Pensei que tivesse visto tudo em termos de castelos, jardins e palácios.
Mas Granada é a última palavra em arquitetura medieval. É simplesmente a mais impressionante que já visitei. Eu considerava Paris a cidade mais importante que já conhecera. Bem, Paris é Paris, e não tem nada a ver com Granada, então... well... Querem saber? Esqueçam essa história de Paris. Nem sei por que fui mencionar Paris... O importante é fixar que Granada é desconcertante).
A cidade é mais do que consigo colocar em palavras, de modo que vou deixar as fotos falarem (diabos! Acabo de lembrar que minhas fotos não estão à altura desta cidade).
Hoje fui à Alhambra. Trata-se de um alucinado complexo de castelos, palácios, jardins, fontes, tudo interminável, tudo interligado por labirintos aqui e ali guarnecidos por uma placa indicativa.
Não vou tentar descrevê-la. Está além de minha capacidade expositiva falar de Alhambra. É um alentado projeto de expansão e encontro de delírios. Você entra por uma alameda, e logo está defronte a ruínas monumentais. Desce por uma via e logo está sediando o Palacio Carlos V (não tenho certeza se é Carlos V ou qualquer outro nome...).
Por fora, um palácio convencional, quadradão, em pedras. Por dentro, o retângulo trabalha um caminho circular repleto de colunas, num pátio arrasador.
Saindo, bem em frente, começam as loucuras do Alcázar. É um castelo medieval onde abundam os altos parapeitos, as miradas de alturas vertiginosas, e os passadilhos com íngremes escadas.
No seu interior, um labirinto de alvenaria sob o sol denuncia guerras e gritos de soldados na confluência de eras alfim superadas.
Para sair usa-se um jardim, com água refrescante e bancos acolhedores.
Depois, o palácio.
Foi construído segundo princípios pouco claros de delusões.
São intermináveis o jardim, a abóbada, as colunatas, os espelhos d´água, os signos da arte e escrita moura (há três divisões principais dessa arte. Deixo aos historiadores os detalhes).
Num jardim alguns leões resolveram sustentar publicamente uma fonte. Noutro, também interno, lembro-me que quiseram um espelho d'águas de um verde profundo, com miradas de palácios por todos os lados.
Não longe dali (seguindo o mesmo sonho), um retângulo abastecido com colunatas com avances nos segmentos menores.
Em uma palavra: MONUMENTAL!
No conjunto (Catedral, Cartuja, Capela Real, Bañuelos, monastérios), penso que Granada não pode ser superada por nenhuma outra cidade conhecida.
Acometeu-me fúria fotográfica, e liquidei 1 GB de memória, ou quase, e mais 3 filmes. Não se consegue parar de fotografar.
Depois de 5 horas (que me pareceram 8), voltei, para o almoço (paella - troquei o bacalhau, em Portugal, pela paella, não sei com que resultados).
Depois da siesta (ninguém é de ferro), fui ao bairro mourisco e de lá ao mirador, para ver a... Alhambra (do alto e de longe). No caminho, uma família de gansos nadava no riachinho que corre rente a uma momentosa muralha. Não me arrependi.
Tirei outras fotos, andei um pouquinho e voltei, exausto.
Agora, penso que um jantar cairia bem. Pensando bem, vai cair mesmo.
Abraço.
Granada, 2 de junho de 2005.