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sábado, 17 de fevereiro de 2007

Sainte-Marie-Madaleine, Paris

Com suas colunas coríntias, esta igreja melhor seria uma templo romano. Começou a ser construída em 1764, atravessou as loucuras da Revolução Francesa (as decapitações aconteciam quase nas suas calçadas, na Praça da Revolução - depois Praça da Concórdia) e foi concluída em 1845, após as presepadas napoleônicas.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Estela

Aí está o obelisco (andou freqüentando as páginas de um best seller, ao que parece).

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Paris

O jardim do Louvre, o obelisco, a igreja de Santa Madalena se encontram num mesmo lugar, vigiados pela Torre Eiffel. O Egito exige a devolução da estela sobre o obelisco, com seus mais de 4.000 anos, trocada por um relógio. A França resiste: "diabos, se eles queriam tanto o reloginho, que fiquem com ele!".

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Toulouse

A esmo nesta cidade, que sedia a indústria aeroespacial européia (o super-jumbo A-380 deixa-se conformar aqui, com partes de toda a Europa).
Toulouse é charmosa e aconhegante. Cheia de monumentos e de gente nas ruas. Apesar do tempo, hiemal, foi prazeroso percorrer suas ruas.
Venho de Carcassone, cidadela medieval construída no alto de um morro. Trata-se de um conjunto de castelos, enfeixados por uma muralha de muitos metros. Hospedei-me perto dessa fortaleza, e caminhei sem destino, para testar seus limites. Passes e impasses num labirinto de pedras lavradas.
Daqui a pouco embarco para Amsterdã, via Paris, para novas abordagens desse antigo continente e seus sonhos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Praga, um comentário

Alguns querem ver Paris em Praga; outros, Viena. Enganam-se. Praha, com suas mil torres, passeia por muitos estilos, está acima dessas simplificações. Em Praga Einstein teria se encontrado com Kafka. Einstein formulou a Relatividade Especial em 1905, no casa dos vinte anos, e a Relatividade Geral em 1915, dentro, portanto, da temporada passada nessa cidade, entre 1911 e 1912. Praga também abrigou Mendel, o obeso monge que cultivava ervilhas e morreu sem ver-lhe reconhecida a paternidade de uma abordagem estatística da hereditariedade que depois veio a dar na genética. A cidade viu florescer o gênio de Tycho Brahe, bem antes, numa sólida demonstração de tradição cultural. Quer a tradição turística que Einstein juntava-se a Kafka num café no centro dessa cidade, na época mais fecunda do escritor tcheco, de A Colonia Penal, O Castelo, e O Processo, entre outros delírios severos. A Relatividade, com sua descrição essencialmente geométrica do universo, postula que a gravidade é uma deformação no tecido espacial causada pela presença de corpos maciços. Previa que a luz vinda de estrelas atrás do sol, por exemplo, seria empenada nas bordas do mesmo e chegaria à Terra - consta que essa previsão foi confirmada, em Sobral, num eclipse solar em 1918 -. Assumia que a luz tem peso e não caminha em linha reta. Desnecessário perquirirmos se a teoria está certa. Newton, com seu sistema mecânico quase perfeito, descreve o mundo com precisão de uma parte por mil. A Relatividade é precisa em uma parte por milhão, e a Mecânica Quântica, grosso modo, faz previsões válidas em uma parte por bilhão de unidades. O problema é que, virtualmente, nenhum postulado quântico faz sentido. Todos parecem ter sido inventados por um ficcionista licencioso e demasiado imodesto. Kafka postula mundos insuportáveis, em que as pessoas são peças de uma burocracia total, sórdida e assassina. Os personagens, agindo com estranha naturalidade, prodigalizam torturas uns aos outros, tudo à sombra de uma autoridade invisível, intolerável e malvada. Josef K., executado sem ter acesso ao processo, nem saber qual teria sido o delito ou a acusação, é móvel da mais devastadora acusação contra o gênero humano (Machado de Assis também o faz, sem a mesma monumentalidade, quando retrata a escravidão). A mim, o cerne dessa culpa foi formulado por Anna Arendt: a banalidade do mal. Pouco importaria Josef K., ou Samsa, ou outro torturado personagem do brutal mundo de Kafka. Pouco importaria seu sofrimento, não fosse o ruinoso incômodo de nos identificarmos com esses fiapos humanos. O pobre ratinho, apaixonado pela diva ratazana, também a denuncia como uma lamentável fraude musical, e por isso sofre, e com ele sofremos. São muitas as aflições em Kafka, uma escrita poderosa, de precisão e impiedade militares. Às vezes penso esquecê-lo (mas não o Khmer Vermelho). Quem sabe consiga, e os sonhos voltem a ser só sonhos.