segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Volendam & Marken

Chego de um tour por essas cidadezinhas graciosas da Holanda.
Primeira parada, fábrica de sapatos típicos, de madeira. Um cidadão pegava gritos no recinto, num idioma que tem de ser holandês, porque não entendi nada. O amável gritão prosseguiu em outros idiomas, enquanto eu registrava a fabricação desses sapatos, de questionável índice de conforto.
O Júlio confiou-me a tarefa de degustar um bacalhau fresco em Volendã. Ele disse que tinha sido o melhor que já provara.
Fui direto ao restaurante indicado, e pedi logo o prato sonhado todos esses dias.
Junto com o chope artesanal, o kabeljauw provocou maravilhas. Estava perturbadoramente delicioso. Eu poderia acrescentar alguns elogios, mas não creio que seja necessário.
A loirona holandesa apresentou-me uma conta, que tive de rejeitar, por ridícula. Pedi o apoio de copos do restaurante, moda inaugurada pelo mesmo Júlio, em Praga.
Merkem é cidadezinha das mais pitorescas. Fotografei sem parar, embora o guia estivesse em ritmo de maratona. Os espanhóis mencionaram "conhecer a América em um dia", com aquele ritmo.
Na volta, piadas, espanholas e holandesas.

domingo, 21 de janeiro de 2007

A Pont du Gard

Eu mato, eu mato,
quem roubou minha cueca
pra fazer pano de prato...
bis.
Escrevi, dias atrás:
"Deixo a Provença em direcão a Carcassone. Ontem, a Pont du Gard. Esse guarda era mesmo cheio das "influências": tinha uma ponte e um castelo só pra si...
A Pont é parte de um aqueduto de 50 quilômetros de extensão, construído pelos romanos, há uns dois mil anos. O ribeirão Gauche, perto de Nîmes, lhe serve de cenário mais propício.
Quando cheguei o sol de inverno deitava luz imemorial e atravessei, desprevenido, os pórticos desse conduto aparelhado pelos séculos, talvez excessivos.
Do outro lado ouvi o diálogo e entendi as silenciosas urgências do sol. Os pórticos projetavam-se altaneiros sobre um riacho esmeralda, e o conjunto, inteiramente vitorioso, recebia generosas pinceladas de ouro.
Tanta beleza, concentrada num fim de tarde, era demasiado, e tive raiva de tantas tardes, pretéritas e futuras, em que não estive/estarei aqui.
Nîmes, 18.01.2007."

Amsterdã: a noite, o vinho, os queijos

O vinho branco desceu muito bem. Junto com os queijos, de clara inspiração francesa, foi uma experiência.
Eu concluíra que vinho branco bom não existe. O vinho desta noite provou que eu estava errado.
Comprado por cinco ou seis euros, o vinho desceu magnificando as papilas. Por pouco não fecho a garrafa e o levo para o Brasil.
Os queijos também contribuíram, numa noite de inverno despretensiosa e festiva.

Amsterdã

Dia pleno.
Primeiro, o museu nacional, de nome difícil. Muitos Rembrandts, dois deles colossais. Obras maravilhosas, de uma luminosidade inacreditável.
Depois, o museu Van Gogh. O pintor viveu em Arles e Saint Remy, na provença, além de Paris. Seus quadros são de uma beleza inaugural. Os Girassóis e A Colheita não são menos que perfeitos.
As pinceladas vigorosas, as cores incendiárias causam genuíno transporte de prazer. Gênio consumado, Van Gogh teve uma vida atormentada. Era sustentado pelo dedicado irmão, que morreu meses após o pintor e foi enterrado ao seu lado.
Seus quadros não faziam sucesso (nunca vendeu um único, segundo alguns) e, anos depois, um diretor de museu foi demitido, na Alemanha, por expôr a obra do artista, entre outros impressionistas.
Depois, a casa em que se escondia Anne Frank, que terminou assassinada pelos nazistas.
Após, fui à exposição Bodies. Trata-se de uma mostra do interior de corpos humanos, usando uma nova técnica de conservação de tecidos. Parece que minha visita coincidiu com a de todos os alunos de medicina da Europa: eles se plantavam em frente aos corpos, mesmerizados, insensíveis aos turistas (que também haviam comprado ingressos).
Fiquei estomagado, como diria um português. Apesar dos avisos de não toque, a multidão só faltou comê-los.
O ter ficado estomagado não me impediu de entrar no primeiro bom restaurante que encontrei no caminho, por acaso um uruguaio, que serve um suculento bife de chourizo.
Agora, penso que uns queijos vão bem, junto com o vinho branco que trouxe da Franca, para enfrentar esse inverno holandês...

Dias lindos

Já resumi o sul da França: vou ficar. Não por ora. Então, cabem algumas palavras.
"Ontem Vienne, a 20 minutos de Lyon. Mal cheguei e fui me embrenhando pela feirinha de sábado, misturando-me aos simpáticos habitantes. Depois, no sopé do monte Pipet, o cemitério e, estacionado na encosta, o teatro romano.
Maior teatro da Gália (13.000 assentos), foi restaurado em 1938 e hoje é uma demonstração da arte e do poderio romano.
Voltei à feirinha, para uma paella francesa. Ao pé do templo romano plantado entre belíssimas construções medievais, degustei essa iguaria, à sombra de vinte séculos, ou quase.
Depois, o couscous, sopa típica da região, com vários tipos de carnes, legumes e vegetais. A certa altura, fui brindado com o sonoro bon apetit!, de umas criancas que também escolheram o templo para o piquenique.
O vinho (do Rhône), climatizado naturalmente nas minhas andanças pelos monumentos, foi dialogando formidavelmente com a paella e os queijos caseiros que adquiri, direto dos fazendeiros, na mesma feirinha, de muitas felicidades.
Perfeito.
Tinha mais. Voltei ao teatro, atendendo convocação de um sol triunfante, e obtive algumas fotos, alguma vez convincentes.
De volta a Lyon, mais fotografia (noturna), compras e um jantar. Eu disse compras?
Uma portinha num impasse, só de restaurantes. A gente entra, o garçom vai logo tascando: reserva?
Eu Tinha, obra de uma brasileira estagiária do Mercure da estação. Que bom.
Após o champanha, os pratos foram se sucedendo vitoriosamente. Não sou desses que ficam por aí gostando de fígado.
Aquele estava maravilhoso. Juntamente com o peixe defumado e os queijos de fino extrato, compõe uma salada bastante popular entre os habituês, constatei.
Depois, uma vitela alemã, fumegante, num prato em brasa. Aí eu estava pronto para o queijo, branco e cremoso.
No mico da noite, pedi a conta após o queijo, e fui advertido pela dona do bouchon acerca da sobremesa.
Torta típica, evidentemente fantástica.
Menti que sou brasileiro, à saída.
Eles acreditaram. Ganhei o champanha de brinde.
Que bom estar aqui.
Lyon, janeiro de 2007."

Amsterdam continues

Júlio, você falou sobre um restaurante em Volendã, e do "melhor bacalhau fresco da minha vida". E como é o nome desse restaurante?
Estou salivando só de pensar...
As visitas continuam. Mudei de hotel, estou no Eden. Os termos internet e free, juntos, me mostraram o quanto eu estava errado em ficar em outro hotel.
O tempo é de inverno, com muitos ventos. Então, farei uma ronda pelos museus desta pacata Amsterdã.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Amsterdã

Depois de 12 horas de trem desde Toulouse, passando por Paris, Amsterdã.
Ao contrário do que pode sugerir o tempo despendido, atravessar a Bélgica, Bruxelas e os Paises Baixos desde Paris é muito interessante. Os trens são extremamente confortáveis. Muito melhor que avião.
Fiz um passeio por esta cidade, entrecortada de canais. É repleta de prédios históricos, monumentos e becos espetaculares.
A certa altura, depois de olhar para ambos os lados da rua, livrei o corpo dos bondes, mas uma bicicleta - saida dos recessos do inferno, desconfio - quase me atropelou.
Parece que ela brotou do chão, ou do fundo das eras. Felizmente, atinei com a salvação, a tempo. Prometo ficar mais atento.
Pretendo explorar esta cidade, apesar das baixas temperaturas.
Como vocês podem ter notado, o teclado voltou a formas mais amigas. É agora vivenciável.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Toulouse

A esmo nesta cidade, que sedia a indústria aeroespacial européia (o super-jumbo A-380 deixa-se conformar aqui, com partes de toda a Europa).
Toulouse é charmosa e aconhegante. Cheia de monumentos e de gente nas ruas. Apesar do tempo, hiemal, foi prazeroso percorrer suas ruas.
Venho de Carcassone, cidadela medieval construída no alto de um morro. Trata-se de um conjunto de castelos, enfeixados por uma muralha de muitos metros. Hospedei-me perto dessa fortaleza, e caminhei sem destino, para testar seus limites. Passes e impasses num labirinto de pedras lavradas.
Daqui a pouco embarco para Amsterdã, via Paris, para novas abordagens desse antigo continente e seus sonhos.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Provença

Mesmo no inverno, a Provença tem inúmeras felicidades. Cabe a cada um descobri-las. Mas e preciso tempo. Talvez um mês, só para o lado francês dessas paragens (o norte da Espanha exige outro tanto). Jantar ao lado de um anfiteatro romano, visitar esses monumentos e todo o seu entorno é tarefa de fôlego. No meu pequeno hotel perto dos monumentos em Arles me senti o próprio Van Gogh (sem as manias e o talento). Há muitos encantos, por aqui. Não por acaso algumas pessoas passam meses nessa descoberta.

Marselha

Cheguei hoje a esta cidade, um dos portos mais antigos do mundo. Foi fundado pelos gregos há 2600 anos, depois utilizado pelos romanos, que colonizaram a Gália, hoje França. Apesar do tempo, chuvoso, fiz um passeio e tirei algumas fotografias. Visitei Arles (cidade em que viveu Van Gogh), Avignon e Lyon, entre outras. Ainda vou pra Nîmes e Carcassone, depois Saint Malo e Amsterdã. O sul da França em uma frase: acho que vou ficar!

sábado, 13 de janeiro de 2007

Lyon

Hoje termino esta cidade. Foram dois dias ultradensos, e verbalizá-los não vai ajudar muito. Talvez mais tarde, com calma. Agora só quero aproveitar essas delícias.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Qwerty

Cheguei a Paris, gente! Por incrível que pareça, o avião não caiu nenhuma vez! Hoje, um montão de coisas. Não vou contar agora porque o teclado francês foi feito, bem, por um retardado mental. Faltam letras, e as existentes resolveram não seguir o padrão mundial - apelidado Qwerty. Se as letras trocam de lugar, escrever se torna uma excruciante procura... Não tem jeito: prêmio IgNobel para esse gênio.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Deixando a Tailândia

Amanhã terei tempo para resumir a estada, já que um pais não se resume. Agora, pizzaria, para comemorar. Hoje fui ao Outback de Siam Paragon, para o chope australiano acompanhado de costelinhas de porco bem tostadas.
Estava realmente bom, mas sem superar a de carneiro, degustada em Brasília.
E recomeçou a ração diária de sorvete Häagen Dasz.
Só uma coisa me preocupa: mudei a versão do blog hoje, e talvez não tenha acesso a ele.

Patpong

Umas moças realmente habilidosas, e muito desinibidas.
Fumam, tocam corneta, jogam pingue-pongue, acertam balões, que explodem. Fiquei um tempinho num desses bares de Patpong, bastante liberais.
Quando saí, uma moça apagava as velas de um bolo de aniversário, não sei de quem.
Os turistas inundam o lugar, na imprevisível noite de Bancoc.

Sobre viagens aéreas

A viagem a Paris, de amanhã, me lembra outra, para Bima.
Caminhando pela pista do aeroporto de Bali - modesto, para sua clientela de gigantes intercontinentais - vi um aparelho singularmente velho e cansado. Suas asas, curtas como as de uma ave fujona, e seus motores, rotos e cobertos de fuligem, inspiravam cuidados, senão piedade.
O conjunto sugeria milhares de ciclos além do recomendado pela Fokker (que, de qualquer modo, falira há muitos anos). Não que seus aviões fossem ruins, não. Apenas não se agüentavam voando, o que, quase sempre, resultava em momentos inesquecíveis, para passageiros ou familiares.
Nessa caminhada fiquei sabendo da intenção daquele improvável avião de me levar a Bima, ilha de onde se navega até Komodo.
Em condições normais eu declinaria o privilégio, mas não quis ofender a equipe de bordo, que me sorria do alto da escada de alumínio.
Um dos que mais sorriam era o piloto. Sobrevivente de heróicos acidentes (ao contrário de seus passageiros), era um homem de coragem, uma pessoa extraordinária, via-se logo.
Entramos. Eles bem que trancariam a porta do habitáculo de comando, se existisse uma. De sorte que tínhamos a cabine de comando à nossa disposição. Os assentos da classe que meu salário autoriza costumam ser apertados. Aqueles eram dignos de pigmeus.
Reparando no trabalho do nosso excepcional piloto, vi que se impacientava com o motor da direita. Após uma acalorada troca de insultos com o pessoal de terra, pela janelinha caída, o motor dá sinal de vida, num gemido profundo e sentido.
O outro exigiria mais.
Um breve e justificável espancamento do painel, uma torrente de impropérios, e nada. Então, o piloto torna pública sua ira e toma a si a tarefa de fazer o engenho funcionar. Eu, que observava com certo interesse, posso dizer que uma intensa energia fluiu daquele manche diretamente para a turbina, que finalmente entrou em erupção, tamanhos ruído e vibração.
Em meio às brumas alçamos vôo aos céus, pouco antes da pista ceder a vez para o mar, inseguros acerca de nossa sorte entre as nuvens ou lugar no paraíso.
Não sei se devido à tesourada nas asas, ao peso dos 40 anos, às muitas avarias ou às navalhadas do piloto, mas aquela foi uma viagem de suspiros e preces.