domingo, 24 de setembro de 2006

Denúncia: o PSDB contratou o PT

[Os] mais céticos crêem que todo governo é oportunista e composto de homens que procuram, principalmente, seus próprios interesses. A política econômica é vista como instrumento de manipulação de um eleitorado ingênuo e míope, que vota nos benefícios aparentes do presente, sem preocupar-se em entender as conseqüências de sua escolha no longo prazo. Desta forma, a sociedade oscila entre momentos de esperança, de moderada alegria nas eleições e de tristeza fora delas, o que tende a fazer circular os mesmos políticos no poder. A frase lembra a sórdida atuação de um órgão criado pelo Congresso para impedir crimes contra (ou envolvendo) o sistema financeiro – o Coaf. Subordinado ao ministro da Fazenda, o Coaf demonstra singular competência para detectar um movimento de vinte mil reais de um caseiro.
Colocada no condicional “alguns crêem que assim seja”, a frase é de Delfim Netto, que não é exatamente um jejuno em Realpolitik.
Vai ser uma semana excitante, ora se vai.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Volta

Chego de Brasília. Shoppings e chopes, nada de mais.
À saída do avião (na porta traseira), uma moça impecavelmente trajada e maquiada, como sói acontecer com as comissárias de bordo (não as chamaria aeromoças, para evitar as ferromoças, no caso dos trens), cumprimentava.
O horrível barulho de turbina desligando, com as palhetas se arrastando chorosas no metal, chamou a atenção de um passageiro, à frente:
"Escuta, moça", disse ele, "assim, numa hora que você não tiver fazendo nada, daria pra você desempenar as palhetas dessa turbina?"
"Perdão?"

domingo, 17 de setembro de 2006

Eugênio e Lula

Eugênio Staub, presidente da Gradiente, em entrevista à Folha de S. Paulo de hoje:
Mantenho essa visão de que o Lula pode se transformar num estadista, e só a história vai reconhecer. Ele continua reunindo as características para ser reconhecido no futuro como um estadista. (...) O Lula não é corrupto. Se em algum momento o governo escorregou nessa área foi mais no sentido de fortalecer o partido ideologicamente do que para se locupletar financeiramente, o que é um estilo de corrupção diferente da que nós vimos em governos passados.
Não sei que pensar disto. Meus três últimos equipamentos Gradiente foram conduzidos ao lixo a golpes de marreta. Um ano após a compra, via de regra, apresentaram misteriosos e consistentes defeitos. Deve ser só coincidência que Eugênio e seus equipamentos não sejam o que dizem ser... Eugênio está interessado numa fábrica de semicondutores prometida pelo Governo. Essa fábrica nunca deixará a comarca dos sonhos (dizem especialistas), mas Eugênio quer se garantir.

Anti-campanha

Não se sabe como, de repente Aecinho ganhou poderes de veto sobre Serra, estimulando o magro alquimista. Talvez por saber como funciona por dentro uma campanha presidencial à reeleição, o cardeal FHC fingiu acreditar que o magro tinha chances e aí está o resultado. Alquiminho está perto do fim da pista e freia tenazmente para não ultrapassar os 30%. Grande, Alquimico!

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

A morte de um coroné

Ubiratan era rápido no gatilho. Massacrou 111 no fundo de suas celas: pretos, pobres e indefesos, implorando pela vida. Ubiratan era obediente, e nem um pouco burro: nunca mandaria bala num Marcola, num Escadinha. Militar, respeitava os poderes constituídos. Ainda que recebesse ordens expressas de Sua Majestadade, o Governador. Ah, não senhor, ele não faria isso...
Ubiratan concorria a deputado estadual com o número 111.
Muitos eleitores, com apetite para chacinas, votavam nele. Provavelmente inconformados com o exíguo número de pretos e pobres entregues aos cuidados do Altíssimo. Aposto que esses eleitores também não se metem com Sua Excelência, o Marcola.
Onde estará o nosso Ubiratan, agora? No céu? Junto com os pretos e pobres? Penso que, onde estiverem, logo Sua Excelência se juntará a eles.

Ubiratan, Fleury, Hitler, Stálin: esses excelentes filantropos.

domingo, 3 de setembro de 2006

Sensacional montaria de sapos

A genial fusão de sapos promovida por Glauco. Crescimento brasileiro é mais curto e mais arriscado que salto de batráquio.

sábado, 2 de setembro de 2006

Camboja

Ninguém diz adeus às armas. Os guardas desse museu, em Siem Riep, decidiram que eu e o Júlio tínhamos de ser russos, para combinar com a nacionalidade das armas em exposição.
Fala sério, leitor. Você compraria um carro desse cara, o do lencinho no pescoço?

Panda

No zôo de Pequim, por toda a tarde o panda bocejava por todos nós. Após um agosto de muitos desertos, vêm as chuvas inaugurar as necessárias primaveras.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Contra a liberdade de expressão

Sarney, dono da capitania do Amapá, não gosta de críticas, ainda que bem humoradas. Andou brincando de coroné em seu curral. O resultado vai abaixo:
Ao menos 80 blogs já aderiram ao "movimento" desde que a Justiça Eleitoral determinou, no último dia 25, que a jornalista Alcilene Cavalcante retirasse de seu blog a foto de um muro de Macapá no qual a expressão "Xô" é representada com uma caricatura do senador.
A foto está agora reproduzida na maioria desses blogs. O jornalista Marcelo Tas, em seu blog, disse que é preciso "varrer do mapa, aposentar de vez da vida pública brasileira, um dos maiores vermes da nossa história: o ex-maranhense e presidente Zé Sarney".Tas colocou no ar, inclusive, um santinho da principal adversária de Sarney ao Senado e escreveu: "Voto declarado".
É isso aí.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Templo indiano

Templo em Déli. Não me recordo a qual ou quais deuses dedicado. Muitos deuses morreram no subcontinente indiano, e outros agonizam em silêncio no momento. Os crentes não são muito caridosos com seus protetores. Idiomas e deuses sucedem-se num vórtice acelerado chamado história.

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Campanha eleitoral

O economista João Sayad sintetiza bem a experiência de assistir a uma campanha eleitoral, na Folha desta segunda (20 de agosto):
Brasileiros brancos, negros, evangélicos, ex-funcionários públicos, aposentados, políticos desde sempre, gordos e magros, com barba ou sem ela, caras comuns ou surpreendentes, surgem na televisão, falando as mesmas coisas. Sou o candidato do desenvolvimento, da saúde, da educação, do combate à corrupção, da mudança. Não esqueça, vote no 45, no 13, no 70. Vote no 2512, dia do Natal, fácil de lembrar.
Falam depressa, olhar fixo no "prompter", como artistas amadores, representando um personagem difícil e que não conhecem. Depois vêm os filmes -campos de soja com imensas colheitadeiras, fábricas modernas, favelados agradecidos, operários de uniforme, agricultores sorridentes, estradas bem pavimentadas, acompanhados por jingles em ritmo de samba ou de baião. (...)
No horário eleitoral, o Brasil em pessoa, sonhando com as mesmas coisas de sempre, entra na sala pela televisão como uma porta-bandeira rebolando ou um Jeca Tatu de camisa xadrez".