Após um vôo de vinte e tantas horas, com escalas em Santiago e Auckland, chega-se a Sydney. Um Jumbo nos acompanhou na aproximação final, pousando simultaneamente, quase ao nosso lado, numa pista paralela. Um 747 voando a alguns metros de sua janela, em atitude de pouso, é algo grandioso e perturbador. Ao fundo, a ponte que reivindica Sydney e a Austrália. Um Boeing 777 da Royal Brunei novinho em folha ajudou a compor o quadro.
A primeira impressão, na saída do aeroporto: o calor, as moscas e o aspecto geral de país desenvolvido. No caminho para o hostel, em companhia de moças alemãs, a impressão se acentuou.
No albergue, várias pessoas simpáticas, mas nenhuma amizade (é preciso mais investimento, concluí).
De certa forma, Sydney realiza o que outras cidades apenas sonham. Parques por toda parte; a arquitetura pode não ser original, mas tem sempre algo que agrada. A Casa da Ópera talvez seja a obra mais importante da arquitetura do século 20, me disseram, e estou propenso a acreditar.
O formato, em conchas, o tratamento genial dado às formas, seus detalhes generosos: como invejo um gênio que se realiza.
Atravessar à pé a ponte foi como inserir-se numa fotografia dos anos 30. Suas colunas, negras, evocam catedrais esguias. Na luz esbatida do sol em retirada, conta-nos o metal uma história de desafio e glória.
Tendo o sol deslizado em busca da América, me ponho à espera da noite. Ela pode ser fria em Sydney.
Sydney, dezembro de 2004
II.
Chegada ao outback.
Vocês pensaram que as moscas eram assunto superado, não é mesmo? Pois elas estão aqui. Todas elas. E não adianta abanar. Se elas gostarem de você (elas vão gostar), abanar poderia magoá-las. Deixa que fiquem.
São de um tipo pequeno, bem pequenininho, e tenazes. Hoje, ao amanhecer, subi a uma colina de onde se avista Alice Springs. É uma pequena coleção de prédios pequenos, acossada por morros de pedra ocre. Tomamos café e partimos para o deserto.
No caminho, paramos para catar lenha para o jantar (na Austrália, é normal). Depois paramos, por quebra do ônibus. Foi estranho ter de esperar no meio do deserto, por muitas horas, sem que nada fosse feito.
Nesse tempo, conversei com uma americana e duas alemãs (que pensei fossem irmãs). Yvonne é uma doce criatura. No sorriso, a chave da candura. Esses imprevistos é que nos dão lucro.
Alice Springs, dezembro de 2004.
Mostrando postagens com marcador outback. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outback. Mostrar todas as postagens
domingo, 30 de janeiro de 2005
sexta-feira, 24 de dezembro de 2004
Natal em Sydney
É Natal, estou de volta a Sydney, após quase um mês pelo outback e costa australiana. Chove e faz um pouco de frio (nem tudo é perfeito).
Um ótimo Natal a todos, desejando-lhes saúde, paz e prosperidade, sem querer ser original.
Grande abraço.
Assinar:
Postagens (Atom)