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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Torres del Paine
Há certos encantos em Paine que não sei a que atribuir. Não são só torres de dois mil metros de granito matizado. Nem é o lago verde em sua base, onde grassam todas as patifarias e incontinências do vento. São muitas as felicidades da Patagônia, chilena e argentina, que não se reduzem a montanhas de alturas vertiginosas ou a gelos azuis de 700 anos que fazem amantes de uísque de todo o mundo suspirar.
domingo, 30 de janeiro de 2005
O idioma
Grandes são as alegrias de aprender outro idioma. Por algum motivo, que ora me foge, não as experimentei ainda, de sorte que fui descobrindo aos poucos que o inglês não é exatamente uma província do português.
Imagine o leitor que eu só conseguia pronunciar confiavelmente os números até doze. Isso mesmo, só até doze.
Ten, por exemplo, considero um número bom e cristalino: ten. Enough. Já o nine, o seven e o eleven, todos eles fáceis e plenos de méritos, são números de ampla aceitação. Até o 5, a única dificuldade é o 3. Quantas vezes o confundi com o 2, e vice-versa... Por algum motivo, as pessoas insistiam no 3, eu no 2.
Em minha simplicidade, pensei um mundo em que não precisássemos de números maiores que 12. Ora, se adicionarmos o segmento negativo da escala (-1, -2 ...) e o zero, que é zero em qualquer idioma que se preze, teremos aí garbosos 25 números!
Sabe-se lá quantos quatrilhões de combinações são possíveis com 25 números?
Well, eu estava errado. E acabei descobrindo o número 20. Gente, twenty é demais. Quando o descobri, parecia que todas as portas de um ilimitado mundo se abriam. Se me perguntassem quantos filhos tenho, quantos dias ia viajar, quantas línguas falo, quantos dedos tenho em cada mão (uma das perguntas prediletas dos agentes de imigração), a resposta seria mesma e única: twenty, cheia de orgulho.
Infelizmente, entre o 12 e o 20, temos as atrozes fraudes do 13, 14, etc. Tive muitos problemas com o 13, um número feroz, como se sabe. Toda vez que o pronunciava, as pessoas ouviam 30, e vice-versa, gerando não pouca confusão.
Desafortunadamente, reservei 13 dias na Nova Zelândia, e logo todos passaram a me considerar um vadio: 27 dias na Austrália, 30 na Nova Zelândia e 12 no Chile... Mudei minha passagem, para ficar apenas 12 dias na Nova Zelândia, resolvendo de uma vez o problema e calando os críticos (existia um outra saída: uma consulta ao dicionário. Não sei se funcionaria. Há qualquer coisa de irrevogável na transmutação das cifras; seja como for, não fatiguei meu modesto dicionário).
12 dias na Nova Zelândia e 12 no Chile são a justa medida, qualquer um sabe disso.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2005
Torres del Paine
Chego agora de Torres. Depois de duas horas e meia de onibus, chega-se à entrada do parque nacional. Daí, um transporte até uma hosteria. Essa é a parte fácil.
Daí, à pé, montanha acima.
A estrada começa com uma ponte dançante, que logo te sugere a encosta. Começamos a subir, eu e uma bonita americana, desafiando um vento fortíssimo, sem igual. Ela, que vinha de três dias nos andes peruanos e tem experiência em montanhismo, disse que nunca vira nada parecido. Muito menos eu.
Alguns dizem que o vento pode chegar a 100 km/h. Para mim, ele partiu de 100 e deve ter chegado facilmente a uns 180 km/h, no mínimo.
Nos agarrávamos às pedras (às pedras, vejam bem), corpo colado, pernas coladas, pés colados, tudo apoiado nas pedras, e o vento tentando nos convencer do abismo.
Houve um momento, já quase chegando ao refúgio chileno, em que ficamos muito tempo sem dar um passo, agarrados às pedras, o abismo se abrindo à nossa frente, o vento açoitando, todo se rindo de nossa fragilidade.
Mas aí chegamos, paramos um tempo para chocolates, frutas, castanhas, água, e depois partimos para a base das torres propriamente ditas.
Caminha-se por um bosque muito agradável, com subidas e descidas suaves, e chega-se ao pé da morena. O argumento final dessa caminhada de 14 quilômetros é uma cascata de pedras com uns 600 metros de altura. Você tem de escalá-la, se quiser acercar-se dos maciços graníticos.
Subimos, subimos, e nada. Uns japoneses, em descida, nos disseram que faltavam só "uns dez minutinhos". Sádicos.
Subimos, subimos, e então chegamos, resfolegando.
As três torres (quatro, na verdade), são como edificios gigantescos, perversos em sua verticalidade, com um lago por vezes verde em sua base.
Não vou tentar descrevê-las, o que deixo às fotografias, mas afianço que são majestosas.
O vento não te abandona um segundo, mas muda de direção. O tempo todo contra e, de repente, já quase no alto, começa a soprar a favor, empurrando para cima, induzindo pânico adicional, à vista de pedras gigantes, pouco amistosas.
Mas foi fantástica a caminhada.
Ficamos um tempão lá encima, tiramos vários fotos, que logo revelarei. Pausa para o lanche, mais fotos, e regresso. Na descida, uns italianos esbaforidos perguntaram quanto tempo faltava para o topo. "uns dez minutinhos", pois sim.
Harvest, a americana, ficou no camping da base, aos pés das torres. Eu fiquei no refúgio, a 45 minutos pelo bosque. Aguardava-me um jantar o mais maravilhoso que já provei, haja vista a fome. Primeiro, uma sopa de legumes, a coisa mais saborosa, depois um frango com arroz, bem ao gosto brasileiro. Depois, uma sobremesa (com a fome domada, a sobremesa não me convenceu) e depois, cama.
Dormi umas dez horas sem parar, e só acordei com a sinfonia de despertadores dos montanhistas, prontinho para o café-da-manhã.
Nunca havia ficado em um refúgio de montanha, e a experiência de ver as torres através da alta vidraça, e os pingos de chuva, e um vento cortante lá fora são coisas difíceis de esquecer.
Hoje eu poderia ter montado a cavalo, para ir à Lagoa Azul (de onde se avista as torres), mas preferi voltar a Natales e descansar. Amanhã volto ao parque, para outra aventura, dessa vez em outro refúgio.
P. Natales, 14 de janeiro de 2005.
terça-feira, 11 de janeiro de 2005
Puerto Natales
Cheguei ao extremo sul chileno, região de Punta Arenas. Àquela cidade chega-se de avião. Daí, um ônibus para Puerto Natales, cidade distribuidora do turismo na regiao de Torres.
No meu caso, ao chegar não achei ônibus (um sujeito, logo após garantir que havia, sumiu sem deixar vestígios). Juntamente com um casal australiano na mesma desventura, pegamos um táxi até Natales. Sao 3 horas em uma estrada muito cênica (a planície patagônica), sob sol até as 11 da noite.
Natales e uma cidade muito pequena, repleta de restaurantes e casas voltadas para o turismo. E turistas.
Hoje fui ao parque de Torres del Paine. Infelizmente choveu, e fez frio, e a visita não resultou proveitosa. Amanhã descanso um pouco e devo voltar ao parque, para outro tipo de visita. Mesmo na chuva, Torres me pareceu impressionante, nos poucos minutos de sol que tivemos.
Já a geleira que visitamos é bem inferior às de Perito Moreno, bem perto daqui, no lado argentino. Talvez eu vá à Argentina, se o tempo aqui não melhorar.
O hostal em que estou tem um bom café da manhã, e um quarto só pra mim.
Por ora, é só.
Puerto Natales, 11 de janeiro de 2005.
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