domingo, 21 de outubro de 2007

A onda Huck

Não concordo com o roubo de relógios. Nem mesmo o de Rolex (se eu pudesse, também teria um, e minhas horas seriam de infindas paixão e beleza. Ou, pelo menos, de uma conspícua soberba).
Mas precisamos resolver a questão aqui: gosto tanto do nosso Luciano que eu mesmo teria pago alguém para furtá-lo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Notinhas

1. Embora com retoques, Mônica mostra que é abençoada. Já Renan expõe a vergonha do Senado. Ele vendeu a alma a Lula para vencer o primeiro round, mas terá de deixar a presidência da Casa.
Melhor fora um pacto com o diabo.
2. Em meio ao maior constrangimento de que se tem notícia no Senado, Sarney não pronunciou, em público, uma mísera palavra sobre a crise. Só fala nos subterrâneos, ao pé de certos ouvidos. Nas últimas horas, o ex-presidente passou a vocalizar, modulando a voz, uma tese perigosa. Para Sarney, ao levar a guerra contra o presidente do Senado às últimas conseqüências, a oposição alveja o próprio pé. Ao vender a tese de que o Legislativo tornou-se um antro de perversões, PSDB e DEM contribuem, diz Sarney, para tonificar a boa imagem de Lula e do governo dele. Mantida a estratégia, avalia, “o povo vai acabar exigindo o terceiro mandato do Lula.” Há cerca de 20 dias, Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, injetou uma provocação a Sarney num discurso que fazia da tribuna do Senado. Exortou-o a mover os lábios. Disse que, com a autoridade de ex-presidente da República, Sarney não tinha o direito de silenciar diante da crise que rói as entranhas do Senado. (Josias de Souza)
3. Sarney é uma vergonha, e deveria ser banido da face dessa boa República. Está insinuando essa vagabundagem para tirar proveito (herdar a presidência do Senado).
Ao contrário da declaração marota de Sarney a respeito de Lula, o povo brasileiro não desejamos essa desgraça. Esperamos, sinceramente, não ter de pegar em armas contra essas imundícies.
Se não podes se comportar com a dignidade que se espera de um ex-presidente, cale-se imediatamente, Sarney!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Belém

Alguns querem crer que Jesus não existiu ou que, tendo existido, não foi o deus que a propaganda depois cuidou erigir. Alheio a essas dificuldades teológicas, estou felicíssimo por estar aqui, na terra onde Jesus nasceu. Ficarei para a festa do Círio de Nazaré. Embora cético, até já estive na Basílica de Nazaré, reconhecendo o terreno.
Belém impacta fortemente. Culinária, gente, o passeio público: a cidade tem identidade. Marajó é um escândalo de rios, céu e areia. E luz. Guarás e búfalos passeiam para lá e para cá sem nenhum problema. Nós os fotografamos, respeitosos.

sábado, 6 de outubro de 2007

Marajó

Sol intenso, ondas: Marajó, em todas as cores. Praias em tudo felizes, sem o sal.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Notinhas

1. Pilar da República, o STF aceitou processar 40 dos mais ilustres bandidos da nação. O comissário Josef Dirceu trabalhava uma "anistia" para si mesmo, que talvez colasse, num congresso que às vezes não se dá ao respeito. Assistimos ao milagre de um presidenciável se transformar em presidiável. Ainda que não cheguemos às condenações criminais, o comissário não estará na lista de elegíveis nas próximas eleições, o que não é pouca coisa.
2. Uma das pessoas mais tóxicas do mundo, Karl Rove deixou a canoinha de Bush. Logo seu chefe lhe fará companhia. Na América Central, um teatro infame: o latifúndio de Castro, com milhões de escravos, e o campo de concentração de Bush, separados por uma cerca. Fascismos possíveis pela indiferença com que o resto do mundo assiste ao exercício de tiranias assassinas.
3. Cortaram o benefício da mãe de Grazi. Acho injusto. Se todo o programa é destinado a criar dependência das esmolas do governo, por que cortar só a mãe de Grazi, uma mulher que dotou o mundo de todas aquelas alegrias?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Crise

A crise aérea dura dez meses. O “governo” não mexeu um dedo, mas piscou recentemente, após aquela brincadeira envolvendo 200 almas. Detonaram a múmia da Defesa, que há tempos vem iludindo os coveiros. Nunca na estória destepaiz tivemos uma camarilha tão deslumbrada e obscena. Por inútil, chamamos “tudo isso que está aí” (e que ostenta uma estrelinha vermelha) de governo por mera cortesia. Agora, chega o reizinho mandão, a sacar o brigadeiro e enquadrar a Anarq. Efêmero, o “novo aeroporto” de São Paulo durou só dez dias, tempo suficiente para ganhar manchetes e comentários ingênuos (se alguém promete comprar um carro daqui a 15 anos, bem, desnecessário se ocupar da criatura). Vida longa ao Vergonhão Aéreo.
Lá lá lá.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Hobby

Os adeptos de hobbies não medem esforços na hora de torrar fortunas em inutilidades. Ultimamente, venho investindo furiosamente em equipamentos fotográficos. Lentes? Compro como se o todo o estoque mundial fosse acabar amanhã. Já me ocorreu que não seria nada mal se, às vezes, eu aprendesse a fotografar. Nem que seja por engano. Alguém disse que, com filmes de 35 mm (o tamanho normal do fotograma), você precisa de uns 200 cliques para acertar uma foto. Sebastião Salgado revelou que precisa de uns 2.000. Com meus modestos e certeiros 1.000 cliques por foto, passei a olhar com desprezo para o pobre Salgado. Ainda é cedo para sair por aí frequentando cursos e quetais.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Penedo

De um lado, Neópolis. Do outro, Penedo, quatro séculos de história. No meio, o Velho Chico. Um casarão antigo me servirá de pousada, e amanhã saio para ver a foz desse observador privilegiado da saga e miséria do sertão. Pela manhã, registrei a escalada de mandacarus nos paredões que guarnecem as águas desse rio. Depois, do alto de Piranhas, vi a chuva encortinar o horizonte, cobrindo tudo de branco. O queijo de coalho, a carne seca e a mandioca esclareceram do que se trata. O sertão, as águas, a gente. É bom presenciar esse encontro.

Rio São Francisco

Canindé do São Francisco é uma cidadezinha às margens desse rio de grandes sofrimentos e muitas cicatrizes hidrelétricas. De minha janela vejo a mais recente delas, Xingó, muro insólito na garganta do rio. O vale abaixo abre-se majestoso. O rio segue apequenado, entre pedras. Acima da barragem, um lago de muitos braços, e canions areníticos graciosos. No sertão, à margem, a macambira ilustra agrestes tristeza e vigor. Águas verdes compõem o cenário dessa piscina espaçosa e índia. Encerro o passeio em Piranhas. Vou me mudar para a foz do rio.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Jalapão

Bomdiaêêê! Estou em Manaus, após uma semana no Jalapão. São rios e cachoeiras, dunas e chapadas a perder de vista. O cerrado em cópia vitoriosa. Eu quase não basto para tanta viagem...

sábado, 19 de maio de 2007

Inverno em Bonito

Novamente o inverno me pega em Bonito. Volto já a minha cidade. Abro os jornais. Vejam o que Josias aprontou desta vez:
Todo brasileiro em dia com suas obrigações fiscais deveria ter o direito de acompanhar o que é feito com o fruto do seu suor. Tomo por mim. Sempre que pago imposto, sou assaltado por dois sentimentos devastadores. O primeiro é a saudade. O outro é a incerteza. Dói-me não poder zelar pelo futuro do meu dinheirinho.
De minha parte, não penso no que o Governo faz com meu dinheiro (chega de passar raiva).
Prefiro ler os manuais de minhas máquinas fotográficas e lentes.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Aviso

Deixarei de atualizar este blog diariamente (como tento fazer, quando a preguiça deixa). Agora, só em cybercafés. Considero muito mais honesto o gesto de encostar o cano de uma arma em nossas cabeças, com a exigência de nossas carteiras, do que a conta apresentada pelas companhias telefônicas.
Mandei a minha ao inferno (espero que faças o mesmo, prudente leitor).
Seja como for, quem quiser falar comigo não tem com que se preocupar. O lava-jato da esquina tem um daqueles enormes orelhões. É só deixar o recado com um dos moleques que ocasionalmente atendem as chamadas, estridentes. A cada dois anos eu passo lá para checar as mensagens (é minha versão de telefone molecular).

terça-feira, 1 de maio de 2007

Tom Jones, de Henry Fielding

Clarice Lispector traduziu e adaptou para nós Tom Jones, de Henry Fielding. Anotei, em suas páginas finais: “Os personagens trocam loucamente de lugar e status. Num momento, serão enforcados com todo o peso do mundo em suas costas. Minutos depois renunciam às aflições e se dirigem ao paraíso terreno, no exíguo espaço de meia dúzia de parágrafos. O capítulo final é uma montanha-russa de vertiginosos caprichos. Ninguém está seguro de sua sorte.” Deve haver resumos que façam mais justiça ao autor e à tradutora. Ofereço este. Campo Grande, 10 de abril de 2007.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Ceará

1. Tatajuba. Disparo de moto por praias e dunas. Pela tarde encomendada, dunas e estirões infindos. Na mesa posta dentro da lagoa de Tatajuba, lagostas antes das lagoas de mais tarde. O leitor pode ter consigo ser natural o direito à lagosta grelhada pela qual te pediram 45, e você mandou 20 reais. As moscas daqui filosofam de outra maneira. Para elas a propriedade, muitas vezes, é um roubo (infelizmente, é o caso de lagostas grelhadas). Você pode pensar que as moscas não são muito dadas a filosofias, e provavelmente estará certo com relação às moscas de quase todos os lugares que merecem uma visita. As destas lagoas são extremamente versadas nesta filosofia em particular. Outrora escrevi, sobre moscas de outra parte do mundo: "Chegada ao Outback.
Vocês pensaram que as moscas eram assunto superado, não é mesmo? Pois elas estão aqui. Todas elas. E não adianta abanar. Se elas gostarem de vocês (elas vão gostar), abanar poderia magoá-las. Deixem que fiquem.
São de um tipo pequeno, bem pequenininho, e tenazes." 2. Jijoca. Chego a Jijoca, essa Jijoca não muito grande, não muito importante, sobre a qual adejam nuvens de chuva. O nome não é muito sóbrio, e o nome completo – Jijoca de Jericoacoara – só é bem manejado por bêbados. No dia seguinte, de quadriciclo, cavalos-de-pau entre dunas e praias. Criança tardia, ataco as areias creme; deixo-me informar pelas fofocas do vento, brincalhão. Abordo dunas e desço de suas encostas, só para, irado, cair em cima de riachos sossegados, em busca do mar. Esquecida, a lente da máquina alimenta-se de muita areia, lodo e algas. Pelo caminho, vilarejos; crianças na janela saudando a arruaceira tropa de portugueses, franceses, fluminenses e baianos. À tarde, o Preá, praia e vila de pescadores onde os robalos resolveram ser saborosos. A padaria Santo Antônio expende pãezinhos às duas da madrugada, e todos ali batem o ponto. Horário ingrato, encomendei os meus para as sete. Além dos pães, o café é primoroso. Jeri sugere respostas a certas perguntas: “que farei de mim neste ano?” ou “haverá um país?”. 3. Fortaleza. Paguei vinte reais para ver um forró. Outro tanto pelo jantar. Não houve jeito de o show convencer. O jantar também não. “Moça, me dá meu vintão?", cheguei a cogitar. Arre égua. Já o carneiro do Ordoni (acho que é esse o nome) convence. No lugar não há turistas. Só carneiros assados, deliciosos. Well...