sábado, 13 de maio de 2006

Taj Mahal

Após todas as interdições caprichosamente impostas à nossa entrada no Taj, pensei em convocar uma rave para esse excelente monumento. Os convidados entrariam montados em elefantes balançantes no recinto, e uma bateria de DJs fariam o edifício dançar. Há uma suntuosidade definitiva no Taj Mahal, um transporte conduzindo-nos até sua origem, momentosa.

Morales e Lula

Uma imagem vale por mil palavras? Pode valer mais; usualmente vale menos. Abro uma exceção para a charge acima. É do Glauco, claro que é. Nosso Guia ruma pro espaço, a bordo do foguetinho do amigo Morales. O Sr. Morales precisa fazer a maioria dos representantes que escreverão a nova Constituição boliviana. Daí os delírios, as bravatas e outras sandices que só alguém com um nome que vale por uma caricatura poderia parir. Toda essa politiquinha, concebida pelo sargento Garcia, renderá uma Carta Constitucional recheada de assombros. Eficaz, se o objetivo é garantir a miséria dos bolivianos pelos próximos 30 ou 40 anos. Pobre Bolívia. Eles não mereciam Evo. Pobre Brasil...

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Indiazinha

A interminável floresta, o vasto Amazonas e as crianças de povos ancestrais.

Menininho

Abro uma exceção à regra de não copiar, por inteiro, os despachos de outros blogs. Josias de Souza se supera no texto, leve e bem-humorado. As reflexões de Anthony Garotinho constituem um desafio à lógica. Garotinho pensa, logo existe. O problema é que não sabe muito bem por que é que pensa. Nem para que é que existe. Sua missão na Terra talvez seja a de provar que Descartes não existe. Nem ele nem o cartesianismo. A greve de fome do pré-candidato do PMDB à presidência já dura oito dias. Muitos suspeitam que ele esteja ingerindo, nas caladas da noite, porções de comida “não contabilizada”. Mas, a julgar pelas manifestações oficiais do médico de Garotinho, o caixa dois dele não chegou à geladeira. O doutor Abdu Neme informa que o ex-governador fluminense já perdeu 6,3 kg. Estaria às voltas com uma desidratação moderada, com períodos alternados de prostração, sonolência, dores musculares, cefaléia e cãibras. Mas, em mais uma evidência da inexistência de Descartes, ele “permanece lúcido e orientado”, anota o boletim médico. Nesta segunda-feira, a "lucidez" de Garotinho foi "orientada" na direção de Lula. Chamou o presidente de "traidor do povo brasileiro". Em outro despacho, o mesmo Josias informa a boa notícia do dia: queda da popularidade de Bush. Até que a semana começou bem...

domingo, 7 de maio de 2006

Política

Nosso Guia não lê jornais, não assiste tevê nem aceita que lhe contem as novidades. Age muito bem. Faço tudo isto e não estou gostando nada do que vejo. A greve de fome de Marotinho, por exemplo. Condeno a atitude (indelicada) daqueles funcionários públicos que depositaram coroas de flores à porta do nosso abstêmio, mas apóio a greve de fome, claro que sí. Ainda que ela não vá até o fim, como muitos desejam, penso que é oportunidade do Bolinha meditar e buscar iluminação. O que não aceito, já o disse, é a farsa do Moreno que, aproveitando-se da nobreza de Molequinho, lançou sua própria greve de fome, mas foi visto num restaurante chique no Rio, se empanturrando. Nosso Guia conserva-se alheio a todos esses sucessos, e muitos outros. Nunca soube de nenhum caseiro, muito embora tenha, inadvertidamente, demitido um ministro da Fazenda por bisbilhotar a conta bancária desse mesmo caseiro. Também não sabe nada sobre o silvíssimo Pereira. Teriam as declarações algo a ver com as prévias em São Paulo? Na dúvida, não seria o caso de apurar afirmações tão graves? Não, acho que não. Melhor ocuparmos algumas refinarias ianques por aí (com mil demônios! Estamos em falta de refinarias ianques!).

Gescade em Manaus

Eis aí meu grupo de trabalho (Gescade), em Manaus. Visitinha obrigatória ao Teatro Amazonas, com direito a ensaio da orquestra (entoavam a Carmem, de Bizet).

Provando a estada em Praga

Estão vendo esse carinha de casaco vermelho, com cara de idiota, sorriso de idiota, pose de idiota?

Não se deixem enganar... Ele é um idiota!

sábado, 6 de maio de 2006

Bancoc ao amanhecer

Amanhecer a partir da Siam Square, Bangkok (foto do amigo Júlio Cesar Machado, que não me acordou para esse espetáculo).

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Greve de fome

Não estou gostando nada do que leio na imprensa. Parece que resolveram perseguir um dos mais notáveis candidatos. Hei, o que vocês fizeram com o bolinha? Um homem tão bom...

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Noite

Aconteceu de novo. Não resisti e entrei no site da Wanessa (Camargo). Tava gostando de todas aquelas fotos, quando deparei com o seguinte: A Wanessa é muito mais linda q a maldição da Sandy, a sandy parece minha irmã, e muito magra...Mil xx Wanessa.. vou votar. Estou remoendo de remorsos porque, estando de viagem, não fiquei sabendo dessa votação. Parece que a maldição da Sandy tava ganhando da Wan, mas eis que ela finalmente passou à frente e recolocou a rival em seu devido lugar. Fico feliz que tudo tenha terminado bem. E que história é essa de depreciar a própria irmã? A irmã da Wanessa, por exemplo, ou da Paris Hilton. Eu jamais consentiria que alguém as depreciasse. Em seu blog, notavelmente engajado, Noblat denuncia a farsa da greve de fome do Moreno (o do blog). Noticia que o jornalista foi visto se empanturrando no Antiquariu's, no Rio, onde parece que outras pessoas estão jejuando e orando. Ele acrescenta:
Este blog se associa à campanha iniciada pelo site Kibeloco (http://www.kibeloco.blogspot.com/) que prega o apoio à greve de fome de Garotinho e exige que ela vá até o fim.
A política sempre foi questão de apetite.

domingo, 16 de abril de 2006

Happiness – A History


The Economist resenha a obra Happiness – A History, de Darrin McMahon:
Na década de 1840, o eminente e rabugento escocês Thomas Carlyle queixou-se: “Qualquer mísero fedelho sobre a face da Terra tem a cabeça cheia de idéias de que é, será, ou – segundo todas as leis humanas e divinas –, deveria ser feliz”. Carlyle, felizmente, não viveu para ver a seção de auto-ajuda de qualquer grande livraria do século XXI, com as estantes gemendo sob o peso de best-sellers como “Felicidade Infinita”, “Felicidade Absoluta”, “Felicidade Duradoura”, “Felicidade Compulsória”, “Felicidade É Seu Destino” e “Encontre a Felicidade em Tudo Que Você Faz”. 
Já tive oportunidade de elogiar esses escrevinhadores, suas excelentes performances nos iletrados dias de hoje, mas vejo com reservas a violenta felicidade que eles tentam incutir em seus numerosos leitores.

Leiloam com fervor a auto-sugestão de felicidade. Os desafortunados, ao não mentir para si próprios, caem no pranto. As pessoas se reúnem para fazer garatujas, esgares e gargalhar, ainda que compulsoriamente, igualando-se de alguma forma aos sequazes de Stálin. Sabe-se que algumas alcançam a “felicidade” com argumentos anímicos realmente modestos, o que não surpreende. Outras alcançam êxtases quando um bandido confesso escapa da punição, ou quando um inocente é esmagado pela máquina do Estado.

Para mim, alvejar-me com o mantra “estou feliz” seria o mesmo que, ao perceber um pneu furado, eu descesse do carro e começasse a mentalizar o furo se fechando e o pneu inflando, tudo causado por pensamentos positivos. Porquanto muitos consigam, reconheço, humildemente, que a dificuldade deve estar em mim.

Felicidade, palavra indecidível, desiderato de todas as utopias, sórdidas ou risonhas, não pode ser definida. Mais que uma polissemia, há um desacordo essencial em seu emprego e legitimação. Darrin, o autor, PhD por Yale, evita essa cilada. Ele lembra que seu conceito moderno foi uma invenção do Iluminismo, para quem felicidade “era menos um ideal de perfeição divina do que uma verdade auto-evidente, a ser buscada e conquistada no aqui e agora”. A aristocracia federalista que se apoderou do nascente estado norte-americano adotou a “livre busca da felicidade” como um dos “direitos analienáveis” do homem (o homem branco, vamos deixar claro. Os escravos continuariam onde estavam).

Felicidade é modo de viajar, não um lugar para onde se queira ir, diz-se em redor. O lema, empobrecedor, abstrai que nem todos toleram a vertigem da viagem. A formulação de uma divisa nem sempre dá conta de um problema, fora dos muros de um partido ou seita.

As maiores autoridades em felicidade de hoje (os próceres de seitas e os escritores de livros de auto-ajuda) não deixam por menos. Exigem felicidade instantânea de seus adeptos. Alguns, honestos, se sentem infelizes ao não alcançá-la.   

Haveremos de ser felizes agora mesmo, ou isto pode ficar para logo após a morte? Temos alguma influência sobre nossa felicidade? Podemos adulá-la, na esperança de que se prolongue, frutifique?

"Será a busca da felicidade no outro lado da morte menos irrisória que neste?", indagava Borges.

Em última instância, defendo o direito das pessoas serem tristes, se lhes apetece; se assim melhor se percebem no mundo. Sei de economias anímicas que não dispõem de orçamento para vigorosos transportes de alegria. Então, muitas se contentam com suas tristezazinhas, tão indefiníveis quanto suas contingentes e voláteis alegriazinhas.

O que resta, talvez, seja uma modesta soma de contentamentos. A utópica felicidade está sempre além, a bordo do avião que passa e cuja fugaz sombra apenas vislumbramos na areia onde plantamos os pés.

Campo Grande (MS), 16 de abril de 2006.

sábado, 15 de abril de 2006

Vaca canadense

Depois de tanto tempo, aí está uma foto minha (sou o de casaco vermelho). É uma praça no centro de Toronto, temperatura amena ( menos 5°C). Fizemos amizade.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

De páscoa, honra e quadrilha

Glauco nos presenteia com essa gostosa charge. Notem a alegria contagiante, o genuíno entusiasmo com que o companheiro coelhinho tenta entregar o presente ao companheiro presidente. Fala a verdade: ele vai conseguir. A mim, o melhor da charge é a alegria do coelhinho. Uma delícia de performance. Clóvis Rossi perpreta a seguinte maldade, na Folha de S. Paulo de hoje: "Você já se deu conta de que o presidente da República é também o presidente de honra de uma "organização criminosa"? "Sim, essa é a única - e inescapável - conclusão política do libelo do procurador-geral, Antonio Fernando de Souza, sobre o esquema do mensalão e penduricalhos", alfineta Noblat. Ao saber que o Procurador-Geral surpreendeu 40 cavalheiros em atividades impudicas, um senador lembrou de Ali Babá. Fernando Rodrigues, lacônico como sempre, prometeu que uma revista, neste final de semana, informará seu atual endereço. O coelhinho vai conseguir, ora se vai. Pouco importam essas ninharias. Estamos na Páscoa. Preparo um texto sobre a felicidade. Reconheço que faltam-me subsídios, mas vou tentar assim mesmo. Os dois leitores, que me honram com visitas (anuais), hão de perdoar a sem-graceira política.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Precisa-se de caseiro, que seja discreto

Fernando Rodrigues, em sua coluna na poderosa Folha de S. Paulo de 19/02/2005, contou-nos sobre deputados pré-pagos: “Entram numa sigla para servir a algum propósito – como engordar uma ala do partido que deseja obter algum cargo – e saem em seguida. Perdem a validade. Só funcionam com uma nova recarga.” Após informar que esses deputados custavam algo como 30 mil reais, ele finalizou, de forma didática: “muita gente que antes não podia agora já sonha tranqüilamente em ter o seu deputado próprio.” Existem muitos tipos de deputados. Nem todos se vendem, é claro. O tipo carnavalesco, basta entrar em plenário e perninha e bracinho logo se armam em dancinha. Muito famoso, é o que mais me agrada. Temos também o tipo sortudo: o só fato de passar em frente a uma casa lotérica já lhe garante o prêmio. Existem, enfim, muitos tipos, em simetria com seus eleitores, ninguém ignora, e alguns dos mais astutos deputados se tornam caseiros, ou motoristas, e vice-versa. Um amigo me disse, a respeito: "não estou bem certo sobre a utilidade de um deputado, mas também gostaria de ter um só pra mim". Não concorde com ele não, leitor.

domingo, 9 de abril de 2006

São Paulo

Volto de São Paulo. Três novos livros. Dois referem economia. Ando lendo sobre Stálin, o rei do rá-rá-rá. Era um maestro. Seus músicos tocavam árias e operetas em que milhares morriam. Não sem antes a devida tortura. Quase todos os colegas de liderança do partido e do Estado morreram assim. Marechais, hierarcas, artistas ou anônimos eram sacados de suas famílias e, pouco depois, ressurgiam confessando todos os "crimes" contra o Estado, a Revolução, Stálin, etc. A ninguém ocorreu que Stálin era de carne e osso, e podia ser alcançado. É pena que nossos semelhantes sejam tão trágicos, e colaboram alegremente com a própria aniqüilação. Após a leitura, um resumo, que não há de ser alegre.