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domingo, 29 de junho de 2008

Cemitério indígena

Os indígenas dessa ilha em Bali deixam seus mortos numa espécie de prateleira a céu aberto.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Subindo o vulcão

3h30min da madrugada, acordo. Na recepção do hotel, um guia falando inglês, sob holofotes ocasionais de relâmpagos. Uma hora de caminhada depois, estamos perto da cratera. O vento açoita, anima a chuva; os relâmpagos se empolgam e entremostram o topo. Fazemos uma virada à esquerda, andamos paralelos à cratera e chegamos. Café quente, pão recheado com banana e ovos cozidos nos aguardavam. Oferecem refrigerante a 4,5 dólares a garrafinha. Os franceses aceitam. A cratera é modesta; o vulcão é preguiçoso. Em uma furna, garrafas com água fervem com o calor telúrico. Fomos ver outras crateras e seu trabalho recente: um vale de lava escura, com algumas dezenas de anos.
No fim, uma hora de caminhada morro abaixo e não se fala mais nisso.
Bali, janeiro de 2007.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Notas

1. Viagem a Paris.
Três jatos apostando corrida sobre as montanhas nevadas do Irã, ao pôr-do-sol.
Eu estava no mais lento, e pude acenar para meus companheiros de jornada, sem obter resposta. Fotografei essa pressa.
2. A Tailândia.
Destino preferido de jovens europeus, o país oferece diversão, enquanto busca o desenvolvimento.
Nas calçadas, artigos de todas as grifes, imitações com graus variados de êxito. As comidas são feitas e apreciadas ali mesmo.
Com outro nome, vende-se a fruta-pão, que provei, em outro lugar (Bali, se não me engano).
Num passeio, um sistema de som expelia uma música tóxica, de louvores ao rei. Estilo norte-americano, década de 1950 ou 60.
Filmes promovem o rei, que tem efígies por todo lado, à Sadam Hussein. Também notei que seus óculos decoram as notas da moeda nacional, o Bath. Todas elas.
Nascido e criado nos Estados Unidos, onde cursou renomada universidade, o rei se esforça por não parecer ridículo.
Mas é. Todo rei ou rainha é.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Sobre viagens aéreas

A viagem a Paris, de amanhã, me lembra outra, para Bima.
Caminhando pela pista do aeroporto de Bali - modesto, para sua clientela de gigantes intercontinentais - vi um aparelho singularmente velho e cansado. Suas asas, curtas como as de uma ave fujona, e seus motores, rotos e cobertos de fuligem, inspiravam cuidados, senão piedade.
O conjunto sugeria milhares de ciclos além do recomendado pela Fokker (que, de qualquer modo, falira há muitos anos). Não que seus aviões fossem ruins, não. Apenas não se agüentavam voando, o que, quase sempre, resultava em momentos inesquecíveis, para passageiros ou familiares.
Nessa caminhada fiquei sabendo da intenção daquele improvável avião de me levar a Bima, ilha de onde se navega até Komodo.
Em condições normais eu declinaria o privilégio, mas não quis ofender a equipe de bordo, que me sorria do alto da escada de alumínio.
Um dos que mais sorriam era o piloto. Sobrevivente de heróicos acidentes (ao contrário de seus passageiros), era um homem de coragem, uma pessoa extraordinária, via-se logo.
Entramos. Eles bem que trancariam a porta do habitáculo de comando, se existisse uma. De sorte que tínhamos a cabine de comando à nossa disposição. Os assentos da classe que meu salário autoriza costumam ser apertados. Aqueles eram dignos de pigmeus.
Reparando no trabalho do nosso excepcional piloto, vi que se impacientava com o motor da direita. Após uma acalorada troca de insultos com o pessoal de terra, pela janelinha caída, o motor dá sinal de vida, num gemido profundo e sentido.
O outro exigiria mais.
Um breve e justificável espancamento do painel, uma torrente de impropérios, e nada. Então, o piloto torna pública sua ira e toma a si a tarefa de fazer o engenho funcionar. Eu, que observava com certo interesse, posso dizer que uma intensa energia fluiu daquele manche diretamente para a turbina, que finalmente entrou em erupção, tamanhos ruído e vibração.
Em meio às brumas alçamos vôo aos céus, pouco antes da pista ceder a vez para o mar, inseguros acerca de nossa sorte entre as nuvens ou lugar no paraíso.
Não sei se devido à tesourada nas asas, ao peso dos 40 anos, às muitas avarias ou às navalhadas do piloto, mas aquela foi uma viagem de suspiros e preces.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Ainda Bali

Saí do mercado com algumas cervejas, chocolates e uma massa amarela que julguei ser a fruta-pão, sei lá por quê. Seu sabor é incomparável, e o seu cheiro, intolerável. Em decisão unânime, as moças do caixa aprovaram a compra. Macia e tenra, a massa se perde nas papilas; sabor e textura de outro mundo. O cheiro pode ser decomposto em duas partes: uma eu não saberia descrever; a outra sabe a benzeno. Agora que estou de volta à internet, esperem novidades. Hoje, um vulcão às 3 da manhã, depois, o maior templo de Bali. Ontem, cemitério indígena. Mortos aparentes e caveiras por toda parte. Em grande demonstração de indelicadeza, quase pisei o crânio de um cavalheiro (ou de uma dama, não sei).

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Bali

Finalmente, internet! É uma empresa irregular e incerta a manutenção de uma página, em viagem. O acesso se dá em "janelas de oportunidade" imprevisíveis. Podemos passar dias sem conseguir ler a própria página e, depois, no mesmo lugar, disparar mensagens sem dó nem piedade. Seja como for, com o blog a viagem tem dois lados: o externo, exótico, e o mundo dos amigos, que me visitam. Ubud estava sem comunicação desde terça, para meu desconforto.