quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Atitlán

O lago é emoldurado por cones, restos de um antigo vulcão, massivo. Há uma neblina permanente, e uma luz azulada sob o sol. Nas bordas, vilarejos e vilas de agricultores, artesãos - a gente do lugar - com língua e costumes próprios. 

Se o leitor pensa em miséria e guerra civil ao ler Guatemala, bem, isso é passado. O povo é pobre, mesmo para padrões brasileiros, mas sem miséria. E, agora, tudo se volta ao turismo, o que faz todo o sentido, considerando as formidandas paisagens e motivos deste admirável país. 

Amanhã, Panamá. Convém curtir mais um pouco.

Antigua

Passei um dia nessa cidade, a mais bonita da viagem (e olha que a disputa inclui Granada, Copán Ruínas e Flores). 

Agora, estou numa cidadezinha na beira do lago Atitlán, que Aldous Huxley comparou ao Como, na Itália. 

É um espanto a Guatemala, e esse lago, parte da cratera de um vulcão verdadeiramente colossal.

Amanhã volto a Antigua e, logo, a Guate, onde embarco para o Panamá, finalizando a odisseia maia.

Um espanto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tikal

Volto de Tikal, fascinado.

Em selva luxuriante, uma miríade de templos e palácios se erguem, testemunhais.

Do mais alto se avista a floresta eterna. Percebo sua contribuição para a majestade do conjunto. O aparato parece obra de imortais, e como tal o tratei.

Quando sobre a Praça Central o sol nasceu indaguei se ali ainda moram divindades, e quais suas reivindicações.

Agora, uma caminhada cuidadosa nessa beleza chamada Flores, insuspeitada mesmo nos mapas mais atentos.  

Logo mais saio para Antígua.

Flores

Perto de Tikal, Guatemala, hà uma cidadezinha historica em meio a um lago: Flores.

Cheguei há pouco, e logo mais estarei em Tikal, para ver o sol  nascer nas ruínas milenares.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Hélio e a felicidade

Aí está, Hélio mandando bem mais uma vez:

O ano começou. É tempo de resoluções. As promessas que fazemos a nós mesmos com o intuito de nos tornar pessoas melhores e mais felizes podem assumir muitas formas: iniciar aquela dieta, exercitar-se regularmente, não pegar tanto no pé do filho adolescente. Invariavelmente elas dão com os burros na água. Por quê?

O florescente ramo dos estudos da felicidade traz algumas pistas interessantes. Nós, seres humanos, somos ruins em agir com vistas a metas futuras porque, ao contrário do que acreditamos, nossa experiência de "eu" se decompõe em muitos eus que funcionam de forma diversa e têm interesses, às vezes, conflitantes.

É preciso distinguir entre o eu autobiográfico e o eu que vive as experiências. O primeiro é um ator racional, que gerencia as informações e, em geral, toma as decisões. O segundo é pura sensação. É ele que, minuto a minuto, experimenta as dores e os prazeres a que nos submetemos.

E o problema é que o eu autobiográfico age como um tirano, que nunca leva em conta os interesses do eu experiencial. Operando mais com a memória do que com o instante, não hesita, por exemplo, em aumentar a experiência dolorosa aqui e agora, desde que isso lhe pareça necessário para maximizar o que imagina serão suas lembranças futuras.

O eu experiencial, embora menos poderoso na hierarquia cortical, não está desprovido de meios. Ligado às camadas mais primitivas do cérebro, mobiliza recursos como a preguiça e o desgosto, capazes de sabotar até as mais sólidas resoluções de ano novo. 

Esse descompasso entre os diferentes eus está na origem de alguns dos mais importantes erros (ou acertos) que uma pessoa pode cometer, consubstanciados em decisões como as de poupar para a aposentadoria, casar-se e ter filhos. O problema aqui é que o eu futuro imaginado quase nunca corresponde ao eu futuro real. É por isso que a busca pela felicidade é mais capciosa do que parece.

Copán

Copán é uma cidadezinha histórica fantástica, a um quilômetro das ruínas. 

Visitei esse esplendor maia, no seio da floresta. Pirâmides enormes, cravejadas de inscrições, contam a história das dinastias, no que talvez seja o maior, ou pelo menos mais robusto livro já escrito...

O museu adjacente traz inúmeras peças megalíticas, resguardadas da intempérie, e diz muito sobre esses reis e seu povo industrioso. Sítios fervorosos. Ao fim da tarde de descobertas, jantar no Carnitas, para marcar a vitória, e compras de soberbas réplicas maias, feitas por seus descendentes. 

Estou para Tikal, colosso no outro lado da fronteira, para onde me dirijo de na macia madrugada.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Utila - Copan

A caminho de Copan, depois de dois dias muito relaxantes em Utila. A viagem se encaminha.


 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Utila

Após uma breve passagem por Roatán, ilha lotada de americanos (precisa dizer mais?), cheguei a essa remota versao do paraíso. Por aqui passam tubaroes baleia, vindos do Mexico, mas eles nao estao aparecendo muito, nesses dias.

Divertido, o arquipélago tem a segunda maior barreira de corais do mundo. Hoje vi maravilhas dentro dágua, e a borda espetacular de um abismo.

Por do sol emoldurando a vida, hotel sobre a água: Utila barbariza.

Amanha saio cedo para o continente, para ver Copán. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Granada - Managua

Saio agora para Manágua, a capital da Nicarágua. 

No meio do caminho, paradinha no mercado de Masaya, para as compras não realizadas ontem.

Conheço a cidade rapidamente e tomo o ônibus para Tegucigalpa, Honduras. A viagem se encaminha para a metade. Tenho gasto mais que o planejado, embora se consiga uma refeição honesta por dez reais. Água fresca é de graça.

O transporte público é super barato mas, às vezes, a gente pega um táxi. 200 quilômetros podem custar 7 horas ou 40 dólares, depende da sua paciência e humor. E, às vezes, custam 7 horas e 45 dólares...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Masaya

Volto do Masaya. Muitos gases, encobrindo a cratera. Em outra, pouca atividade.

A parte mais interessante, com lava incandescente, está fechada, pelo alto risco. Assim, é provavel que eu saia da América Central sem ver esse fenômeno, tal como no Havaí.

Fomos ainda aos pueblos blancos, e comprei peças aos próprios artistas, jeito mais bacana de prestigiá-los.

No mais, chuva e um passeio às isletas, no lago Nicarágua. 

Nicarágua

Cheguei a Granada, cidadezinha histórica da Nicarágua.

Hostel bacana, as pessoas me veem com a camiseta verde amarela do Brasil e sorriem: é Natal. 

Saio agora para umas ilhotas formadas há 10.000 anos pelo vulcão. Depois, vou ao principal mercado de artesanato das américas, talvez, e ao vulcão Masaya, colosso de lava e fumarolas. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Sky canopy

Vocês acharam extremo o canopi a 120 metros de altura?

Ontem fiz um de 200 metros, a 100 km/h, por 800 metros!

Trata-se de um conjunto de 8 cabos, cada qual mais insano.

A altura, a aceleração, a distância para o vale, o visual do lago Arenal, a floresta: é muito louco. Às vezes você invade o dossel, qual bala entre as árvores.

Olhando do chão, e considerando a alta frequência dos cabos, parece que caças resolveram patrulhar a floresta, com turistas desenganados a bordo.

Isso de canopi, pensei ser coisa de criança. Está entre as coisas mais extremas que já vivi.

Por tudo isso: pura vida!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Canopi

Ontem fiz canopi, experiencia de outro mundo...

Quando subimos à torre inicial, quase desisti. Nao fora os amigos holandeses, atentos a qualquer sinal de fraqueza, eu teria saido correndo dali para nunca mais.

Atado ao cabo de aço, começa a viagem, à toda. Voce percorre meio quilometro, a 120 metros de altura, a uma velocidade insana, sobre a copa e por entre as arvores. Olhando para o lado, uma cachoeira; do outro, o vale imenso, e a floresta profunda.

O medo se dissipa rápido, à medida que a adrenalina sobe. Os vales e cachoeiras se sucedem numa vertigem de verdes esplendorosos.

Viagem lindíssima.

Para fechar a noite, fui a Baldi, uma estacao termal. A agua, colhida nas profundas do vulcao, chega numa chachoeira improvável, uma torre em fumos telúricos, sinistros.

Na piscina logo abaixo, um alerta: nao nadar. Ao entrar entendi porque: a 40 graus, voce sente o vulcao nas entranhas. E ele nao esta nada satisfeito, pelo visto.

Ao cabo de um tempo, fui a uma cachoeira, para refrescar, mas aí é que o cozimento se acelerou.

Depois, a comida, ao gosto. Comi feito um retirante.

Frenético. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Arenal

Ontem devassamos a floresta, rumo ao vulcão. Após duas horas e meia montanha acima, em meio à floresta da chuva, o lanche. Lá embaixo, dentro da cratera, um lago fantasmagórico, jade ondulante, convidava.

Nadamos nesse lago congelante e sulfúrico, em busca de uma redenção turística.

Bordejamos a cratera, seu interior florestado, e subimos para alcançar o Arenal Observatory Lodge, vasto hotel situado na vegetação incentivada pelo vulcão. Serviu de base para o Smithsonian pesquisar a atividade vulcânica, e ainda abriga estação sismológica completa. É a meca para um retiro de magias. Antes, homenageamos uma cachoeira portentosa.

Ao fim, as águas quentes do Tabacón, que relaxam e fazem bem.

A floresta chuvosa tem árvores desmedidas, cobertas por musgo, orquídeas e bromélias, numa exuberância enriquecedora. O solo, dádiva vulcânica, é perfeito para a flora.

A Costa Rica, de florestas autênticas, café e frutas saborosas, é um imenso retiro de virtudes cenestésicas.

Pura vida, dizemos todos.  

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pura vida

Após um voo ate a Cidade do Panamá e um ônibus tumultuário noite adentro, cheguei à fronteira com a Costa Rica, exatamente a tempo de esperar 5 horas numa fila de controle.

E, contudo, a Costa Rica é especial. Fiz rafting no rio Pacuare, um dos melhores do mundo. Arrebatador: o canion, a floresta que se debruça majestosa sobre o rio, e as corredeiras, muito inteligentes.

Subi ao vulcão Poás mas, por aqui, cada montanha, e sobretudo cada vulcão está envolto permanentemente em um véu de nuvens impenetráveis. Honestamente - pelo critério do testemunho ocular, o mais inadmissível de todos - eu não poderia afirmar que o vulcão existe, já que dele não vi a mais ínfima parte.

Então cheguei ao Arenal, pela noite. Desfrutei de um ceviche totalmente insano, talvez o melhor que já experimentei, verdadeira celebração dos sentidos.

Agora me preparo para subir as encostas do Arenal, em meio a uma absurda e festiva floresta da chuva, exuberante.

Para tudo isso, aqui se diz, forte:

Pura vida!

É o que venho dizendo, todo o tempo.