terça-feira, 17 de maio de 2005

Dourados

Amigos, estou em Dourados, prestes a embarcar para Itaporã. Depois, São Paulo e Lisboa, pois sim. Penso que vou gostar de Lisboa (no sábado, pretendo escrever a respeito). Se não, a Espanha está ali pra isso. Gostaria de agradecer as vultosas quantias que me chegaram, dos amigos e parentes. Eu realmente não esperava uma adesão tão maciça.

sábado, 14 de maio de 2005

Notícias II

Sobre o trânsito de nossa cidade morena, já se disse que o campo-grandense parece eternamente indo socorrer a sogra. Dia desses, um sujeito num Corcel I amarelo-jaca passou-me pela direita e frenou bruscamente, talvez assustado com a própria incúria. Mais à frente ele expulsa um idoso da faixa de pedestre. Num adesivo, o recado e síntese de seu estilo: “oh, glória!”. “Oh, merda!”, pensei com meus botões. Num jipe vermelho estava escrito, numa placa abaixo do pára-brisa: “Deus é fiel”. Na outra placa, em perfeita simetria, o complemento: “eu, não”. II. Como houve especulação sobre o que eu estaria tramando, torno pública a informação de estarei numa viagem de volta ao mundo, no final do ano, além da viagem à península Ibérica, próxima, já noticiada e extensamente debatida. Compradas as passagens, e por instância de amigos, resolvi conceder que cada parente ou amigo contribua para esses momentosos empreendimentos. Anuncio agora que cada qual poderá contribuir com módica quantia (quinhentos reais) para as ‘despezinhas’ da viagem. Mas atenção: ninguém precisa ficar magoado em doar tão pouco: 500,00 é o piso, e nada obsta contribuições mais significativas, fazendo jus a rica amizade. Aqueles que não se contentarem em doar menos de 5.000 poderão fazê-lo mediante depósito bancário, em nome deste modesto escriba. Está dito que só faço isso por insistência dos amigos, das quais não poderia fugir, sem ofendê-los. Campo Grande, 14 de maio de 2005.

Notícias

Depois de tanto tempo sem dar notícia, alguns podem estar se perguntando: “que será que aquele patife está aprontando, dessa vez? Seja o que for, não estou gostando nada.” Outros, insensíveis às minhas necessidades, aduziram: “mas você é mesmo prodigioso, quando o assunto são férias, será que não, hein?”
Redargüi perguntando se, acaso, eles queriam me deixar sem férias neste ano (a verdade é que ninguém advogaria uma iniqüidade dessas). Pois estou arrumando mala. Dessa vez, Portugal e Espanha (se a Varig não falir antes). Assim que aportar àquelas bandas, mando notícias, que pretendo risonhas. Campo Grande, 14 de maio de 2005.

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Três Lagoas

Existe uma regra informal de não falar de viagem de serviço. Não quebrarei essa regra. Ao contrário, direi apenas que estou em Três Lagoas, nas orelhas do rio Paraná. Os colegas de serviço são legais, mas muito brincalhões: de cara ofereceram sashimi de salmão acompanhado de um delicioso caldo de cana. Básico, quando se faz correição. Amanhã volto a Campão, e aí espero colocar as fotografias em ordem, e tratar da próxima viagem. Pretendo ir a Portugal e Espanha, se a Varig não falir até lá. Sou uma pessoa de muita fé. Eu realmente acredito que a Varig não vai falir até junho, e também que os juros vão cair. Também acredito em Saci Pererê e Mula-sem-cabeça. Só tenho um probleminha de aceitação com Papai Noel. Sempre tive isso comigo. Não é nada. É bem pouca coisa. A viagem a Fernando de Noronha, um sumário: Foi a terceira visita (obrigado, Vânia, pelas milhas...), então, já sabia o que iria encontrar. Procurei tirar proveito da nova máquina, digital, mas tivemos muitos dias nublados, e o mar de dentro revolto, levantando areia da praia e turvando as águas azul-turquesa da praia do Sancho. Abusei de fotos de pôr-do-sol, mas elas resultaram sem criatividade. Eu não conhecia os recursos de magnificação de cores, só os de sensibilidade, velocidade e abertura do diafragma. A lua na noite do Buraco da Raquel não empolgou, e todo o trabalho de montagem de tripé foi por água abaixo. Numa das vezes que fui ao forte da Vila dos Remédios, para o pôr-do-sol, enfiei o pé na jaca: na descida de um monte de pedras, o pé direito deslizou para uma saliência, travou e logo a perna passou a funcionar como uma alavanca, e me arrojou sobre pedras. O antebraço e o joelho direito foram leais, mas pagaram com sangue e dor. Eu poderia facilmente ter quebrado a ambos, além de triturar as duas câmeras, à mão. O pé aprisionado doeu muito, mas dali a minutos estava pronto para a próxima. De uma coisa posso me gabar: tenho dois pés respeitáveis e competentes. Não fiz mergulho na ilha, exceto com snorkel. Não vi tubarões e as tartarugas que cheguei a ver estavam na praia, loucas pra voltar pra água. Os restaurantes de Noronha fecham para o almoço, com exceção de 3, que furam o lockout da fome e recebem os famintos. O Tartarugão (à noite) espanca fomes violentas. Não falei, ainda, de Recife. Fui conhecê-la de táxi, pois só tinha umas 20 horas (fruto do atraso do vôo da TAM). Tirei fotos noturnas, que em breve publicarei. Fui ao Instituto Francisco Brennand, que estava fechado. O marco zero da cidade forneceu fotografia original. Também Olinda estava bonita, à noite. Agora, hora de ir. T. Lagoas, 14 de abril de 2005.

sexta-feira, 8 de abril de 2005

Mais viagens

Após tantas viagens, pequenas ou grandes, não sei como mas estou em Brasília. Clima agradável, hotel bom, um verdadeiro refresco, perto da hospedagem recente. Fui a Bonito no final de semana, mas acho que somente a Keila (minha irmã) aproveitou. Sobre Bonito, uma pequena história: Certa vez fiz um passeio à gruta do Lago Azul. Dei carona para uma alemã que morou no Brasil alguns meses. Na chegada, o único local com sombra para o carro era frequentado por um animado grupo de vacas nelore, soltas. A alemã, com seu português cambaleante, alertou-me que as vacas iriam increspar com meu carro, vermelho. "Qual o quê. Bem se vê que você não sabe nada de vacas... Então você acredita mesmo nessa lenda urbana de vacas alucinadas com coisas vermelhas? Tranquila no más." O passeio tava demorando pra burro, e a alemã tinha sumido. Mais de 40 minutos, nada. Já tinha esquecido o assunto das vacas quando volta a alemã, esbaforida: "... as vacas ... lá no seu caro..." As vacas lambiam com gosto meu carrinho, deixando um grande babado na pintura. Um dos lambidos se extendia de fora a fora, e uma delas (a mais bandida) resolveu se coçar em meu retrovisor. Especialmente saborosa a frente arredondada do carro, a julgar pelos babados nessa região. Dei cabo desse despautério, retirando o carro dali, mas elas olhavam com volúpia por sobre a cerca do estacionamento. Que sirva de lição sobre as nossas bovinitudes... Voltando às viagens recentes, depois fui a Aquidauana (hei, é feio perguntar quem é Uana) e Anastácio, cada qual mais quente. Nenhum restaurante bom, nada a fazer. Agora, caí em Brasília. Bons restaurantes e uma ponte a fotografar. Agora que a fotografei, espero ter tempo para, algum dia, baixar os arquivos e remetê-los a um bocado de gente que a essa hora já deve estar impaciente. Grande abraço.

segunda-feira, 28 de março de 2005

Fernando de Noronha

Hello, people! Estou em Fernando de Noronha, aproveitando o feriado. Já fui a todas as praias, fiz um montão de passeios e amanhã vou ao Capim Açu (se tudo der certo). A ilha continua espetacular, o sol impressiona (e tosta) e as pessoas continuam gentis. Tirei (é claro que tirei) um montão de fotos com a câmera digital, e breve terei um arquivo de bom tamanho. A comida é ótima (principalmente frutos do mar e peixes, claro). XoXo... Vila dos Remédios, 28 de março de 2005.

domingo, 27 de fevereiro de 2005

As pessoas

1. O chinês Na excursão por Kakadu Park, um chinês se notabilizou por pequenas brincadeiras, inclusive com Esther (uma holandesa), que o espinafrou. Também chamava a atenção pela voracidade na hora dos lanches, e por tentar ser simpático. No grande barracão repleto de camas, que nos serviu de abrigo dentro do parque, por uma noite, Samy (ou seja lá o que for) lépido subiu para seu beliche. Se subiu lépido, desceu como um raio: – something wrong! – ele disse, só porque a cama estava suja e tomada de insetos. Mas de onde ele tirou a idéia de que poderia dispensar o saco de dormir?

O incidente do estacionamento

Deixei meu pequeno carro no estacionamento do Shopping, para vadiar numa tarde de Sábado. Após um filme, e algum lanche, voltei. Ao acionar a abertura de portas, nenhuma resposta. Mais acionamento e nada. Cheguei bem perto, apontei o dispositivo para os sensores, e nada. Decidi resolver “no braço”: utilizando a chave, tentei abrir a porta. Nada. Mais esforço, revolvi a chave, e nada. - Essa é boa, o que faço agora? - Tentei outras vezes o sensor, depois revolver a chave. Nada, nada. Parti pra ignorância. Resolvido a abrir aquela porta a qualquer custo, soquei e puxei violentamente a maçaneta. Ela cedeu, mas não a porta. “Que demônios!”, pensei, com a maçaneta nas mãos, ao ver uma revista Ele & Ela no banco do carona. Devem ter aberto o carro e colocado essa revista pornográfica, só para me sacanear... Se é verdade que só compro Playboy (para ler as entrevistas), que diabos uma Ele & Ela estaria fazendo em meu carro? Perplexo, sem saber que fazer com os escombros da maçaneta, percebi que o carrinho vermelho, em tudo idêntico, não era o meu. Mais tranqüilo, fui em busca do meu carro, estacionado a poucos metros, dei partida e fui pra casa (toda essa história de arrombar o carro alheio me deixou cansado). Que sirva de lição sobre estacionamentos gigantescos... Campo Grande, 27 de fevereiro de 2005.

Uluru

Por do sol Uluru, originally uploaded by gerson noronha.

Ao amanhacer, o sol redescobre Uluru.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

Uma história carioca

Carlos e a filha subiram ao Corcovado, domingo de frio no Rio. Vinham do Jardim Botânico, insuficiente para o preenchimento de um domingo de Clara. Ela flutuava alegremente numa torrente de momices e garatujas. Enquanto o trem descia a encosta, quis saber se ali havia cavalos. "Florminha" disse o pai, amoroso "cavalos não gostam de montanhas e florestas, comprometidos com a grama, o campo aberto." Mas Clara não se deixou impressionar com essa demonstração de má-vontade. Queria cavalos ali, e ordenou que, dali em diante, todo bom cavalo que assim desejasse poderia habitar aquela floresta, acolhedora. E conferiu-lhes poderes para beberem das muitas bicas e se agasalharem nas nuvens que visitam aquela montanha, especialmente aos domingos. Muitos cavalos atenderam ao chamado, e foram, felizes, guarnecer as encostas, para o gáudio de menininhas que descem a montanha. Lá embaixo, no Cosme Velho, todas querem uma visita à casa de Cecília Meireles, e ao palacete do general onde o Bruxo se casou. Nota-se quanto esses cavalos estão mudados. Alguns vivem em galhos, e são amigos das flores e frutos; outros desenvolveram o vôo, e às vezes cantam, ao sabor das necessidades poéticas das clarisses e joanas. As marianas reformaram a altura e peso desses animais, risonhos; alguns não passam de alguns centímetros, enquanto outros mais e mais se aproximam das medidas de hipopótamos, seus parentes, conforme faz prova o nome. São muitos os encantos, se uma menininha se propõe suavizar o mundo. E toda a natureza lucra com esses aditamentos. Os animais, absolvidos de sua antiga servidão, se dedicam a visitar flores e entoar a primavera. Cavalos são ali facilmente passarinhos. Mas alguns ainda olham, com volúpia, para os verdejantes campos sediados na distância. Clara, uma delícia de criança, agora queria uma visitinha ao Pão de Açúcar. Rio, 13 de junho de 2004.