A China já é a segunda economia do Planeta, quando se ajusta o valor do PIB pela paridade de poder de compra, metodologia que leva em conta os valores relativos internos dos preços da economia (um corte de cabelo na China pode custar 20 centavos de dólar, mas não é essa sua real contribuição na geração de riqueza). Com 1,3 bilhão de pessoas e crescimento explosivo, a China caminha para ditar os acontecimentos do século. Os EUA levaram 100 anos em sua corrida para a supremacia econômica e militar. A China começou a sua em 1978 e a completará em pouco mais de 20 anos.
Em toda parte, os mesmos ciclos: depreciação forte da moeda e manutenção artificial desse preço, com investimento agressivo em direção às exportações, inicialmente de produtos baratos, com mão-de-obra intensiva e baixa tecnologia. Depois, os produtos se sofisticam e, por fim, exportam-se produtos de tecnologia intensiva, de altíssimo valor agregado. Europa, Japão, Coréia do Sul e, agora, China.
Após enriquecer dessa forma, o país pode retornar a uma taxa natural de câmbio e os preços internos sobem. A economia integra-se plenamente ao resto do mundo, já rica. A China ainda está na fase do câmbio depreciado artificialmente. Mantém o yuan – moeda instituída pela dinastia de Kublai Khan (neto de Gengis Khan) em 1279 – a uma taxa de 8/1 dólar, para desespero do FMI e dos EUA.
Os EUA tentam, mas não podem mostrar os dentes a um parceiro que detém 1 trilhão de dólares em reservas, a maior parte investida em títulos do Tesouro americano. Não há ganhos com esses títulos, que até recentemente apresentavam ridículas taxas negativas de juros mas, se o cliente não for financiado, não compra. A China inunda os EUA com artigos industriais baratos, acumula saldos em dólar e os reinveste em títulos da dívida americana, usados para equilibrar a balança de pagamentos, retro-alimentando o ciclo.
O dia em que a China parar de comprar os micados papéis americanos não será um dia de muita lucidez no mercado mundial.
Brasil x China x Índia em números: por que não me ufano (espero que nem você, raro leitor).
1. Valores correntes (taxa corrente de câmbio).
PIB
China: 2.224 bilhões – 4º no ranking mundial
Brasil: 792 bilhões – 11º no ranking mundial
Índia: 775 bilhões – 12º no ranking mundial
PIB per capita
Brasil: 4.315 – 74º no ranking mundial
China: 1.702 – 110º no ranking mundial
Índia: 713 – 134º no ranking mundial
2. Números ajustados pela Paridade de Poder de Compra.
PIB
China: 9,41 trilhões
Índia: 3,63 trilhões
Brasil: 1,57 trilhão
PIB per capita
Brasil: 8.584 – 68º no ranking mundial
China: 7.204 – 84º no ranking mundial
Índia: 3.344 – 122º no ranking mundial
sexta-feira, 11 de agosto de 2006
A China e o resto
A China já é a segunda economia do Planeta, quando se ajusta o valor do PIB pela paridade de poder de compra, metodologia que leva em conta os valores relativos internos dos preços da economia (um corte de cabelo na China pode custar 20 centavos de dólar, mas não é essa sua real contribuição na geração de riqueza). Com 1,3 bilhão de pessoas e crescimento explosivo, a China caminha para ditar os acontecimentos do século. Os EUA levaram 100 anos em sua corrida para a supremacia econômica e militar. A China começou a sua em 1978 e a completará em pouco mais de 20 anos.
Em toda parte, os mesmos ciclos: depreciação forte da moeda e manutenção artificial desse preço, com investimento agressivo em direção às exportações, inicialmente de produtos baratos, com mão-de-obra intensiva e baixa tecnologia. Depois, os produtos se sofisticam e, por fim, exportam-se produtos de tecnologia intensiva, de altíssimo valor agregado. Europa, Japão, Coréia do Sul e, agora, China.
Após enriquecer dessa forma, o país pode retornar a uma taxa natural de câmbio e os preços internos sobem. A economia integra-se plenamente ao resto do mundo, já rica. A China ainda está na fase do câmbio depreciado artificialmente. Mantém o yuan – moeda instituída pela dinastia de Kublai Khan (neto de Gengis Khan) em 1279 – a uma taxa de 8/1 dólar, para desespero do FMI e dos EUA.
Os EUA tentam, mas não podem mostrar os dentes a um parceiro que detém 1 trilhão de dólares em reservas, a maior parte investida em títulos do Tesouro americano. Não há ganhos com esses títulos, que até recentemente apresentavam ridículas taxas negativas de juros mas, se o cliente não for financiado, não compra. A China inunda os EUA com artigos industriais baratos, acumula saldos em dólar e os reinveste em títulos da dívida americana, usados para equilibrar a balança de pagamentos, retro-alimentando o ciclo.
O dia em que a China parar de comprar os micados papéis americanos não será um dia de muita lucidez no mercado mundial.
Brasil x China x Índia em números: por que não me ufano (espero que nem você, raro leitor).
1. Valores correntes (taxa corrente de câmbio).
PIB
China: 2.224 bilhões – 4º no ranking mundial
Brasil: 792 bilhões – 11º no ranking mundial
Índia: 775 bilhões – 12º no ranking mundial
PIB per capita
Brasil: 4.315 – 74º no ranking mundial
China: 1.702 – 110º no ranking mundial
Índia: 713 – 134º no ranking mundial
2. Números ajustados pela Paridade de Poder de Compra.
PIB
China: 9,41 trilhões
Índia: 3,63 trilhões
Brasil: 1,57 trilhão
PIB per capita
Brasil: 8.584 – 68º no ranking mundial
China: 7.204 – 84º no ranking mundial
Índia: 3.344 – 122º no ranking mundial
quinta-feira, 10 de agosto de 2006
domingo, 6 de agosto de 2006
Pesquisas qualitativas
Começa daqui a dez dias a campanha eletrônica. Candidatos vão ao rádio e á TV para seduzir você. Será o teatro de praxe. (...)
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
Os federais
segunda-feira, 31 de julho de 2006
O processo político
segunda-feira, 24 de julho de 2006
Questão preconceitual
sexta-feira, 21 de julho de 2006
O capataz
Logo após cruzar uma ponte nas cercanias de Varanasi (Benares), construída pelos ingleses (parece que a última vez que alguém se importou com infra-estrutura na Índia foi na época dos ingleses, finda em 1947), vê-se um enorme pátio em que trens carregados de carvão chegam e são descarregados por escravos hindus, como na foto.
Na ponte, milhares a pé, de ônibus, riquixá, bicicleta, caminhão. Em comum, a miséria. Lá embaixo, lânguidos búfalos recreiam às margens do Ganges.
O capataz achou mesmo que eu não teria coragem de fotograr seus escravos, mas eu mostrei que ele estava errado.
quinta-feira, 20 de julho de 2006
A beleza
*(Memórias de um Primata, Robert Sapolsky) Não, o cavalheiro da foto não sou eu...
quarta-feira, 19 de julho de 2006
terça-feira, 18 de julho de 2006
Me
Na primeira foto, conceda um Indiana Jones, bom leitor, ainda que após algumas crises de malária. Ao fundo, o rio Negro, passando por Manaus.
Na segunda, um rambo de escassa bravura e mirrada musculatura faz o que pode para aparecer. Em tempos meu índice de gordura corporal era 23 por cento. O resto era só músculos e revigorados ossos. Agora as proporções se inverteram... Estou num museu militar em Siem Riep, norte do Camboja.
Ofereço estas fotos para os dois leitores que me visitam, religiosamente, a cada ano.
segunda-feira, 17 de julho de 2006
Cidade Proibida
sábado, 15 de julho de 2006
Filosofia de jacaré
Pescaria
Primeiro, ariranhas invadiram nosso lago, em que pescávamos com entusiasmo (os peixes acharam um tanto exagerado esse entusiasmo, e resolveram não morder as muitas iscas, que boiavam desoladas).
O fervor continuou, numa nova lagoinha, num mundo de lagoinhas fáceis. Nenhum peixe, exceto piranhas, excessivamente modestas.
Abstive-me dessa pescaria, e fui atrás dos pássaros, renomados pescadores.
Enquanto isso, febris formigas imprimiam nova geometria a meus pés.
O saldo da pescaria foram os óculos de Sabrina - a californiana à direita - esquecidos na van, dos quais fui eleito guardião.sábado, 8 de julho de 2006
domingo, 2 de julho de 2006
Memórias de um Primata
"Eu sou o bicho-papão escondido no armário das crianças, sou o terror dos babuínos, silencioso, furtivo e perverso: sou o cobrador de Belzebu. Mais um babuíno atingido com sucesso pelos meus dardos. Euforia. Hoje acertei Gengiva, o babuíno que jamais imaginei conseguir pegar. Malandro, astuto, sabia todos os meus truques, me enganou por meses. Eu estava quase entrando em desespero, precisava conseguir uma amostra de sangue dele. E hoje ele vacilou. Achou que estava seguro, rodeado por um bando de fêmeas, acreditou que elas iriam protegê-lo no caso de um ataque, achou que eu não ousaria atirar no meio de uma multidão, mas ele estava errado!
Minha experiência com babuínos é mais modesta. Resume-se a um encontro no Cabo da Boa Esperança, ao sul da Cidade do Cabo, África do Sul. Eram animais acostumados a turistas, desencaminhados, portanto. Seus gigantescos caninos e postura agressiva intimidavam.
Robert conviveu com essas criaturas, descreveu comportamentos comuns a outros primatas e anotou coisas realmente perspicazes sobre ambição, inveja e sadismo. Em cada bando o macho alfa (líder) tem o direito de escolher dentre as fêmeas no estro. Os demais ficam com as enjeitadas.
Por sucessivos golpes de sorte e muita instabilidade no bando, o jovem Benjamim herdou esse posto, num curto período (o autor dava nomes bíblicos aos animais do bando em estudo). Benjamim
não inspirava muita confiança nos demais. Certa tarde, o bando o seguia numa passagem estreita entre dois bosques cerrados. Benjamim liderava o grupo. Bom, babuínos machos, de qualquer posição no ranking social, raramente lideram o bando em exploração pelo terreno. Na verdade, podem até tentar, mas raramente são seguidos. Eles não sabem para onde estão indo, pois estão no bando há pouco tempo. Normalmente as velhas fêmeas é que são seguidas pelos outros. Pois Benjamim vinha andando na passagem entre os dois bosques, sem nem mesmo olhar para trás. Enquanto isso, as duas matriarcas do bando, Lia e Noemi, decidiram mudar de direção e entrar na mata, e todos os outros babuínos as seguiram. Benjamim prosseguiu, orgulhoso, passou na frente do meu jipe e finalmente olhou para trás. Deus do céu, onde foi parar todo mundo? Ele correu pelos arredores, hipeventilando, e num momento de tola inspiração cognitiva aproximou-se de mim, abaixou-se, e procurou sessenta e tantos babuínos embaixo do meu veículo.
O livro prossegue descrevendo o mosaico de atrocidades e tragédias humanas que compõe a África, hoje como há séculos. Quem quer que visite os cassinos do Reino da Suazilândia, ou as favelas de Joanesburgo, pressente algo de incurável naquele continente.




