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terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Deixando a Tailândia

Amanhã terei tempo para resumir a estada, já que um pais não se resume. Agora, pizzaria, para comemorar. Hoje fui ao Outback de Siam Paragon, para o chope australiano acompanhado de costelinhas de porco bem tostadas.
Estava realmente bom, mas sem superar a de carneiro, degustada em Brasília.
E recomeçou a ração diária de sorvete Häagen Dasz.
Só uma coisa me preocupa: mudei a versão do blog hoje, e talvez não tenha acesso a ele.

Patpong

Umas moças realmente habilidosas, e muito desinibidas.
Fumam, tocam corneta, jogam pingue-pongue, acertam balões, que explodem. Fiquei um tempinho num desses bares de Patpong, bastante liberais.
Quando saí, uma moça apagava as velas de um bolo de aniversário, não sei de quem.
Os turistas inundam o lugar, na imprevisível noite de Bancoc.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

O delito

Num acesso - pouco edificante - de insensibilidade ecológica, comprei presas de elefantes no Camboja. Eram duas enormes peças, pesando uns 18 quilos, de um marfim ricamente matizado em tons de amarelo. Sem me importar com a ameaça de extinção do elefante asiático, e tampouco com a suspeita de ilegalidade da aquisição, comprei-as a módica quantia, e estava feliz com a façanha. Parecia que eu triunfara sobre a fera na indevassável selva cambojana. Depois desse dia, um sonho, recorrente: um rio de gárrulos elefantes dava voltas e mais voltas em torno a uma pedra que podia ser os restos de uma estrela, mas também era meu túmulo, e ardia. Eram elefantes negros, ferais e banguelas. A horrenda ciranda seqüestrava os sonhos, multiplicando recriminações e remorso. Hoje, no aeroporto de Chiang Mai, oportunos guardas vieram me absolver de meu crime, confiscando as presas, espero que para sempre. O comprovado fato de serem presas falsas não me socorreu, porquanto as feras seguiam crescentemente destroçando minhas noites. Com júbilo, com alívio passei adiante esse pesadelo, e espero que ninguém mais dele se aposse. Com o tempo, possa eu esquecer o delito, e os sonhos retomem seu curso mais pacífico. Chiang Mai, 16 de janeiro de 2006.

Elefantes

O que os tailandeses chamam fazenda de elefantes é, em verdade, um parque de diversões. Ali, elefantes são treinados para impressionar. Na chegada, os turistas dão cachos de bananas e canas-de-açúcar cortadas. Eles pegam com a tromba e levam a suas bocarras, com destreza e volúpia. Depois, um banho no rio, e brincadeiras de molhar turistas com jatos d'água. O futebol de elefantes é hilário e muito instrutivo. Eles são espertos, diretos e, ao contrário dos humanos, não fazem falta. O jogo é jogado; são todos contra todos e não há juiz. O goleiro é hábil, evita muitos gols, mas os atacantes são aplicados. A certa altura, depois de mais um gol de bola parada, o elefante goleiro (não confundir com um goleiro-elefante) dirigiu-se à torcida pedindo desculpas. Muito natural: é um elefante asiático. Nesse momento, um dos jogadores (o mesmo que gira sua tromba como um hélice, de forma bem pouco conspícua), aproveitou a contrição para marcar mais um gol. Entrou com bola e tudo. A comemoração foi no estilo americano: espalhafatoso, exagerado, desrespeitoso. Depois, o mesmo elefante se entregou aos prazeres da pintura. Nao é que o bandido, rei da sem-vergonhice na fazenda, tem estilo impressionista? De onde eu estava, via-o pontilhar a tela, todo se gostando das zombarias que proferia. Comprei um quadro, à saida, só para descobrir que fora pintada pelo cara (sua foto acompanha o quadro). Agora, não sei que fazer com a pintura. As visitas a essas fazendas são divertidíssimas. No dia seguinte, numa outra fazenda, elefantes menos exibicionistas, mas não menos habilidosos, jogavam basquete. Um deles tomava a bola com a tromba, dava uns passinhos de bailarina, na ponta das patas traseiras, um pulinho e... Cesta! Todas as vezes que arremessou, chuá!, sem aro. O mesmo paquiderme batia pênaltis com as patas, dianteiras ou traseiras, sempre balançando a rede. Também marcava gols de calcanhar, esse artilheiro desmedido. Depois, contato com a torcida, de preferência para um suculento cacho de bananas. Disse, linhas atrás, que esses elefantes são treinados para impressionar. Em verdade, essas adoráveis criaturas demonstram personalidade e inteligência raras, e cabe abolir qualquer treinamento. PS: o elefante artilheiro/pintor é uma elefanta adolescente. Phuket, Tailândia, 18 de janeiro de 2006.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Tailândia

A Tailândia desconcerta. Imaginem que um insensato demiurgo resolveu instalar o rio Paraguai bem no meio da cidade de São Paulo, com direito a exuberantes camalotes migrando através de suas águas, verdes. Imaginem esguias pontes cruzando esse rio; palácios e templos dourados crivando suas margens. Imaginem um povo em grande cópia e contínua ebulição, numa cidade do tamanho do Rio. Agora, adicionem coleantes canais visitando bairros e freguesias, numa versão esmeralda e tropical de Veneza. Acrescentem prédios modernos, com capitólios encimando soberbos pagodes, e shopping centers enfileirados um após outro, em louca repetição do apelo consumista, tudo coroado por um calor senegalês: não por nada esse delírio se chama Bangkok. É uma alegria estar aqui.