Elio Gaspari, em grande estilo:
O candidato Kassab é um derivativo do tucano José Serra. Geraldo Alckmin duvidou da consistência dessa aliança e foi devolvido à condição de nota de pé de página que tenta se intrometer no texto.
Marta Suplicy atravessou a rua para escorregar numa casca de banana que estava na outra calçada.
Marta, Alckmin, Crivella e Lacerda derrotados. Quando resolvem ir às urnas os eleitores fazem bonito e exigem respeito.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Delfim Netto
Delfim, inventariando os escombros após a tempestade da semana passada:
Não existe abrigo seguro. Todos vão pagar um preço pela irresponsabilidade de poucos, e uns poucos, de sangue frio e financeiramente líquidos, vão ficar ainda mais ricos.
Se você não tem nem sangue-frio nem liqüidez, fique quieto e espere.
Um dia a confiança voltará, como voltou depois das dezenas de crises do passado. Não fuja de casa para morrer na rua...
Folha de S. Paulo de hoje.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
A difícil primavera
Não sendo o caso de primavera,
colhamos as flores provisórias
que alentam o dia possível.
Elas resolveram publicar-se:
sabem a manhã e lindam o dia.
Eu quase não sei tanto amarelo,
tanto pássaro. Eu quase não sei.
A planície de girassóis dançarinos
devassada pela claque pânica das aves.
Um sol vertiginoso resolve a tarde,
os reflexos de um coração diamantino.
Vão-se os pássaros,
apagam-se os incêndios amarelos
de girassóis fortes em sol nutriz.
Cabisbaixos, eles passarão a noite
sem dar confiança às estrelas
que, lindas, embaixarão
mensagens de ternura e avivos.
O discurso provisório das
flores comunicando o dia.
Chapadão do Sul, maio de 2004.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Excursão
Na excursão das crianças ao cinema
verificou-se:
um alarmante déficit de mães
uma contenda envolvendo o Hulk e o Andrezinho
um bulício articulado papelinho de bala
um plocar-trovoada de chicletes
o salto olímpico de pipocas esquivando-se
de bocas molhadas de gula
uma incontrolável epidemia de dor de barriga
uma cacofonia de choros desafinados
e uma poltrona vazia que era minha.
O filme passava,
as horas passavam
e as crianças, que se haviam sujado
ao não alcançarem banheiros,
subiam uniformes ao caminhão do Exército.
1999.
Notícias
As notícias estão tão loucas que ultimamente ando consultando os sites dos maiores jornais do mundo para conferi-las e evitar que me preguem uma peça.
As de hoje: as bolsas sobem desvairadamente, a Europa começou a estatizar seus bancos e meu guru financeiro ganhou o Nobel de Economia.
Anotou a Folha de hoje:
Paul Krugman, 55 anos, elaborou uma teoria que integra pesquisas sobre intercâmbios comerciais e globalização com estudos sobre os processos de urbanização em escala planetária, destacou a Real Academia de Ciências da Suécia.
Nascido em 28 de fevereiro de 1953 em Long Island, no estado de Nova York, Krugman dá aulas atualmente na Universidade de Princeton e desde 2000 colabora com o New York Times.
Ele é conhecido por suas críticas virulentas contra a política geral e, em particular, a condução econômica do presidente George W. Bush.
Por inacreditável, não consigo pensar o mundo sem antes ler a coluna do Krugman.
domingo, 12 de outubro de 2008
Os caipiras
FOLHA - Os "rednecks" estão bem representados nesta eleição? JOE BAGEANT - Nunca estamos bem representados na política. Às vezes há uma tentativa de associação, como com Sarah Palin, mas é bobagem. Os "rednecks" são pouco educados, muito patrióticos e facilmente manipulados. É gente negligenciada, que perdeu casa, emprego, não tem seguro-saúde e com quem ninguém se importa, a não ser em ano eleitoral.
FOLHA - Mas Palin tem apelo entre os trabalhadores... JOE BAGEANT - Sim, porque é tão superficial quanto eles. Estão cheios de problemas e só vêem advogados de Harvard na política. Agora vêem uma Sarah Palin, que caça alces, e ficam mexidos. Ela só tirou o passaporte no ano passado? O povo aqui nunca tirou! Fazem troça dela, e o pessoal aqui pensa: "Esses esnobes estão tirando uma com a minha cara, porque eu também caço e vou à igreja". No negócio de perpetuar o mito da liberdade, é também perpetuado o mito de que a sabedoria do povo é sublime e perfeita. Só que Sarah Palin é uma fraude - não ela pessoalmente, mas o jogo que ela joga. Não importa quem ganhe, não vai fazer diferença para os burros de carga aqui. Eu não conheço ninguém que continua falando sobre Palin. A vasta maioria aqui não pensa em política, age por reflexo. No máximo, querem a parte da fofoca.
Folha de hoje.
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