Passei três dias em excursão entre Melbourne e aqui. Melbourne é a cidade mais interessante da Austrália, até agora. É simplesmente fantástica. Vou reproduzir, abaixo, um pequeno relato da excursão.
Numa pequena cidade, entre Melbourne e Adelaide, tive a discutível idéia de comprar um queijo. Como o ônibus não tinha geladeira, acomodei-o no último banco. Se outros predicados não tinha (nunca saberei), o queijo cheirava com razoável intensidade, que só aumentava com o passar do tempo.
Não tardou e uma onda de insatisfação percorreu o ônibus, vinda lá de trás. Sem refrigério, o queijo desgraçou tudo num crescendo de mau-cheiro e desagrado, tendo por epicentro o banco onde o havia depositado.
Sem outra saída, denunciei a sórdida circunstância de o japonês Shuichi ter comprado aquele maldito queijo, fato pessoalmente testemunhado. O pobre Shuichi, iniciante nos mistérios do inglês, nada pôde contra minha larga experiência no idioma de Shakespeare.
Uma japonesa (cujo nome nenhum ocidental consegue pronunciar sem danos ao centro da fala) tentou assumir a defesa do conterrâneo, sem sucesso. Assim que o infausto cheiro tocou as delicadas narinas da motorista, uma australiana loura e cheinha, Jesus, foi o caos:
- Animal! De onde você tirou esse queijo?
- Que bandido! Eu mesmo vou denunciá-lo à polícia - completei, com justa indignação.
Foi assim que tudo se passou, conforme posso lembrar.
Adelaide, dezembro de 2004.
sábado, 5 de fevereiro de 2005
Comidinhas
Há quem tenha ressalvas à comida
australiana. Uns ignorantes (não fala com eles não, leitor). Me proponho comentá-la.
Aquele aglomerado parecia vencido, e como que esgotado seu potencial de reciclagens. Mas visitei outras cozinhas na Austrália. A mais impressionante delas, a indiana. Sentei-me à mesa, sozinho, enquanto à volta as pessoas comiam e conversavam. Antes do cardápio, o garçom, um indiano que antecipou gostar de música brasileira, confiou-me a guarda de uma enorme garrafa d’água. Inicialmente ofendido pelo despropósito de uma garrafa tão grande "O que esse sujeito está pensando?", olhei em volta e vi iguais caixas d'água em cada mesa, e pude mesmo ver que as pessoas delas se serviam.
Comecemos pelo aussie barbecue, de grande apelo popular. Lingüiças
industriais e cebolas. Um acompanhamento luxuoso, e excepcional, é um bocadinho
de carne. Não é fácil identificar qual corte, nem o tipo de animal (supondo que
o seja). De qualquer forma, é raro.
Esse “churrasco” explica parte dos 4,5 kg
perdidos em vinte dias na Austrália. Mas o que mais me agradou foi o modo de
preparo das carnes. Chega-se ao delírio com o doce de frango que eles servem,
geladinho, e com a carne de canguru mal passada, adoçada com o puro açúcar de Fiji.
Uma vez, não me lembra onde, deparei com
costeletas de porco impiedosamente adoçadas, num molho vermelho, acompanhadas
de farta guarnição de pepinos. Em outra, quiseram me convencer das qualidades
de um docinho de carneiro. Argumentei com a possibilidade do sal. “Seria
atroz”, indignaram-se os cozinheiros. Não alcancei entendessem que em alguns
países se usa essa substância nas carnes, e que a prática está registrada em
textos consagrados, como a Ilíada. Essa última informação os exasperou.
Sem embargo, penso não ser proibido comer,
uma ou duas vezes por ano (na falta de opção num raio de mil km) em casas de fast food. No meu caso, após perder uns cinco
quilinhos, fui a uma dessas encantadoras lojas. Escolhi um sanduíche com apelo
australiano. Trouxeram-no com pompa. O que eles chamam de carne processada é em
verdade um aglomerado de plástico, com um leve toque de açúcar. Os simpáticos
talos de alface, apelidados “salada”, estavam crocantes, e combinavam, de
alguma forma, com a geléia de morango que empolgava o pepino. As batatas da liberdade, geladas, e o
refrigerante de cola, morno, estavam saborosos. Tudo considerado, tinha-se a
impressão geral de estar comendo a tábua de passar roupas, com geléia de
morango.
Ignoro o valor nutricional das tábuas de
passar roupa, e dos móveis em geral, mas acredito em baixos teores de
colesterol, ao contrário do sanduíche. Não me oponho à ingestão de aglomerados
de plástico. Acho até que esse é o futuro da gastronomia, a considerarmos que
hoje muitos se orgulham de seus “cereais matinais”: sabugos de milho moídos,
com sabor tutti frutti.
Aquele aglomerado parecia vencido, e como que esgotado seu potencial de reciclagens. Mas visitei outras cozinhas na Austrália. A mais impressionante delas, a indiana. Sentei-me à mesa, sozinho, enquanto à volta as pessoas comiam e conversavam. Antes do cardápio, o garçom, um indiano que antecipou gostar de música brasileira, confiou-me a guarda de uma enorme garrafa d’água. Inicialmente ofendido pelo despropósito de uma garrafa tão grande "O que esse sujeito está pensando?", olhei em volta e vi iguais caixas d'água em cada mesa, e pude mesmo ver que as pessoas delas se serviam.
Superada essa crise, baixou o cardápio, com
nomes exóticos. Vi que poderia dar um basta na cozinha australiana, escolhendo
bem o prato. Ao cabo de uns minutinhos, como houvesse disputa entre os peixes,
as carnes e os frangos, sem falar dos arrozes e vegetais, folguei em pedir um
prato que fosse a somatória de tudo isso e um pouco mais. Um prato que reunisse
o melhor da cozinha indiana, um resumo. Entrementes, ordenei que da cozinha
subisse uma autêntica cerveja australiana, e lembro que me trouxeram a VB. Não
sabia o que fazer com o garrafão de água, e tive ganas de que fosse
adjudicado à cozinha. Deixou-o ficar.
A comida chegou, em menos de meia hora, em
sincronia quase perfeita com o final da VB. O prato era uma bandeja média, com nichos de vários tamanhos. Os
maiores acomodavam arrozes e vegetais. Havia uma bateria de pequenas cavidades,
onde se aninhavam as várias carnes, seus molhos e guarnições. Havia peixes,
crustáceos, carnes bovinas (ou assim espero) em várias apresentações e estilos,
e frango. Abundavam também as comidas não identificadas e a sobremesa, sabida a
batata doce.
Fui às carnes, já que de um arroz não se
espera muito, fora do Brasil. Primeira mordida, primeira fisgada. “Deve ser só
impressão”, pensei comigo. Segundo prato, nova fisgada, que se somou à primeira,
no ardor. “Ora ora, que malandro!” À medida que outros pratos foram sondados,
mamãe! Era como se incêndios estivessem sendo ampliados paulatinamente na boca.
O peixe, esse adorável e pacato prato, atiçava labaredas por toda a língua,
toda a boca. Era difícil acreditar que um inocente frango fosse capaz de
tamanha devastação nas papilas gustativas. O incêndio ganhava o corpo, e cabia
abrandá-lo, do jeito que desse. A cada porção, um vigoroso jato d’água, para
evitar o alastramento das labaredas. Os vegetais, tão macios e amigos, se
resolviam em chamas vermelhas e vivazes, gostosas de queimar neurônios. Pensei
nos extintores à base de carbono, mas vi que poderia ser mal interpretado pelos
convivas, que suportavam pacientemente suas provações.
Olhando com mais atenção, pude ver que de
cada rosto emanava uma expressão de sofrimento, como se uma grande luta
estivesse sendo travada, e perdida. A água, os lenços, o apressado abanar-se:
os sintomas eram da comida, ligeiramente picante. Os garçons se entreolhavam
com orgulho. A qualidade de cada prato é aferida pela quantidade e aspecto das
lágrimas. Lágrimas mornas e abundantes escorrendo pelo rosto eram sinal de boa
comida, e não é nada educado deixar de verter pelo menos alguns cristalinos
pingos. Um religioso à minha frente rezava baixinho, e eu quase podia ouvir a
prece: “Oh Deus, se pelo menos não houvesse tantos bandidos na cozinha
indiana... Abrandai-lhes, Glorioso, as necessidades de incendiar o mundo”. Aos
prantos, comecei a pensar em tudo que me ocorrera até ali, as muitas viagens,
os amigos que deixei em cada lugar e no Brasil, e enquanto pensava, um
camarãozinho atiçava-me labaredas, que já iam altas.
A carne vermelha requereu meio litro de água, as chamas lavrando no trato digestivo. Não sei quem disse que a cozinha baiana é apimentada. Pois ela parece papinha de nenê, perto da indiana. Lentamente, o salão foi se elevando espiritualmente, com pensamentos piedosos aflorando, testemunhados por lágrimas sinceras e comoventes. Foi nesse clima que deixei o restaurante, após duas garrafas d’água, arrependido de todos os pecados cometidos ou a cometer. Levei comigo algumas pedras de gelo, com que pretendia entreter as labaredas. Depois dessa experiência, ocorrida em Adelaide, só em Queenstown, um mês depois, reuni coragem de adentrar um desses restaurantes, tremendos.
A carne vermelha requereu meio litro de água, as chamas lavrando no trato digestivo. Não sei quem disse que a cozinha baiana é apimentada. Pois ela parece papinha de nenê, perto da indiana. Lentamente, o salão foi se elevando espiritualmente, com pensamentos piedosos aflorando, testemunhados por lágrimas sinceras e comoventes. Foi nesse clima que deixei o restaurante, após duas garrafas d’água, arrependido de todos os pecados cometidos ou a cometer. Levei comigo algumas pedras de gelo, com que pretendia entreter as labaredas. Depois dessa experiência, ocorrida em Adelaide, só em Queenstown, um mês depois, reuni coragem de adentrar um desses restaurantes, tremendos.
Não falei, ainda, da cozinha vietnamita. Na
George Street, não longe do Paddy's Market, em Sydney, concentram-se diversos
restaurantes asiáticos, tailandeses, chineses, japoneses. Entrei no que me
pareceu o mais simpático. A moça que me atendeu era bonita e vietnamita. Pedi
uma sopa que incluía frutos do mar, carnes, vegetais e macarrão. Antes da sopa,
eles serviram uma salada. Era vasta, com vegetais incomumente viçosos. O jasmim
interagia de maneiras totalmente insanas com as papilas. Ignoro se foi o jasmim
vietname, ou outro vegetal ainda mais exótico: alguma coisa subiu ao cérebro e
começou a inventar delícias proibidas.
Incorri, com Withman, numa sobrenatural
capacidade de emitir uma alvorada de mim mesmo, segundo sonhos. Jamais voltei a
experimentar semelhante câmbio dos móveis mentais. Não por falta de diligência,
mas é que, nas duas vezes que lá retornei (uma delas após dar a volta à
Austrália), não me serviram a abençoada salada. Num restaurante no mercado
municipal de Adelaide, chegou-me ao conhecimento a comida tailandesa, de muitas
sopas e carnes de vaca ou frango. Do restaurante 'Star of Siam', lembro
vagamente de alguns pratos, sem contudo distinguir seus sabores. Não cheguei a
provar a alta cozinha australiana, e tampouco a neozelandesa. Imagino que devem
ser maravilhosas, e de uma próxima vez prometo ser menos avaro. Um amigo
aconselhou-me escalopes de um molusco gigante, só encontrado na Austrália. Não
o localizei no cardápio do restaurante da Ópera de Sydney.
Abateu-me a saudade de meu restaurante vegetariano,
e do arroz com feijão, que são a marca do brasileiro, sua mais cativante
invenção. Ignoro se todos os exemplos de comidas e suas impressões aqui
relatadas são literais ou consentem alguma criatividade. o episódio da salada
vietamita é rigorosamente verdadeiro, como o é que perdi quase 5 quilos em 25
dias na Austrália. Talvez eu devesse comemorar. Campo Grande, fevereiro de
2005.
domingo, 30 de janeiro de 2005
Os caras de Adelaide
Há uma cidade no sul da Austrália chamada Adelaide. É famosa por suas chuvas, sempre na hora errada, e por seu vinho.
Após 3 dias de excursão pelo Great Ocean Road, aportei a essa cidade. Havia três caras no hostel muito atenciosos comigo, diria que excessivamente. Tudo que eu fazia, se me mexia, se ia a um museu, tudo era acompanhado.
Concluí que eles eram, digamos, “artistas plásticos”. Mas felizmente, um senhor de meia idade, nipônico, muito respeitável, dividia o mesmo quarto, e não tive problemas. Conversando com o japonês Suichi (o do incidente do queijo), ele observou:
- Tá vendo aqueles três caras, ali na cozinha?
- Sim, estou, dividem o quarto comigo.
- Pois são todos viados. Não tem jeito.
- Well, eu já suspeitava. Felizmente, dividimos o quarto com aquele senhor ali, ao lado deles. Ele não fala uma única palavra em inglês, mas é bem distinto e confere respeitabilidade ao quarto.
- Pois é o rei da viadagem nesse hostel. Insaciável, tem atuação destacada em outros albergues da cidade, onde é conhecido como a grande mulga.
- Oh, no!
- Oh, yes! Aqueles rapazes têm muito o que aprender com a velha mulga, ora se têm...
Adelaide, dezembro de 2004.
Uluru
Caminhar em torno a esse maciço rochoso compensa qualquer sacrifício da viagem (aí incluídos vôos pela Virgin e ônibus quebrado no meio do deserto).
Circundam-se 6 km de surpresas ininterruptas. Borges registrou, sobre uma caminhada igualmente heróica: “em vão esgotei meus passos; o negro embasamento não registrava a menor irregularidade, os muros invariáveis não pareciam consentir uma única porta.”
Certas coisas, como a laje em forma de onda, as várias cavernas e saliências, e os indefectíveis paredões com 200, 250 metros de altura calaram-me, despertando a fúria fotográfica. São grandiosos os dispêndios da natureza.
Subi a uma pedra para uma foto. Parecia a mais simpática e foi a primeira a me derrubar. A certa altura, parece que o paredão foi penteado por um cabeleireiro delirante.
Próximo a esse monólito, outro tumulto lítico: Kata Tjuta.
São rochas dispostas como um bolo não isento de loucura, vasto, obrigando a vista a contorcionismos verticais. Fatigamos suas veredas, e soubemos da intenção desse aparelho.
"É impossível existir pedras tão soberbas", pensei. Olhei para os fios de água enferrujada dessas profundas redes de pedra e corrigi: "não só existem como dispensam almas líquidas".
De Uluru (Ayers Rock) segue-se até Little Puta Puta. Perdão, mas é isso mesmo. Pouco mais à frente, a própria, a virtuosa Puta Puta. Um nome que, não fossem outras objeções, ainda teria contra si um pleonasmo.
Mesmo isso é ninharia, perto do nome de um local sagrado encravado em Uluru: Mala Puta. Como foi que eles chegaram a um nome desses, nem o bom Deus sabe. Conheci, ainda, um interessante local chamado Putaruru, numa região, já viram, de nomes realmente originais.
No Red Centre, as pessoas falam como texanos, com voz largadona e tirando a Pato Donald (uma americana, do estado de Washington, com quem repercuti essa impressão, limitou-se a exclamar, apiedada: so funny!).
Os cabelos devem ser conservados rigorosamente desgrenhados; a roupa, amassada (estilo guardei numa garrafa), a camisa precisa estar aberta e os cadarços, soltos. A barba, sempre por fazer, e garrafas d’água na cintura, à guisa de revólveres.
Não tive problemas para incorporar o figurino, menos a fala, é claro (conservo a fala campo-grandense, com portas e corguinhos rascantes).
O aspecto geral, tipo “que me leve o diabo” é assimilado com grande facilidade pelos mochileiros, que já chegam aclimatados, de tão previdentes.
Chapéus são bem vindos. Se você não tem um, bem, você vai precisar de um.
Alice Springs, dezembro de 2004.
O idioma
Grandes são as alegrias de aprender outro idioma. Por algum motivo, que ora me foge, não as experimentei ainda, de sorte que fui descobrindo aos poucos que o inglês não é exatamente uma província do português.
Imagine o leitor que eu só conseguia pronunciar confiavelmente os números até doze. Isso mesmo, só até doze.
Ten, por exemplo, considero um número bom e cristalino: ten. Enough. Já o nine, o seven e o eleven, todos eles fáceis e plenos de méritos, são números de ampla aceitação. Até o 5, a única dificuldade é o 3. Quantas vezes o confundi com o 2, e vice-versa... Por algum motivo, as pessoas insistiam no 3, eu no 2.
Em minha simplicidade, pensei um mundo em que não precisássemos de números maiores que 12. Ora, se adicionarmos o segmento negativo da escala (-1, -2 ...) e o zero, que é zero em qualquer idioma que se preze, teremos aí garbosos 25 números!
Sabe-se lá quantos quatrilhões de combinações são possíveis com 25 números?
Well, eu estava errado. E acabei descobrindo o número 20. Gente, twenty é demais. Quando o descobri, parecia que todas as portas de um ilimitado mundo se abriam. Se me perguntassem quantos filhos tenho, quantos dias ia viajar, quantas línguas falo, quantos dedos tenho em cada mão (uma das perguntas prediletas dos agentes de imigração), a resposta seria mesma e única: twenty, cheia de orgulho.
Infelizmente, entre o 12 e o 20, temos as atrozes fraudes do 13, 14, etc. Tive muitos problemas com o 13, um número feroz, como se sabe. Toda vez que o pronunciava, as pessoas ouviam 30, e vice-versa, gerando não pouca confusão.
Desafortunadamente, reservei 13 dias na Nova Zelândia, e logo todos passaram a me considerar um vadio: 27 dias na Austrália, 30 na Nova Zelândia e 12 no Chile... Mudei minha passagem, para ficar apenas 12 dias na Nova Zelândia, resolvendo de uma vez o problema e calando os críticos (existia um outra saída: uma consulta ao dicionário. Não sei se funcionaria. Há qualquer coisa de irrevogável na transmutação das cifras; seja como for, não fatiguei meu modesto dicionário).
12 dias na Nova Zelândia e 12 no Chile são a justa medida, qualquer um sabe disso.
Assinar:
Postagens (Atom)


















