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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
sábado, 2 de agosto de 2008
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
Vietnã
Numa noite de 1978 - terão de perdoar eu não precisar a data - às 4 da manhã, centenas de tanques tomaram Lao Cai, cidade da fronteira Vietnã-China. A princípio, seus habitantes pensaram tratar-se de movimentação de seu exército, mas logo ficou claro que aqueles eram tanques chineses, em "visita" que duraria meses e custaria as pretensões vietnamitas no vizinho Camboja.
Os vietcongs (vietnamitas comunistas) haviam escorraçado as legiões americanas e davam um "calor" em Pol Pot, o supremo genocida de um século repleto deles. Os americanos descobriram, muitos séculos depois de Roma vergar sob o peso dos hunos e da China ser devastada pelos mongóis, que os bárbaros podem, sim, ganhar guerras.
De nada adiantou o apoio americano a Pol Pot, em troca da utilização do Camboja para atacar o Vietnã. Nem as reiteradas incinerações de Hanói e Hue.
Com o triunfo inesperado, Pol Pot recebia "atenção especial" do exército vietnamita e a China teve de intervir.
Deng Xiao-ping - vitorioso da perseguição que sofrera de Mao e da "guangue dos quatro", deflagrara naquele mesmo ano o processo de modernização econômica que resgataria a China de 500 anos de indolência, burrice e atraso (alguns anos antes de 1500, a gigantesta classe de burocratas controlada pelos eunucos sofreu um golpe palaciano, e a vasta frota chinesa foi desmantelada, junto com os estaleiros. A China se fechou para o mundo, ao contrário do que faz hoje, com seu superávit de 200 bilhões e comércio de 1 trilhão de dólares, anuais).
O Império do Meio não toleraria hegemonias locais em seu quintal.
Essa história me foi contada por um soldado que participou da guerra, e hoje é guia turistico em Hanói. Seu espanhol é passável.
Indonésia e idiomas
Quando a vasta Eurásia quer se
comunicar com a Grande
Austrália - que compreende as
hoje ilhas de Papua-Nova Guiné e Tasmânia, e a Austrália - utiliza
principalmente uma península (que ora se chama Tailândia, ora Mianmar, ora, ocasionalmente,
Malásia) e milhares de ilhas e ilhotas que às vezes aceitam o nome Indonésia.
Semelhante aos milhares de
ossículos que ligam a mandíbula ao crânio (e que se intrometem na orelha
interna), a Indonésia transmitiu os ruídos da Eurásia à Grande Austrália.
Há pelo menos 1 milhão de anos
(talvez 1,8) o homem habita Java, embora a atual civilização
tenha apenas 4.000 anos e seja originária de Taiwan. Há milhares de anos essa
civilização (chamada austronésia)
domina culturalmente o arquipélago indonésio, que também inclui parte de Bornéu, tomada à força na década
de 1960. A expansão austronésia está, de fato, entre os maiores deslocamentos
populacionais dos últimos 6.000 anos, comparável à substituição dos indígenas
americanos pelos europeus, a partir de 1492.
Bali, esse caldeirão de 140 por 95
km é uma ilha média, para os padrões indonésios. Tem vulcões bem comportados
(mas que às vezes protestam), muitas florestas, campos de arroz por toda parte
e uma superpopulação que fala uma das 374 línguas
da subfamília malaio-polinésia, que
a Indonésia divide com as Filipinas. Todas essas
línguas pertencem à familia austronésia, originária daquela província que se
rebelou sob Chiang Kai-chek em 1959, após o bandoleiro Mao ter tomado a China.
Indonésia, quarta nação mais
populosa do mundo, maior nação de maoria islâmica, é politicamente dominada
pela ilha de Java, e submete-se ao idioma Bahasa. Sobre idiomas, faço grandes
progressos. Bahasa? Aprendi "não vou comprar nada" e "tem ar
condicionado?". Os balineses falam língua própria (conforme já relatado),
que não me interessou. De qualquer forma, é no idioma
de Shakespeare as maiores conquistas.
I can speak english very well.
Pouco importa que eu seja a
única pessoa no mundo a pensar assim. Como se sabe, o Inglês (lingua germânica levada à
Inglaterra pelos ancestrais dos dinamarqueses, e que substituiu o celta em
alguns lugares), era uma língua de partículas auxiliares, quando colidiu com o
latim, língua franca e erudita à época: marcadores de caso, desinências et
cetera. E também não havia toda aquela patifaria de vogais com
problemas de identidade.
Hoje, cada vogal em inglês é
também todas as outras, o que me aborrece. Devo lembrar que são 18? Alguém
poderia argumentar que o Francês e o Português também têm seus probleminhas,
ambigüidades e caprichos, mas aqui estamos seriamente tentando falar mal do
Inglês, por ora. Se o leitor sente necessidade de falar mal de outras línguas,
diabos, quem te impede?
Seja como for, estou estudando
línguas antigas, particularmente da China e sudeste asiático (para situar o
leitor: é onde estou agora). Há uma família de línguas muito antiga, depois
subjugada pelo Mandarim, mas que
ainda conserva 6 milhões de falantes divididos em 5 línguas. Trata-se da familia Miao-yao.
Assim, temos os miaos vermelho, branco, preto, verde e azul. Quem fala miao
deve viver em pequenos enclaves, cercados por falantes de outras línguas, do
sul da China até a Tailândia, e alguém menos culto que o leitor pensaria que
essas populações foram jogadas por antigos e descuidados helicópteros aqui e
acolá, salpicando a paisagem asiática.
Tâmil, Malaio, Lao, Birmane,
Cambojano, Bahasa?
Nada disso. Agora, para se
dirigir a mim a leitora terá de valer-se de um tipo de miao.
Colorido.
sexta-feira, 11 de agosto de 2006
A China e o resto
A China já é a segunda economia do Planeta, quando se ajusta o valor do PIB pela paridade de poder de compra, metodologia que leva em conta os valores relativos internos dos preços da economia (um corte de cabelo na China pode custar 20 centavos de dólar, mas não é essa sua real contribuição na geração de riqueza). Com 1,3 bilhão de pessoas e crescimento explosivo, a China caminha para ditar os acontecimentos do século. Os EUA levaram 100 anos em sua corrida para a supremacia econômica e militar. A China começou a sua em 1978 e a completará em pouco mais de 20 anos.
Em toda parte, os mesmos ciclos: depreciação forte da moeda e manutenção artificial desse preço, com investimento agressivo em direção às exportações, inicialmente de produtos baratos, com mão-de-obra intensiva e baixa tecnologia. Depois, os produtos se sofisticam e, por fim, exportam-se produtos de tecnologia intensiva, de altíssimo valor agregado. Europa, Japão, Coréia do Sul e, agora, China.
Após enriquecer dessa forma, o país pode retornar a uma taxa natural de câmbio e os preços internos sobem. A economia integra-se plenamente ao resto do mundo, já rica. A China ainda está na fase do câmbio depreciado artificialmente. Mantém o yuan – moeda instituída pela dinastia de Kublai Khan (neto de Gengis Khan) em 1279 – a uma taxa de 8/1 dólar, para desespero do FMI e dos EUA.
Os EUA tentam, mas não podem mostrar os dentes a um parceiro que detém 1 trilhão de dólares em reservas, a maior parte investida em títulos do Tesouro americano. Não há ganhos com esses títulos, que até recentemente apresentavam ridículas taxas negativas de juros mas, se o cliente não for financiado, não compra. A China inunda os EUA com artigos industriais baratos, acumula saldos em dólar e os reinveste em títulos da dívida americana, usados para equilibrar a balança de pagamentos, retro-alimentando o ciclo.
O dia em que a China parar de comprar os micados papéis americanos não será um dia de muita lucidez no mercado mundial.
Brasil x China x Índia em números: por que não me ufano (espero que nem você, raro leitor).
1. Valores correntes (taxa corrente de câmbio).
PIB
China: 2.224 bilhões – 4º no ranking mundial
Brasil: 792 bilhões – 11º no ranking mundial
Índia: 775 bilhões – 12º no ranking mundial
PIB per capita
Brasil: 4.315 – 74º no ranking mundial
China: 1.702 – 110º no ranking mundial
Índia: 713 – 134º no ranking mundial
2. Números ajustados pela Paridade de Poder de Compra.
PIB
China: 9,41 trilhões
Índia: 3,63 trilhões
Brasil: 1,57 trilhão
PIB per capita
Brasil: 8.584 – 68º no ranking mundial
China: 7.204 – 84º no ranking mundial
Índia: 3.344 – 122º no ranking mundial
Todos os valores em dólares americanos.
segunda-feira, 31 de julho de 2006
O processo político
Elio Gaspari, que já incursionou pela história recente do Brasil, escreveu, na Folha de São Paulo deste domingo:
O Congresso Nacional já foi fechado sete vezes (1823, 1889, 1930, 1937, 1966, 1968 e 1977). Às vezes, foi-se embora numa ventania que mudou o regime (1889, 1930 e 1937), mas houve casos em que o pretexto foi uma votação na qual o governo saiu derrotado (1968 e 1977). O Congresso não produz crises institucionais, mas é sempre seu estuário. Chega uma hora em que o seu recesso parece solução de um problema, quando é apenas um truque do Executivo para impor sua vontade.
Em 1968 o problema não esteve na negativa da licença para se processar o deputado Márcio Moreira Alves. A crise estava na anarquia militar. Em 1977, o congelamento de uma reforma do Judiciário foi, documentadamente, puro pretexto. O que o governo queria era garantir eleições indiretas nos Estados e fabricar uma maioria no Senado.
Gaspari parece temer que um autocrata, recém-eleito, use algum pretexto para instituir nova farsa republicana. Não acredito nisso.
O problema é que o processo político já não medeia soluções, exigidas pela sociedade. Ver a China crescer onze por cento ao ano, por décadas a fio, sem qualquer justificativa razoável, produz muita ansiedade e perguntas. Que diabos o Brasil está fazendo? Por que até a Índia, a Geni entre os países pobres, cresce mais que nós?
A China não tem um Judiciário digno desse nome, não garante os investimentos de ninguém e está pouco se lixando para direitos autorais ou lealdade no comércio com outros povos. Seu sistema bancário acumula créditos podres impagáveis. A montanha de dólares oriunda das exportações (1 trilhão de dólares) são investidos em papéis do tesouro americano, e assim retroalimenta o delírio consumista norte-americano.
No entanto...
A conclusão é que o processo político brasileiro está falido e não há perspectivas. Pelo menos, não temos aventureiros à vista. E o Congresso pode gazetear à vontade...
domingo, 29 de janeiro de 2006
Beijing
Palácio de Verão. As pessoas caminhavam sobre as águas congeladas de seu grande lago, enquanto, ao fundo, o sol fazia o possível para sustentar a definhante autoridade do dia.
Errei por esse palácio, de sólidos riachos e níveas pedras. Talvez ele seja mais amigo no verão. Não acredito que mais belo.
Pequim (Beijing) é cidade de muitos impérios. Está bastante claro que seus construtores ignoravam restrições e estafas. Pareciam devotos da harmonia.
Modernamente brotam torres de aço e concreto, sem qualquer menção à grandiosidade da arquitetura imperial. Hão de encontrar seu lugar, numa cidade já povoada de grandiosidades e delicadezas.
29.01.2006.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2006
China: primeiras impressões
A China é desmedida.
Beijing explode em cada esquina. Tudo é superlativo nesse país-continente.
Suas Muralhas são um desafio para câmeras e músculos. Corcovas de um dragão que, antigo, dorme em cimos fortificados.
A Cidade Proibida, de tão vasta, não se deixa conhecer senão em várias tentativas. Hoje a visitei pela segunda vez, sem a mesma luz favorável da primeira. Presenciei, no zoológico, todas as preguiças de um panda gigante. Por toda a tarde ele bocejava por nós dois.
A China cresce. Depressa e demais. Um brasil fica por aí, meio que não sei.
Os chineses trabalham. Inventam o futuro que melhor lhes quer.
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