sábado, 6 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Uma empulhação no Congresso
Fernandão Rodrigues, na Folha de hoje:
Lembro-me de uma "contribuição" incidente sobre a assimilação de tecnologias de ponta, cujo produto supostamente se destina ao fomento dessa mesma tecnologia. Paga-se 10 por cento para utilizar um produto de que o País precisa desesperadamente. Um observador intergalático perguntaria quem foi o inimigo do País que inventou essa bisonhice...
Quanto à coincidência de mandatos, na condição de criado do Estado em todas as eleições nos últimos 20 anos, tenho lá minhas simpatias... Talvez não seja a maior empulhação em gestação no Congresso.
O modismo agora no Congresso é a tese da "coincidência de mandatos". Trata-se de unificar as eleições de todos os cargos eletivos do país: vereador, prefeito, deputados, governador, senador e presidente. Os mandatos passariam a ter cinco anos, sem reeleição para os postos executivos. O Brasil adotou os quatro anos de mandato com chance de uma reeleição só a partir do pleito de 1998. (...) Adversários do modelo sempre sacam do coldre o sofisma sobre a alta taxa de reeleição entre os prefeitos e governadores que disputam no cargo um segundo mandato. Mas essa é a lógica do sistema. O ciclo político é de mandatos com oito anos com uma espécie de mata-burros no meio. Administradores rejeitados ficam pela estrada. Marta Suplicy que o diga. A tese a favor da coincidência de mandatos pode ser resumida em dois pontos: 1) o Brasil pára a cada dois anos, por que as eleições de prefeitos e de vereadores são separadas das outras, e 2) custa muito caro fazer tantas eleições. Primeiro, o Brasil não pára em ano de eleições. Mais de 5.500 prefeitos foram eleitos em outubro. Nenhuma cidade entrou em colapso por causa das campanhas. Sobre o custo das eleições, o valor é bem menor do que a soma das emendas ao Orçamento apresentadas por deputados e senadores. Em democracias desenvolvidas, quanto mais se vota, melhor. Na cabeça de muitos no Congresso, o raciocínio é o oposto. Querem os eleitores votando menos. Suas excelências seguem em marcha batida para consolidar aquela triste máxima: toda vez que um deputado tem uma idéia, o Brasil piora.As eleições no Brasil são, sim, carésimas. Mas existem coisas piores. Estive dando uma espiadinha no sistema tributário nacional e fiquei estomagado com a orgia de impostos e contribuições, criadas como se o mundo durasse só até amanhã e fosse imperioso virar o contribuinte de cabeça pra baixo e extrair-lhe o último ceitil.
Lembro-me de uma "contribuição" incidente sobre a assimilação de tecnologias de ponta, cujo produto supostamente se destina ao fomento dessa mesma tecnologia. Paga-se 10 por cento para utilizar um produto de que o País precisa desesperadamente. Um observador intergalático perguntaria quem foi o inimigo do País que inventou essa bisonhice...
Quanto à coincidência de mandatos, na condição de criado do Estado em todas as eleições nos últimos 20 anos, tenho lá minhas simpatias... Talvez não seja a maior empulhação em gestação no Congresso.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Jalapão
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Juízes
QUANDO INGRESSEI na magistratura, em janeiro de 1989, um magistrado que, na época, não aceitava bem a idéia de que mulheres pudessem fazer parte do Judiciário, disse em tom de chiste que não concebia mulher judicando porque, afinal, Deus era homem e, assim, os juízes só poderiam ser do sexo masculino. Acrescentou, com o gesto de uma lactante: imaginem uma mamada entre um despacho e outro!
Não sei o que mais me chocou, se a discriminação contra as mulheres, que eram em número reduzidíssimo, ou se o fato de, ainda que em tom de brincadeira, algum juiz pudesse se considerar um ser divino -portanto, com poderes absolutos e ilimitados.
KENARIK BOUJIKIAN FELIPPE, juíza de direito, na Folha de São Paulo de hoje.
domingo, 16 de novembro de 2008
O menino
A nossa pupila diz que quantidade de homens há dentro de nós. Afirmamo-nos pela luz que fica debaixo da sobrancelha. Os Trabalhadores do Mar – Victor Hugo – traduzido por Machado de Assis.
Sou o menino que a vida
ensinou demais a sentir;
o que se demora na
lição do sentimento.
Um menino improvável, de
começos extraordinários.
Quem o consultava ficava
melancólico pelo resto da vida.
Eu, que o entrevistei, terei agora de me
dedicar à complexa arte de envelhecer.
16.11.2008.
sábado, 15 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Apartamento
Apartamento 1901,
penúltima chance antes do céu
pelo lado nascente.
Na porta, o nove inclina-se,
flertando a possibilidade do seis.
A vista da cidade média,
casas escalando – não muito rápido –
a colina são bento.
O edifício dispõe em pares as famílias
comunicando-as na praça que é fonte
sob pórticos a balizar nossa indecisão.
O elevador, de gravuras rupestres,
se distorce com a estamparia no aço.
Sabe o regime do prédio.
Indefeso ante aplicados artistas do canivete,
sugere, constrangido, um retrato desses
teens pobrema orgulho dos pais.
Se o 19º é alto demais para que suba a comida,
desço reservado à continência da fome.
A vista do entorno campão:
vacas alternativas
oscilam nos pastos,
fazendas imaginárias.
Novembro de 2000.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
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