segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Internet na Austrália

Chegada à Austrália. Como não foi possível antecipar o vôo, tive de me socorrer da internet para avisar o albergue em Hobart. Na primeira máquina, de modo algum os símbolos pintados no teclado correspondiam aos da tela. Para se digitar uma senha, primeiro você tem de digitá-la num campo normal, aprender todos os caprichos do teclado e finalmente se encaminhar para o campo protegido. Se desse tempo: cada tela demora cinco minutos para ser montada, ou seja, duas telas somam um dólar. Vocês não fazem idéia de como é maravilhoso ver o trabalho de montagem, a página lentamente (bem lentamente) surgindo, as propagandas aparecendo, o campo azul cada vez mais azul, os banners, os aviõezinhos que vêm e vão na tela, aspergindo propagandas... e um dia a página está lá, completamente, pronta para seu exclusivo uso e particular deleite. Ou quase: na verdade, falta o cursor, que se atrasou um cadinho. Nos próximos dólares ele aparece, em lento gotejar, quase pronto para permitir o input. Foi mais ou menos o mesmo há uns três anos, quando fiz uma ronda pelo país.
É rigorosamente incorreto concluir, com base nesses poucos exemplos, que a internet na Austrália não funciona e quem o disser será digno de censura. Já quem disser o contrário merece uns bons açoites.

Tasmania

Ano novo. Comemorações. O dia acima e abaixo num parque nacional. Águas azul-turquesa insuspeitadas nestas latitudes. Freycinet reúne praias, montanhas e florestas numa península decorosa, que se expande para o sul enquanto ilhas: Maria e Tasmania, custodiadas por fervorosas aves. Fiz o registro dessa ocorrência. O resultado? Importa? À noite a cidade se reuniu num espaço ao lado do porto, para comidinhas. Tinha de tudo. Fui de ostras, escalopes, costelinha de cordeiro e calamares com cogumelos. Não sei em que ordem. Sim, acompanhados por chope. Que estivesse maravilhoso, é fácil explicar: tudo da Tasmânia, e fresquinho. Mesmo assim as ostras não têm explicação. Momento raro. Depois, as cerejas. Sabem, num albergue, as pessoas se tornam insensíveis, quanto à comida. Cada qual é seu próprio chef, e não comparte o prato, exceto com a sua turma, previamente estabelecida. Não tenho turma. E não confio em mim na cozinha. Então, cheguei com uma caixa de cerejas, e rapidamente fui às vias de fato. Eles bem que tentaram, mas as cerejas da Tasmânia, de um carmim profundo, brilhando, redondas e tenras, foi demais pra eles. Mantive a calma. Regras são regras. Se eles não dividem a comida, não dividem, está dito. Não seria eu quem iria questionar tão antigos estatutos. Contudo as lágrimas brotaram, mesmo nos mais insensíveis mochileiros, à medida que as cerejas foram gulosamente sorvidas, o sumo de vitoriosas montanhas desaparecendo em meu paladar, paralisando meus sentidos. Deixei a caixa exangue, após a última cereja, repleta de talinhos e sementes, redondas. Isso de regras, tem de ser levado a sério. Espero que eles tenham aprendido a lição. Comidinhas II. Na noite seguinte lá estava eu, para nova farra gastronômica. Três bandas tocavam, às vezes simultaneamente, em locais distintos. Tinha uma banda bem ritmada tocando uns blues fortemente batucados, uma bandinha de rock e uma família tipo The Corrs tocando coisas tipo The Corrs. Não me deixei levar por essas distrações. Calamares com cogumelos, guarnecidos por uma salada e ostras, novamente. O casal de italianos degustava uns queijos artesanais quando eu cheguei com uma ostensiva e escandalosa lagosta da Tasmânia. Por mais que os queijos de Brunny Island porfiem em sabores, bem, não são páreos para uma lagosta. Seja como for, os italianos reconheceram o erro e colonizaram a mesa com uma variedade delas. Esses italianos têm muito o que aprender. III. Brunny Island Foi o mais divertido passeio. Leões marinhos, aves, paredões com penhascos alcantilados, entre os quais deslizamos numa lancha rápida, o azul-turquesa da água. Fotografar numa lancha a mais de 50 km/h não é tarefa simples. Fotografar aves e leões marinhos, nessas condições, exige preparo físico. Fotografei enquanto o braço agüentou. Na volta, albatrozes davam rasantes em busca de peixe. Entre as maiores aves do mundo, o albatroz é um pescador formidável. IV. Demônios, Wombats, Coalas, Cangurus e Corujas O Demônio-da-Tasmânia é um pequeno, gritão e mal-humorado marsupial. Lembra um gambá, numa versão predador. Coalas e wombats são ursinhos de pelúcia vivos. Dóceis, preguiçosos e carinhosos, eles fazem a alegria de fotógrafos diletantes, como eu. A coruja comedora de sapos é impressionante. Enorme, ela de repente abre um profundo e preocupante bico para você. É sua idéia de pose. Como se vê, é fácil tornar-se um tasmaníaco.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Australia

Depois dos temperados dias da Tasmânia, encontrei um calor tipicamente brasileiro em Melbourne.
Os australianos são um povo realmente animado, cortês e simpático. Você ve australianos rindo quase o tempo todo, um bom humor contagiante.
É um pais em que eu gostaria de morar (impossível, antes da aposentadoria, além do horizonte).
Austrália, um gigante amistoso e cheio de atrações imperdíveis, concluo.
Depois das trapalhadas da Qantas, tive um dia sabático (se for possivel um dia assim em viagem de férias). Não fiz absolutamente nada, nem a programada visita ao centro de Melbourne.
Valeu.
Agora é Nova Zelândia, com certeza.

Melbourne

De volta a Melbourne, depois de um dia de espera no aeroporto de Hobart. Foi uma experiência interessante ver que a bagunça não é só no Brasil. Eles ofereceram estadia no Holiday Inn, a título de escusas.
Agora, relaxar, jantar e preparar-se para a Nova Zelândia.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Jantar no dia primeiro

Restaurante chinês.
A moça me informou não haver mesa, apesar das evidências em contrário. Arrisquei, mesmo assim, perguntar se mais tarde, quem sabe...
Ela me respondeu com um tolo e fatal talvez.
O resultado é que a rede de hotéis Accor ficou 26 dólares australianos mais rica. Cordeiro assado, com salada. Inteiramente à altura de uma comemoração de novo ano.

Deixando a Tasmania

Hoje fotografei o diabo-da-Tasmânia. Bichinho manhoso, só queria dormir.
Deixou-se fotografar, comeu, deu uma voltinha e foi dormir.
Ora se não era um diabinho tentando ser simpático...
Depois, registrei os coalas e seus parentes, os wombats. Sao ursinhos de pelúcia com um grande e apropriado nariz. Uma enorme coruja se submeteu aos cliques. Ela abria o bico com desenvoltura, título de fazer pose.
Por fim, cangurus soltos, à vontade.
O festival de comidas acabou hoje, daí ter me contentado com peixe, camarões e escalopes no porto. Não sem antes finalizar o bom vinho pinot noir. Da Tasmânia.
Amanhã, de madrugada, voo para Melbourne, para uma visita antes da Nova Zelândia.
Não há do que se queixar.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Hobart

Hoje, aventuras nas cercanias de Hobart (eles pronunciam róibar). Montes de fotos.
Penso agora em Melbourne, já que amanhã tenho dia "livre" (isto é, não programei nada).
Depois, Auckland, aí a coisa já estará pelo meio.
Grande idéia.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Tasmânia, primeiras impressões

Falei cedo demais do albergue. Não é tão ruim assim. E tem o salutar hábito de colocar mulheres e homens no mesmo quarto (para ver no que dá).

Hobart e bem pequena, mas o entorno é cheio de atracoes. Fui ai Monte Wellington. A visão é espetacular. Parecida com a Montanha da Mesa, na cidade do Cabo, mas fica bem próxima a Hobart.

E você não precisa escalar nada. Chega de carro ao topo.

Esse negócio de quartos mistos, até agora não deu em nada. Mas quem sabe, né?

domingo, 30 de dezembro de 2007

Hobart

Albergue barato em Hobart. Barato, nao diria bom.
Amanha verei o que posso fazer. Tambem tenho que ver os passeios. Enfim, cai de paraquedas na tasmania.

Melbourne

Estou no aeroporto de Melbourne, esperando o vôo para a Tasmânia. Demoram cinco minutos para a montagem de cada página da internet. O mesmo que há 3 anos, em Alice Springs. Não é correto dizer que a internet na Austrália não funciona e quem o disser merece censuras. Tampouco é certo dizer que funciona... Espero que na próxima visita tenha dado tempo deles consertarem isso.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Changi

No aeroporto.
Mais uma vez, esqueci de tentar antecipar o voo. Nao aprendi com os erros, como se ve. Inda assim, da para curtir internet gratis.
Vim de metro, como deve ser, mas a viagem e mais trabalhosa que em Hong Kong. Daqui a pouco sai o voo para Melbourne. Chego as nove e pouco.
Ate.

Despedida (dessa vez vai)

Saio agora para o aeroporto. Cingapura é cidade para se conhecer em 48 horas, nao mais que isso (sem desmerecer a ilha).

Fiquei mais tempo devido aos vôos, complicados. No final, um passeio pela rua Orchard, um mar de gente comprando, flanando. Fui até onde a multidão consentiu (hotel Marriott). Àquela altura a massa humana, cerrada, me impediu de prosseguir. Sendo a Tasmânia ilha menos povoada, acho que vou me dar bem.

Notas - Cingapura

1. Hong Kong. Restaurantinho pequeno, familiar, aconchegante. O gerente-garçom atende em inglês. Com fome desmedida, peço dois pratos principais. Ele me repreende: - É muito, para pessoa tão pouca. Escolha um prato. - Me faz um peixe? Meia hora depois chega o peixe, fumegante, atraindo olhares dos fregueses, em regime de inveja. Tempero com apelo tailandês, o que quer dizer algumas lágrimas durante o jantar: pimenta, gengibre e uns talos de estranhos vegetais. O peixe explodia sabores em todas as direções. Divino. E o gerente tinha razão: eu não conseguiria comer mais nada naquela noite. Custou uns doze reais, chá incluído. 2. Cingapura. Comida italiana (pasta) se encontra em todo o mundo. Lembro de uma pizza numa cidadezinha da Austrália. Um escândalo de sabor. Não me lembro de nada igual na Itália, Argentina ou EUA. Comi uma pizza bem convincente aqui em Cingapura. Massa fina, crocante, ingredientes bem escolhidos, presunto parma menos marcante do que deveria. Fica a saudade da Cantina Romana, a casa de massas onde os garçons me chamam pelo nome, e eu a eles. 3. Carestia. Em Budapeste tudo é caro, à exceção do hotel. Cingapura não consente exceções. Num país islâmico a cerveja custa umas quatro vezes o equivalente no Brasil. Parei com cervejas. Exceto um chope weiss, bávaro, muito amigo, cheio de credenciais e um sabor marcante. Seis dólares, no happy hour. 4. Moda local. Os “cingapurinos” moram em pombais verticais deprimentes. São cohabs de 30, 40 andares, tudo igual, com roupas estendidas em inacreditáveis varais de alturas vertiginosas. A mesma moda de Hong Kong. Pensando bem, a mesma moda de Lisboa (exceto quanto à altura). Não haveria modo menos arriscado de secar roupas? Eu jamais deixaria minha cueca (única) tremulando a 100 metros de altura, ah, não senhor. Em Cingapura os guias dizem, a toda hora, que determinada coisa é “a maior” ou “the finest” do sudeste asiático. Suponho que Cingapura também abrigue o varal mais alto, ou mais insensato, do sudeste asiático... 5. Politiquinha. a) Pervez só precisou municiar um lunático para se livrar de Benazir. Como é fácil a vida dos ditadores... b) Serra e Aécio conseguiram, no episódio da CPMF, ser mais malandros que Lula (o que é raro). Fingiram apoiar o governo, enquanto preparavam o enterro do imposto, para enfraquecer Lula e o PT. Perdida a receita, o governo inda lhes deve dinheiro. Nada mais edificante que a política. 6. Nomes. Incrível a quantidade de fionas encontradas aqui Ásia, ultimamente. Em todo passeio, não há direção que eu olhe sem me deparar com uma (normalmente indiana). Não há nada de errado em se chamar Fiona (em que pese ser esse o nome da mulher do ogro Shrek). Ocorre que, na maioria das vezes, sou obrigado a introduzir, mentalmente, um e antes do i e logo depois do f, para adequar o nome à pessoa...

Sol

Sol lá fora, convite para olhares e cliques.
Férias são assunto sério...

Mensagem de fim de ano do Josias

Todo fim de ano reproduzo, sem o menor pudor, uma postagem do Josias. Vejam as loucuras do cara:
O signatário do blog anuncia aos seus 22 leitores que é um novo homem. Às portas de 2008, se deu conta de que quem ele era não estava preparado para enfrentar os desafios de um novo ano. Foi bom enquanto durou. Mas agora chega. Quem lhes escreve é outro. Manteve o mesmo nome. Trocar os documentos daria muita dor de cabeça. Mas é uma pessoa inteiramente diferente. Para começar, desistiu do trabalho. Abraçou o ócio. Até meados de janeiro, numa espécie de projeto piloto de sua nova identidade, o repórter vai desfrutar de um velho privilégio: verá os proventos ingressarem na conta bancária sem despejar uma gota de suor. De resto, abandonará todas as antigas convicções.
(...)
Embora seja agnóstico, o repórter prestará redobrada atenção à coleta da megasena. Se acumular, jogará. E oferecerá a Deus uma chance de provar que existe. Se Ele não der o ar da graça, o blog voltará à velha rotina em 15 de janeiro. Estará provado que, fora da política, a metamorfose tem um limite. O limite das dívidas que vencem no final do mês. Não restará senão retomar o senso prático e voltar a encharcar a camisa para reencher a geladeira. Portanto, fique atento. Se o repórter não retornar em poucos dias, é porque recebeu um sinal divino. PS.: Como diz Marcelo Tas, blog é como delegacia de polícia. Não fecha nunca. Nem quando está em processo de metamorfose. Até a volta. Isso, claro, se Deus não conseguir demonstrar que existe.

Escrito por Josias de Souza às 03h25

Sem o mesmo privilegio do Josias, vou continuar suando a camisa aqui na Asia (e escrevendo neste blog).