quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Stromboli

Aos pés do Stromboli
Black Sabbath entoava Changes
E foi como se o sol emitisse

Luz negra

E já não bastássemos
Nem nos reconhecêssemos
E foi tudo.

Oscilei profumundo
Visitei as origens do mal,
Não me quis.

Equivocou-se o sol, mentiu?
Gravitou  antiluz
E vaguei sombrio.

O que me dói?
Do que sofro?
De escuridão. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Baleias Franca

Porto Pirâmides. As franca conduzem seus cachorros de cinco metros pelo berçário. Elas não são feias: apenas trazem a cabeça complexa. 

As eubalaena se experimentam, deixam-se estar nessa sopa de baleias que é a Península, por agora. 

Um filhote branco nos atraiu. A mãe, faceira, o apresentou a embarcação

Outra mãe investia vigorosamente em seu filhote doente, que boiava desenganado. Não havia salvação, e os biólogos anotaram a tristeza.

Mais de mil francas vêm veranear na Península, para nossa alegria.    


Península Valdés

Descemos a Ponta Ninfa, praia onde elefantes se fazem ao mar. As crianças brincavam na água, perto das mães. Machos de 5 toneladas vigiavam da água, meio ursos, meio antas. 

Alguns, indelicados, arrotavam com saúde (eu disse arrotavam por mera cortesia). 

Um sol debruçado no precipício se despedia da praia, a mais ampla em que já estive. 

Rafting Salta

Rio tranquilo. Águas frias cortando o deserto. A mesma aragem dos condores convidava ao banho. As corredeiras, sonolentas, não surpreendiam. Apenas alguns splashes.

Nos paredões inclinados, antigas praias de oceanos arruinados, vimos subir os rastros de dinossauros, a progressão dos passos coleantes de tartarugas e colonias de estromatólitos em bolotas.

Mares soçobrados testemunham suas praias, agora em ângulo de 45 graus.

E seus antigos habitantes assinam mensagens sóbrias, cravadas na pedra. No rio Juramento a emoção não exclui ajustes em nossa efêmera compreensão de mundo. 

Acima, condores vigiavam os passos consolidados de monstros caídos.   

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

São Miguel do Gostoso

– Pra São Miguel são quantas horas? – perguntei ao taxista, no caminho do aeroporto. 

– São Miguel de quê? 

– Se nao é do Gostoso? 

Eram duas horas, passando por Touros. Uma água de coco docinha e gelada mitigou o solstício. 

São Miguel é propriedade do kitesurf, que não domino. Isso não me impediu de comer delícias locais, e freqüentar suas ventanias. 

– E quem prepara a galinha? – quis saber, percebendo o carinho do frango caipira criado na praia de Galinhos. 

– É minha filha – disse-me Jacira, 90 anos 

– Tive dezesseis filhos. Nove se criaram. Agora tenho outros, adotados, inclusive um índio... 

A tapioca doce, com coco ralado na hora fundamentou a tarde de sábado; o badejo em corte alto e o ceviche de atum libertaram a noite correspondente. 

Tudo Gostoso.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Tábua de carne


Carne de sol tenra e amanteigada. 

Meu procedimento é simples: Um naco de carne, um de melão; um de carne, outro de batata doce. 

E vou alternando o sabor da carne macia e maturada com água de coco, farinha d'água, abacaxi assado e mamão. O arroz-de-leite, o rubacão e principalmente o creme de macaxeira são invenções geniais dessa cozinha autêntica. Sim também o queijo coalho e o feijão de corda, amigo. 

O carneiro à moda da fazenda em tudo lembra o que eu comia em casa, quando aqui morei, nos idos de 86. Já o cordeiro assado, em seus caprichos brejeiros, nos faz alçar vôos deliciados. Revisito um pouco do Nordeste, de um sabor algo agreste. 

Natal, 06/10/13.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

iPad

O Garantias reclamou, com razão, da falta de fotos neste blog. Ocorre que estou sem meu computador, dispondo apenas deste tablet que já era ruim e, agora, com nova versão do iOS, virou um... 

Alguém poderia suspeitar que, véspera do lançamento de novo tablet, a Apple fez de propósito. Um novo iOS que esculacha o usuário. Teoria conspiratória. 

Correta, no caso. Impossível que um programa se torne tão escroto quanto o iOS, da noite pro dia. Só querem vender outra bolacha, pagando mendigos para ficarem na fila, simulando um frenesi de compras. Quem a Apple pensa que engana? Outro iPad? Nunca mais.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Capri

Sopraventos espantosos 
Praias marmóreas 
Mundo exagerado. 

Costa amalfitana: 
Contramundos precipitados 
Num azul de escândalo.

Veneza

Uma banda tocava uma de minhas sinfonias prediletas na praça São Marcos. Acordeão, piano, baixo e sax solidarizavam com um violino. Achei a execução, heróica, ligeiramente maravilhosa. Amanhã tem As Quatro Estações, de Vivaldi. 

2. Hoje, um espaguete negro. A pura Veneza que eu já conhecia voltou. O chope, após uma abstinência forçada no irã - e quase isso na Turquia - desceu como nos melhores sonhos. No fim de tarde saí para o parque com ameixas e uvas. Antes, em murano, um artista do vidro ficou com alguns euros, e eu com duas peças assinadas. Agora, o concerto. Após, o jantar.

Parece que é isso.

Ruínas

Exerci o caos, a vadiagem no mediterrâneo. 
Vaguei a esmo por entre ruínas e colossos. 
Séculos, idiomas e ídolos abalaram, vertiginosos. 
Inconsolável, quis um novo eu, conciliado.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

México

Finalizei essa primeira e curta visita ao México em grandíssimo estilo: o museu de Antropologia, um dos mais importantes do mundo.

Visitei oito complexos arquelógicos na península Yucatán (além de sítios na Guatemala e Honduras, em viagem anterior). O museu é síntese e apoteose dessa cultura notável.

Divide-se em três super-alas, com praticamente tudo que se encontrou das centenas de tribos que habitaram o território mexicano, nos últimos 50 séculos ou mais.

Comecei com os povos do norte, passei pelos maias, de tantas pirâmides, e concluí com os mexicas e astecas, que receberam Cortez. 

Figuras de dezenas de toneladas, em pedra, ícones em jade, marfim, ouro: eles não perdem em nada para as maiores civilizações do mundo.

Após essa jornada, um almoço degustação no Tacuba Bar fechou esse país mágico e inesperado. 

Volto em breve, para as loucuras sôfregas da Baja California.     

domingo, 8 de setembro de 2013

Popocatepetl

Hoje fui a Puebla, cidade com 500 anos de história e que lembra Sao João Del Rey, exceto pelas fábricas, quilométricas. No dia anterior, Popocatepetl, pirâmide-montanha, a terceira maior do mundo.

Depois, Cholula. Quem pensa que o México sao só astecas e maias nunca ouviu falar de olmecas, toltecas, mexicas e outros carinhas que ficam magoados quando não são lembrados. Popocatepetl, Xochimilco, Cholula, Tlatelolco e muitas outras acrobacias prosódicas fazem a língua pipocar, desconcertada, e aumentam o encanto do México. 

Finalizo em horas. Que dizer? Nadar com tubarões-baleia foi experiência de uma vida. Outros podem não se impressionar, ou mesmo esnobar a oportunidade, como vi acontecer. Eu não. Tenho necessidade de tubarões-baleia, bem como das próprias, de elefantes marinhos, raias manta e do mola mola.

Eles não são apenas os maiores e mais gentis peixes da Terra. Descrevem lúdico desenho, esses dominós risonhos, em bale gastronômico, e a visão de um tiranossauro rex mergulhando ao lado não traria maior espanto. 

Pantagruélico. Desrealizante. Você descabela ante a ária de infinita beleza que essas criaturas projetam no azul revolto.




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Cidade do México


Manifestantes vindos de todos os cantos viraram esta cidade do avesso. Hoje, em Tlatelolco, me informaram sobre o massacre de estudantes ocorrido dias antes dos jogos olímpicos de 1968. As pessoas protestavam contra um evento nababesco, num pais pobre e desestruturado. Alguma semelhança?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Se alquila borracho para sus fiestas

Mérida é puro México. 

Acabo de voltar do Chaya Maya, deslumbrado com a sofisticada comida de Yucatan. Um peixe cozido em seu próprios sumos, numa folha de bananeira, com frutos do mar. Junto com a tequila, inebriante. 

Amanhâ subo o morro a Uxmal e, depois, tomo o ônibus para Palenque, Chiapas. Ontem a subida da pirâmide enterrada na floresta teve êxtase imprevisto. Cobá é um sonho maia florestado. O México continua em fiesta

Estou me alugando para festas.

sábado, 31 de agosto de 2013

Tulum

Acompanho a arquitetura Maia desde Honduras e Guatemala, e fiquei fascinado com Tulum. Templos e palácios com uma praia anexa - e que praia. 

Por horas vadiei em ondas, me afogando no passado. Ontem, Chichen Itza, sob um sol digno dos maias. Hoje, Cobá e um parque natural. Você sobe a pirâmide, toda em antigo leito marinho, e se entrega a floresta. Uma neblina invadiu, lá pelas tantas, e sobrepairamos universos desconhecidos, maias. 

O México ignora o que seja tédio.