sábado, 24 de agosto de 2013

Tubarão-baleia

Isla Mujeres. Tomamos o rumo Contoy. 

O mar, invejoso, golpeou quanto pôde. Caímos na água turbulenta, enquanto barbatanas cinza, dinossáuricas, denunciavam coisas preocupantes sob as ondas. Azul com pontinhos planctônicos. 

Vi um gigante. Um ônibus pintadinho. Depois outro e mais outros. Rêmoras pajeavam as criaturas. Dominós de 15 metros lançavam suas exigências, descrevendo uma geometria alimentar. 

Ligeiramente afastado do grupo, senti um titã se aproximando, em ondas. A enorme bocarra sorvendo o mar, no que me pareceu um beijo, o maior que já me foi endereçado. Estremeci, gratificado. 

Fotografar não cabia. Na volta, tumultuada, um vento sinistro quase rouba nossas almas. O ceviche recompôs e trouxe perspectiva: da vida e da aventura. Parei de temer. É pra isso que se vive.

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