terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Flores

Perto de Tikal, Guatemala, hà uma cidadezinha historica em meio a um lago: Flores.

Cheguei há pouco, e logo mais estarei em Tikal, para ver o sol  nascer nas ruínas milenares.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Hélio e a felicidade

Aí está, Hélio mandando bem mais uma vez:

O ano começou. É tempo de resoluções. As promessas que fazemos a nós mesmos com o intuito de nos tornar pessoas melhores e mais felizes podem assumir muitas formas: iniciar aquela dieta, exercitar-se regularmente, não pegar tanto no pé do filho adolescente. Invariavelmente elas dão com os burros na água. Por quê?

O florescente ramo dos estudos da felicidade traz algumas pistas interessantes. Nós, seres humanos, somos ruins em agir com vistas a metas futuras porque, ao contrário do que acreditamos, nossa experiência de "eu" se decompõe em muitos eus que funcionam de forma diversa e têm interesses, às vezes, conflitantes.

É preciso distinguir entre o eu autobiográfico e o eu que vive as experiências. O primeiro é um ator racional, que gerencia as informações e, em geral, toma as decisões. O segundo é pura sensação. É ele que, minuto a minuto, experimenta as dores e os prazeres a que nos submetemos.

E o problema é que o eu autobiográfico age como um tirano, que nunca leva em conta os interesses do eu experiencial. Operando mais com a memória do que com o instante, não hesita, por exemplo, em aumentar a experiência dolorosa aqui e agora, desde que isso lhe pareça necessário para maximizar o que imagina serão suas lembranças futuras.

O eu experiencial, embora menos poderoso na hierarquia cortical, não está desprovido de meios. Ligado às camadas mais primitivas do cérebro, mobiliza recursos como a preguiça e o desgosto, capazes de sabotar até as mais sólidas resoluções de ano novo. 

Esse descompasso entre os diferentes eus está na origem de alguns dos mais importantes erros (ou acertos) que uma pessoa pode cometer, consubstanciados em decisões como as de poupar para a aposentadoria, casar-se e ter filhos. O problema aqui é que o eu futuro imaginado quase nunca corresponde ao eu futuro real. É por isso que a busca pela felicidade é mais capciosa do que parece.

Copán

Copán é uma cidadezinha histórica fantástica, a um quilômetro das ruínas. 

Visitei esse esplendor maia, no seio da floresta. Pirâmides enormes, cravejadas de inscrições, contam a história das dinastias, no que talvez seja o maior, ou pelo menos mais robusto livro já escrito...

O museu adjacente traz inúmeras peças megalíticas, resguardadas da intempérie, e diz muito sobre esses reis e seu povo industrioso. Sítios fervorosos. Ao fim da tarde de descobertas, jantar no Carnitas, para marcar a vitória, e compras de soberbas réplicas maias, feitas por seus descendentes. 

Estou para Tikal, colosso no outro lado da fronteira, para onde me dirijo de na macia madrugada.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Utila - Copan

A caminho de Copan, depois de dois dias muito relaxantes em Utila. A viagem se encaminha.


 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Utila

Após uma breve passagem por Roatán, ilha lotada de americanos (precisa dizer mais?), cheguei a essa remota versao do paraíso. Por aqui passam tubaroes baleia, vindos do Mexico, mas eles nao estao aparecendo muito, nesses dias.

Divertido, o arquipélago tem a segunda maior barreira de corais do mundo. Hoje vi maravilhas dentro dágua, e a borda espetacular de um abismo.

Por do sol emoldurando a vida, hotel sobre a água: Utila barbariza.

Amanha saio cedo para o continente, para ver Copán. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Granada - Managua

Saio agora para Manágua, a capital da Nicarágua. 

No meio do caminho, paradinha no mercado de Masaya, para as compras não realizadas ontem.

Conheço a cidade rapidamente e tomo o ônibus para Tegucigalpa, Honduras. A viagem se encaminha para a metade. Tenho gasto mais que o planejado, embora se consiga uma refeição honesta por dez reais. Água fresca é de graça.

O transporte público é super barato mas, às vezes, a gente pega um táxi. 200 quilômetros podem custar 7 horas ou 40 dólares, depende da sua paciência e humor. E, às vezes, custam 7 horas e 45 dólares...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Masaya

Volto do Masaya. Muitos gases, encobrindo a cratera. Em outra, pouca atividade.

A parte mais interessante, com lava incandescente, está fechada, pelo alto risco. Assim, é provavel que eu saia da América Central sem ver esse fenômeno, tal como no Havaí.

Fomos ainda aos pueblos blancos, e comprei peças aos próprios artistas, jeito mais bacana de prestigiá-los.

No mais, chuva e um passeio às isletas, no lago Nicarágua. 

Nicarágua

Cheguei a Granada, cidadezinha histórica da Nicarágua.

Hostel bacana, as pessoas me veem com a camiseta verde amarela do Brasil e sorriem: é Natal. 

Saio agora para umas ilhotas formadas há 10.000 anos pelo vulcão. Depois, vou ao principal mercado de artesanato das américas, talvez, e ao vulcão Masaya, colosso de lava e fumarolas. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Sky canopy

Vocês acharam extremo o canopi a 120 metros de altura?

Ontem fiz um de 200 metros, a 100 km/h, por 800 metros!

Trata-se de um conjunto de 8 cabos, cada qual mais insano.

A altura, a aceleração, a distância para o vale, o visual do lago Arenal, a floresta: é muito louco. Às vezes você invade o dossel, qual bala entre as árvores.

Olhando do chão, e considerando a alta frequência dos cabos, parece que caças resolveram patrulhar a floresta, com turistas desenganados a bordo.

Isso de canopi, pensei ser coisa de criança. Está entre as coisas mais extremas que já vivi.

Por tudo isso: pura vida!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Canopi

Ontem fiz canopi, experiencia de outro mundo...

Quando subimos à torre inicial, quase desisti. Nao fora os amigos holandeses, atentos a qualquer sinal de fraqueza, eu teria saido correndo dali para nunca mais.

Atado ao cabo de aço, começa a viagem, à toda. Voce percorre meio quilometro, a 120 metros de altura, a uma velocidade insana, sobre a copa e por entre as arvores. Olhando para o lado, uma cachoeira; do outro, o vale imenso, e a floresta profunda.

O medo se dissipa rápido, à medida que a adrenalina sobe. Os vales e cachoeiras se sucedem numa vertigem de verdes esplendorosos.

Viagem lindíssima.

Para fechar a noite, fui a Baldi, uma estacao termal. A agua, colhida nas profundas do vulcao, chega numa chachoeira improvável, uma torre em fumos telúricos, sinistros.

Na piscina logo abaixo, um alerta: nao nadar. Ao entrar entendi porque: a 40 graus, voce sente o vulcao nas entranhas. E ele nao esta nada satisfeito, pelo visto.

Ao cabo de um tempo, fui a uma cachoeira, para refrescar, mas aí é que o cozimento se acelerou.

Depois, a comida, ao gosto. Comi feito um retirante.

Frenético. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Arenal

Ontem devassamos a floresta, rumo ao vulcão. Após duas horas e meia montanha acima, em meio à floresta da chuva, o lanche. Lá embaixo, dentro da cratera, um lago fantasmagórico, jade ondulante, convidava.

Nadamos nesse lago congelante e sulfúrico, em busca de uma redenção turística.

Bordejamos a cratera, seu interior florestado, e subimos para alcançar o Arenal Observatory Lodge, vasto hotel situado na vegetação incentivada pelo vulcão. Serviu de base para o Smithsonian pesquisar a atividade vulcânica, e ainda abriga estação sismológica completa. É a meca para um retiro de magias. Antes, homenageamos uma cachoeira portentosa.

Ao fim, as águas quentes do Tabacón, que relaxam e fazem bem.

A floresta chuvosa tem árvores desmedidas, cobertas por musgo, orquídeas e bromélias, numa exuberância enriquecedora. O solo, dádiva vulcânica, é perfeito para a flora.

A Costa Rica, de florestas autênticas, café e frutas saborosas, é um imenso retiro de virtudes cenestésicas.

Pura vida, dizemos todos.  

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pura vida

Após um voo ate a Cidade do Panamá e um ônibus tumultuário noite adentro, cheguei à fronteira com a Costa Rica, exatamente a tempo de esperar 5 horas numa fila de controle.

E, contudo, a Costa Rica é especial. Fiz rafting no rio Pacuare, um dos melhores do mundo. Arrebatador: o canion, a floresta que se debruça majestosa sobre o rio, e as corredeiras, muito inteligentes.

Subi ao vulcão Poás mas, por aqui, cada montanha, e sobretudo cada vulcão está envolto permanentemente em um véu de nuvens impenetráveis. Honestamente - pelo critério do testemunho ocular, o mais inadmissível de todos - eu não poderia afirmar que o vulcão existe, já que dele não vi a mais ínfima parte.

Então cheguei ao Arenal, pela noite. Desfrutei de um ceviche totalmente insano, talvez o melhor que já experimentei, verdadeira celebração dos sentidos.

Agora me preparo para subir as encostas do Arenal, em meio a uma absurda e festiva floresta da chuva, exuberante.

Para tudo isso, aqui se diz, forte:

Pura vida!

É o que venho dizendo, todo o tempo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ateísmo

Não me defino como ateu. Os outros é que são crentes, sem qualquer autorização ou arrimo. Não me defino por oposição aos outros, mesmo que tumultuosa maioria. E essa maioria quer porque quer que eu acredite na inexistência de Deus/deuses. 

Não acredito, não acredito, não acredito!

O fato de Deus e os deuses não existirem, e bem assim o Saci, não me obriga a crer em sua inexistência. Deixem minhas crenças fora disso! Já as mulas-sem-cabeça são um caso à parte, tormentoso. 


Hélio faz, abaixo, outra sóbria intervenção no vespeiro religioso. Matou a pau:

Basicamente, coloquei-me do lado de Daniel [Sottomaior], quando afirma que não existe algo como fundamentalismo ateu, pelo menos não se definirmos o ateísmo como a posição daqueles que não acreditam em afirmações extraordinárias como a existência de um Deus pessoal, milagres e demais violações ao que sabemos sobre a física e a lógica sem que elas se façam acompanhar de evidências palpáveis.

A palavra fundamentalismo, compreendida como uma adesão irrestrita a dogmas e crenças axiomáticas, não combina com ateísmo, porque o incréu racional se veria compelido a mudar de opinião com a apresentação de provas. Se o Criador surgisse nos céus e se comunicasse com a totalidade da população mundial demonstrando seus poderes, por exemplo. Convenhamos que, se o Deus judaico-cristão de fato existisse e tivesse apenas uma fração dos poderes que a tradição lhe atribui, não teria nenhuma dificuldade para realizar um truque desses.

Já um fundamentalista religioso é alguém que não muda de opinião, pois não há uma forma lógica possível de indicar para além de qualquer dúvida que o Deus judaico-cristão não existe. Ele é definido de modo que sempre pode escapar para os interstícios do discurso e da própria epistemologia. Ou, para colocar o problema num exemplo concreto, eu poderia demonstrar a existência de Papai Noel capturando-o e o apresentando aos céticos, mas não há como provar que o bom velhinho não existe, pois o fato de eu não encontrá-lo mesmo com séculos e séculos de busca pode significar apenas que não o procurei direito. Nesse sentido, os ateus estão do lado confortável da equação, já que, por idiossincrasias da lógica (é difícil refutar um juízo particular negativo), caberia aos religiosos provar que o Deus monoteísta existe, o que ainda não fizeram em cerca de 2.000 anos de cristianismo e 3.000 de judaísmo.

Se a questão da existência ou não de um Criador é tão elusiva do ponto de vista formal, por que a maioria da população do planeta continua, com tão pouca base concreta, acreditando em algum tipo de entidade metafísica que comanda ou pelo menos influi nos destinos dos homens?

O meu palpite, que é referendado por um número crescente de psicólogos e neurocientistas como Catherine Caldwell-Harris, Andrew Newberg, David Comings, é o de que estamos aqui lidando com diferentes estilos cognitivos. Ateus privilegiam as camadas mais externas e frontais do cérebro, além do córtex anterior cingulado, dando preferência a raciocínios lógicos e exatos, enquanto os crentes se fiam mais nos lobos temporais, confiando em suas intuições. Não é um acaso que uma resposta religiosa comum às objeções dos ateus seja: "eu sei que Ele existe".

Pessoalmente, já adotei um ateísmo mais militante. Achava que era importante expor o maior número de pessoas a ideias ateias para que elas pelo menos soubessem que é possível pensar fora do registro das religiões e chegassem a suas próprias conclusões. Continuo pensando que o debate franco é positivo, mas estou cada vez mais inclinado a considerar que o que define a religiosidade de uma pessoa é uma complexa combinação de fatores genéticos e socioculturais. Nesse contexto, a militância (seja ela do lado religioso ou ateu) se torna menos importante, pois acaba sendo uma espécie de pregação para convertidos.

É claro que, no que concerne a direitos e liberdades, tanto religiosos como ateus estão autorizados a dizer o que bem entendem. Enquanto permanecermos no reino das palavras, estamos seguindo as regras do jogo democrático. Tentar converter ou desconverter alguém é plenamente legítimo, tanto para Richard Dawkins como para os testemunhas de Jeová. E nem é preciso que os argumentos sejam bons. Só o que não pode acontecer é que saiamos do campo da semântica para adotar técnicas mais físicas de persuasão, como a censura a ideias, sob pena de prisão, e as fogueiras, que já foram utilizadas no passado. É também por aí que acho que não podemos falar em fundamentalismo ateu, uma vez que jamais ouvi falar de um que adotasse outra arma que não o discurso. Na verdade, considerando que foi só muito recentemente que conquistaram o direito de expor livremente seus pontos de vista, ateus até que fazem um uso bastante parcimonioso da palavra.

Alvorada





domingo, 11 de dezembro de 2011

Grão Pará

Sábia decisão, a dos paraenses neste domingo.

Não à farra com o dinheiro público; não à manipulação grosseira de Duda Mendonça, que trata o eleitor como galo de rinha; não à fantasia de que criar estados ou municípios resolve alguma coisa. Se estado pequeno fosse, por si só, garantia de desenvolvimento humano, Alagoas e Sergipe não seriam essas coisas deploráveis que vemos, no quesito.   


Duda mandou dizer que o Brasil só se emancipou porque, no plebiscito encomendado por El-Rey, os portuga não foram consultados. Em minha ignorância, cheguei a pensar que o Brasil se libertou da Coroa assumindo a dívida portuguesa. Negócio de pai pra filho.  


Chega de empulhação. Viva a Justiça Eleitoral, que não caiu no conto do vigário da consulta só dos separatistas. Viva a mais autêntica democracia.